UM ACONTECIMENTO
Pedro Mexia Expresso, 20161001 A novidade é uma das marcas distintivas da tradução que Frederico Lourenço fez da Bíblia grega Em 1973, o romancista Shusaku Endo, o “Graham Greene japonês”, publicou um livro intitulado “Uma Vida de Jesus”, cujo conceito é estarrecedoramente simples: contar a história de Jesus como se fosse a primeira vez que estivesse a ser contada, uma vez que o Japão é uma das nações onde o cristianismo teve menos impacto. É-nos difícil imaginar essa novidade. Num país de tradição católica como Portugal, há, ou havia até há pouco tempo, uma familiaridade com as histórias da Bíblia que não dependia sequer da leitura efectiva ou da fé. A Bíblia fazia parte da nossa cultura, e não parecia uma ‘novidade’, excepto aos devotos ou aos convertidos. A novidade é uma das marcas distintivas da tradução que Frederico Lourenço fez da Bíblia Grega. Porque se trata justamente de uma primeira vez, em termos da amplitude do cânone, bem como da versão escolhida,...