A propósito de ditaduras
ALBERTO GONÇALVES 3.11.2018 OBSERVADOR Não há que enganar, embora o engano seja língua franca: fala-se na ditadura que aí vem para dissimular a ditadura que deveria vir. Agitar tiranos hipotéticos é estratégia típica de tiranos comprovados Não vou escrever sobre o sr. Bolsonaro, o alegado fascista que, com os votos de milhões de alegados fascistas, vai liderar um governo de alegados fascistas e estabelecer o alegado fascismo no Brasil. Digo apenas que é triste ver uma nação que até aqui se distinguia pela prosperidade e pelo sossego arriscar cair na intolerância e no ódio. O lado positivo é que Portugal não arrisca nada: já caiu. Na noite de Domingo, as eleições brasileiras interessaram-me menos do que as respectivas reacções deste lado do mar. Nas “redes sociais”, fervorosos inimigos do racismo e da xenofobia desataram a insinuar com variável franqueza a deportação da maioria de brasileiros que, por cá, votou no sr. Bolsonaro. Houve quem recomendasse a ...