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O que será feito da deputada cigana?

HELENA MATOS   0BSERVADOR   17.07.17 Em meados de Junho no tempo em que tudo corria bem rebentou a crise da deputada cigana. Depois aconteceram Pedrogão e Tancos e o caso da deputada cigana foi encerrado. Agora é a vez de Gentil Martins 1. O país está a regressar ao normal e num sinal inequívoco do regresso a essa normalidade já voltou ao bom hábito da indignação semanal. Esta semana as fúrias, os chiliques, os ais e os uis  caíram sobre Gentil Martins   que declarou ser a homossexualidade uma “anomalia” e as barrigas de aluguer um crime. Pelo meio Gentil Martins ainda fez uns comentários sobre Cristiano Ronaldo. Quanto à homossexualidade discordo de Gentil Martins já no caso das barrigas de aluguer concordo: independentemente do que diga a lei vejo-as como um crime. Gente pressurosa ameaça Gentil Martins com queixas na Ordem dos Médicos e a Ordem logo responde que as queixas (ainda não apresentadas mas apenas anunciadas) irão ser analisadas pel...

Breve dicionário para perceber os dias que correm e os que vão correr

HELENA MATOS   OBSERVADOR   03.07.17 Em 2016, o ministro da Defesa afastou o Chefe do Estado-Maior do Exército por causa da discriminação dos homossexuais no Colégio Miltar. Em 2017, um paiol é assaltado e o ministro olha para o lado. Arco voltaico . Só a vertiginosa sucessão a que oficialmente nos são apresentadas causas para o incêndio de Pedrogão leva a que não nos tenhamos interessado pelo arco voltaico. No dia 2 de Julho, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, declarou na TVI: “Passam ali naquela zona linhas de média e alta tensão. Tenho para mim que as linhas de alta e média tensão, com temperaturas muito altas e com o vento, não se tocando, aproximando-se, podem criar efetivamente descargas elétricas, que é o chamado arco voltaico.” Pessoalmente nada me anima contra o arco voltaico mas note-se que no dia 21 de Junho o mesmo presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses apontara outra pista no Fórum TSF: “Eu tenho para mim de que o...

António Costa vai de férias para onde? E vai sozinho?

HELENA MATOS   OBSERVADOR   05.06.17 O senhorio, tal como o dono do café no tempo de Sócrates, representa aquilo que um marxista não pode tolerar: que alguém com pouco dinheiro crie um negócio. 12 de Agosto de 2012. Lia-se no JN: “ Um grupo de populares que contesta a introdução de portagens na Via do Infante tentou, este domingo à tarde, abordar o primeiro-ministro quando este se dirigia para a praia, acompanhado pela mulher e pela filha, assustando a criança, que começou a chorar. (…) Já esta manhã, membros da Comissão de Utentes da Via do Infante tinham tentado abordar o chefe de Governo na casa onde está a passar férias .” Perante a gravidade da situação logo o blogue Corporações (sim, esse mesmo blogue que Sócrates pagava e que replicava o argumentário da esquerda caviar) deu o mote: “ PPC e os aprendizes de feiticeiros do spin político que tomaram conta do PSD e do Governo utilizam de forma descarada e intencional a família e a esfera privada para efeitos de...

O pós-polvo

HELENA MATOS  OBSERVADOR   20.02.17 Todos os dias vemos crescer, qual polvo, dentro do Estado, os tentáculos da ideologia. Na Educação, na Saúde, no Trabalho. Quando a geringonça se desfizer o polvo lá ficará trabalhando para ela. Menos Matemática e menos Português. Mais ideologia e muita conversa da treta ou seja o regresso da Cidadania e Área de Projecto. À primeira vista é o que se oferece dizer sobre as mudanças curriculares agora anunciadas. Claro que também se pode acrescentar que se adivinha promissor o negócio das explicações de Português e Matemática e dos colégios particulares (os tais que a abastada esquerda caviar diz escolher não por causa dos bons resultados mas sim por causa dos horários ou até por simples acaso, como sucede com a senhora secretária de Estado da Educação cujas filhas frequentam por acaso, mas só por acaso, uma escola alemã) pois as disciplinas de Cidadania e a Área de Projecto não servem para nada de nada a não ser, claro, para doutr...

O mundo fica do lado de fora da bolha

HELENA MATOS  OBSERVADOR   09.11.16 Acreditando que estão ligados ao mundo, jornalistas e comentadores vivem encerrados numa bolha. Mas lá fora o mundo passa a correr. Os apoiantes de Trump passaram mas ninguém os viu. Os “deploráveis” existem. E votam. Sim, eu sei que o facto de ter chamado deploráveis aos apoiantes de Trump pode não ter valido a derrota a Clinton, mas explicará alguma coisa do seu desastre eleitoral. Mas se Clinton errou no alvo acertou no termo: deploráveis. Esta foi uma campanha cheia de momentos deploráveis e, coisa que certamente nos dará muito que fazer nos próximos tempos, de ideias deploráveis. Mas para já fico-me não pelo que de deplorável disseram e fizeram os candidatos (e foi muito e para todos os gostos e desgostos), mas sim pela deplorável clivagem entre o noticiado, e por conseguinte comentado, e a realidade. E disto não foram responsáveis Clinton ou Trump mas sim a transformação do jornalismo numa variante da ficção. Para mais de...

Os ricos, nossos amigos

Helena Matos Observador 2/10/2016 Criar ricos é muito mais fácil do que criar riqueza. Basta alterar por decreto o valor do património que faz de cada um de nós um rico. Não duvido que dentro de pouco tempo seremos todos ricos. Os ricos são muito nossos amigos e muito úteis. Sem os ricos não se pode governar porque são os ricos quem tem o dinheiro que os governos dão aos pobrezinhos, aos remediados, à classe média e também aos ricos seus amigos. Os ricos têm, no banco, o dinheiro que permite aumentar as pensões de miséria e são donos das casas que devem pagar mais impostos para acabar com a privatização dos transportes e de caminho com as obras no Palácio da Ajuda. Os ricos fazem muita falta. Temos até de construir estufas para produzir mais ricos porque cada vez precisamos mais deles. Afinal sem ricos não há dinheiro e sem dinheiro não há políticas para virar a página da austeridade. Se cada rico depois de pagar os seus impostos ainda pagar mais dez euros para aumentar as...

A armadilha

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Helena Matos Observador 26/9/2016 Como é possível que, vivendo nós aprisionados nas sucessivas ondas de indignação-condenação promovidas pelos radicais, não vejamos os moderados a ser capazes de trazer os seus assuntos para o debate? 30 de Outubro de 1793. A guilhotina espera-os. Tudo aquilo que nos últimos anos os aproximou e separou está-lhes consumado nos rostos. É como se ainda acreditassem que a sua verve os tornará imortais. Que no fim se lhes fará justiça. Que talvez o povo compreenda… Não sabem ainda que o silêncio e a indiferença serão a sua companhia no percurso que dentro em poucas horas os levará da prisão até ao cadafalso.  “O último jantar dos Girondinos” – é esta a designação por que se conhece este quadro – retrata com alguma liberdade a última refeição de um grupo de deputados que, também com alguma liberdade, podemos definir como moderados, durante a Revolução Francesa. A Revolução Francesa é o tempo a que temos de voltar sempre (ou pelo menos eu volto...

Vergonha? Disse vergonha?

Helena Matos 18/9/2016 Quando a sala socialista rompeu num aplauso após Mariana Mortágua ter defendido o seu modelo leninista de confisco, estamos perante um facto que nos vai marcar no futuro: o PS deixou de ser confiável. “Temos de perder a vergonha e ir buscar a quem está a acumular dinheiro”. Quando Mariana Mortágua acabou de pronunciar esta frase “a sala socialista rompeu num aplauso.” Repito “rompeu num aplauso”. E agora? A boçalidade de quem olha para a sociedade numa perspetiva recoletora subjacente ao raciocínio de Mariana Mortágua é evidente e nada tem de novo. Para a esquerda radical, de que a deputada faz parte, a riqueza não se gera, caça-se. Em algum lado a presa/riqueza há-de estar: antes nacionalizava-se e ocupava-se. Agora taxa-se. Alguma vez a esquerda radical concebeu outra forma de governo e de financiamento que não passe pelo confisco? Primeiro dos banqueiros, dos latifundiários, dos capitalistas, das multinacionais e dos grandes grupos económicos que ...

Os militares não são deste tempo?

Helena Matos Observador 11/9/2016 Já se comparou a polémica que rodeia a morte de militares durante a instrução com o silêncio que acompanha as mortes súbitas de desportistas? Após a morte dos candidatos a comandos começou uma sequência de declarações, desmentidos e novas declarações que dão conta de como é cada vez mais difícil justificar a instituição militar, como esta divide os partidos que apoiam o Governo e como, em consequência disso, a extinção dos Comandos chegou a ser ponderada. Escrevo que a extinção dos Comandos chegou a ser ponderada não por Catarina Martins ter vindo pressurosamente exigi-la. É óbvio que o fez e fará sempre, pois para o BE os militares devem ser ou uma milícia ou uma ONG, sendo que para mais os Comandos têm aquele senão de oficialmente terem derrotado a esquerda radical no 25 de Novembro de 1975. (Não desmerecendo no valor dos Comandos, em Novembro de 1975 não foi apenas Jaime Neves quem veio para a rua, também houve, à esquerda, quem ficasse e...