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O Deus do padre Halík

CARLOS FIOLHAIS  Público 11/05/2016 - 00:10 Halík busca consequências da sua tese para o enevoado futuro da Europa. Esteve recentemente entre nós para lançar o seu novo livro o padre checo Tomáš Halík, professor na Universidade Charles, em Praga, que se tem revelado um dos teólogos contemporâneos mais originais. Ele fala para o mundo contemporâneo, dirigindo-se tanto a crentes como a não-crentes. Nasceu numa família não-crente, tendo-se convertido ao catolicismo com 18 anos por influência de leituras de G. K. Chesterton e Graham Greene (os dois também convertidos ao catolicismo). Foi ordenado padre clandestinamente, tendo pertencido à “Igreja subterrânea” do Leste e sido conselheiro de Václav Havel. Hoje é autor de livros de larga circulação internacional como Paciência com Deus, A Noite do Confessor, O meu Deus é um Deus ferido e, acabado de sair entre nós, Quero que Tu sejas! (todos eles nas Paulinas). Tornei-me admirador do padre Halík através dos seus livros e foi com...

CTT apresentam livro sobre a história mundial dos Jesuítas

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Agência Ecclesia   09 de Maio de 2016, às 12:24 Obra assinada por Carlos Fiolhais e José Eduardo Franco Lisboa, 09 mai 2016 (Ecclesia) - Os CTT acabam de lançar novo livro sobre a história mundial da Companhia de Jesus, ‘Jesuítas, Construtores da Globalização’, obra assinada pelos investigadores Carlos Fiolhais e José Eduardo Franco. O volume dedica “atenção particular à história da globalização portuguesa, pouco mais de duzentos anos após a Restauração da Companhia de Jesus, decretada pelo papa Pio VII em 1814”, explica um comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA. A edição apresenta os principais momentos da história da Companhia de Jesus, criada em Paris em 1534 pelo basco Inácio de Loiola (1491-1556) e aprovada pelo papa Paulo III em 1540. “Tendo surgido logo após as primeiras grandes viagens dos Descobrimentos e com a globalização que estas viagens permitiram, os Jesuítas contribuíram com as suas sistemáticas recolhas para a grande revolução do conhecim...

“É proibido… mas pode-se fazer”

CARLOS FIOLHAIS Público 13/04/2016 O "eduquês", que sempre foi inimigo da avaliação, está de volta, mais forte do que antes. O humorista brasileiro Millôr Fernandes respondeu assim à pergunta sobre se um químico pode tomar decisões "precipitadas”: pode, mas não é uma "boa solução". Começou mal o novo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, bioquímico de formação, ao tomar a decisão de acabar com os exames no ensino básico antes do 9.º ano, introduzindo “provas de aferição” a meio dos ciclos desse nível de escolaridade. A sua mudança foi apressada. Não houve nenhum estudo fundamentado nem nenhum debate público. Foi uma medida tomada apenas com base em preconceitos, de natureza ideológica, que vingam em certos sectores do PS e dos seus parceiros. Confrontado com opiniões contrárias, o ministro ainda se desdobrou em reuniões com directores de escola, mas não escapou à censura presidencial: a sua tão urgente e radical reforma acabou por ser matizada...

Jesuítas, Construtores da Globalização

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De Rerum natura , 2016.03.29 No dia 18 de Março, os CTT - Correios de Portugal lançaram uma emissão filatélica dedicada aos «Jesuítas, construtores da globalização». É uma emissão de quatro selos e um bloco filatélico, com trabalho gráfico de Design&etc. Em breve sairá um livro dos CTT com o mesmo título da autoria de José Eduardo Franco e Carlos Fiolhais. Transcrevo o texto da pagela que acompanha a edição filatélica. A entrada da Companhia de Jesus em Portugal, em 1540, constituiu um dos eventos mais assinaláveis da nossa cultura. Em paralelo com o esforço missionário intercontinental, a Ordem fundada por Inácio de Loyola ergueu entre nós, em poucas décadas, uma rede de instituições de ensino secundário, chamadas colégios, e universidades (criou a segunda universidade portuguesa, em Évora, em 1659). Com base numa metodologia de ensino nova, os Jesuítas criaram a primeira rede de ensino da nossa história que se ligava com instituições de ensino regidas pelo mes...

PAPA FALA SOBRE BIG BANG E EVOLUÇÂO

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Carlos Fiolhais, De Rerum Natura , 2014.10.29 Artigo do DN de hoje sobre ciência e religião, para o qual fiz declarações. Podem as teoria do Big Bang e da evolução das espécies conjugar- se com a doutrina católica para explicar a origem do universo e da vida? A ideia foi defendida pelo Papa Francisco, num discurso na Academia Pontifícia de Ciências, em Roma. O DN perguntou a um cientista, Carlos Fiolhais, e a uma teóloga, Teresa Toldy, se a ciência pode servir de base à religião. Fiolhais confessou maiores reservas, admitindo mesmo que este pode ser um caminho "perigoso". No seu discurso, o Papa Francisco admitiu não ser boa ideia interpretar à letra o Génesis, capítulo da Bíblia que nos diz que os céus resultam de uma "expansão das águas", as estrelas servem "para iluminar a Terra" à noite, Deus criou o homem "à sua imagem" e foi por terem provado o fruto "da árvore do conhecimento" que Adão e Eva acabaram expulsos do jard...

Os perigos e as virtudes de combinar ciência com religião

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DN 2014.10.29 O papa Francisco aprova as teorias do Big Bang e da Evolução das Espécies mas também defende que "é precisa" a criação divina para as explicar por completo. Demonstrou abertura ou tentou usar a ciência como fudamento para a crença? Carlos Fiolhais, físico e um dos mais conhecidos divulgadores científicos portugueses, avisa que pode ser "perigoso" recorrer à ciência para tentar fundamentar as crenças religiosas. E dá o exemplo de Galileu Galilei, que dizia: "O Espírito Santo ensina-nos como ir para o céu, não como é o céu". Já a teóloga Teresa Toldy defende que o Papa pretendia apenas demonstrar que ciência e religião não são incompatíveis e que não estava a tentar enciaxar as duas variáveis numa só. Vera a notícia completa aqui . Nota do Povo: De onde parte esta notícia do DN? Da Sessão Plenária da Pontifícia Academia de Ciências em que o Papa Francisco discursou e procedeu à inauguração de um busto de bronze em homenagem ao Pap...

Nós e os chins

Carlos Fiolhais Público, 2013.02.20 O português Jorge Álvares foi o primeiro europeu a desembarcar na China, em 1513, faz agora 500 anos. Partindo de Malaca, que tinha sido conquistada por Afonso Albuquerque em 1511, dirigiu-se, com fins comerciais, para norte até alcançar a foz do rio das Pérolas. De facto, a terra não era nova. Desde Marco Polo que a Europa sabia das maravilhas da China. Mas só a conquista de Malaca tinha assegurado aos ocidentais uma rota marítima para a China. Os portugueses encontraram, no que chamaram "terra dos chins", uma civilização avançadíssima. E, dada essa desigualdade, o intercâmbio entre os portugueses e os chineses não correu bem nas primeiras quatro décadas de contacto. O desconhecimento luso dos usos e costumes chins era tremendo. Passados quatro anos da chegada de Jorge Álvares, uma missão capitaneada por Fernão Peres de Andrade levando a bordo o embaixador Tomé Pires, um ex-boticário, entrava em Cantão com o intuito de e...

Uma herança do PREC

Público 2012-09-05 Carlos Fiolhais Não será exagerado dizer que há crimes educativos e que, provavelmente, o maior cometido entre nós foi a abolição, após o 25 de Abril, do ensino técnico-profissional. Tal foi feito por unanimidade, no conturbado clima do PREC, em nome da igualdade social. Foi dito, e era verdade, que havia, no regime deposto, reprodução da estrutura social, estando o título de doutor quase só reservado aos filhos dos ricos. Passados quase 40 anos é tempo, pesando a experiência acumulada, de tirar conclusões. É certo que a escola pública se alargou maciçamente - e ninguém deixará de se orgulhar por esse feito - mas não é menos certo que a quase ausência de saídas profisissionais produziu um sistema totalmente unificado até ao 9.º ano de escolaridade e com poucas escolhas depois dele, que leva uma multidão de alunos a desembocar no ensino superior, em busca do canudo. Não pode, contudo, ser bom um sistema em que praticamente não há escolhas. É como as lojas de so...

Em termos de pódio

Público, 2012-08-08 Carlos Fiolhais No outro dia, ao guiar numa povoação para mim desconhecida, parei para perguntar a um polícia onde ficava a rua onde queria ir. O guarda informou-me: "Siga em frente até à próxima rotunda e aí, em termos de direita, é a última." Estava longe de ser a primeira vez que ouvia a expressão "em termos de", um inglesismo hoje usado a torto e a direito. Mas estranhei tanto que decidi ficar atento a frases do género, ditas por pessoas da rua ou notáveis de qualquer espécie. E foi assim que ouvi há poucos dias Vítor Pereira, treinador do Futebol Clube do Porto, depois do jogo inaugural desta época com o Lyon, afirmar: "Estamos a crescer em termos de jogo." Mas tanto a frase do polícia como a do treinador não conseguem bater uma outra com um duplo "em termos de" do comandante José Vicente Moura, eterno presidente do Comité Olímpico Português. Declarou ele, a 14 de Julho passado, em registo da Lusa, "à margem ...

Uma festa de arromba

Público 2012-04-18 Carlos Fiolhais Desmentindo o óbvio, sem dar suficiente atenção a números, a ex-ministra lá foi fazendo o elogio do fausto Festa é excesso. Eu já suspeitava que o dinheiro nos cofres públicos tinha acabado não só devido à crise internacional mas também devido à incapacidade governativa de gestão racional dos recursos existentes. Suspeitava que havia gastos excessivos. Foi por isso que acreditei na confirmação que veio da ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues, quando afirmou na Comissão Parlamentar de Educação: "O programa da Parque Escolar foi uma festa para as escolas, para os alunos, para a arquitectura, para a engenharia, para o emprego e para a economia." A derrapagem bateu todos os recordes: em 2007, José Sócrates, acolitado pela ministra, anunciou que 332 escolas iam ser requalificadas, com um custo médio de 2,8 milhões de euros por escola. Passados três anos, no Relatório de Contas da empresa Parque Escolar, o custo médio por esco...