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A propósito de ditaduras

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ALBERTO GONÇALVES   3.11.2018  OBSERVADOR Não há que enganar, embora o engano seja língua franca: fala-se na ditadura que aí vem para dissimular a ditadura que deveria vir. Agitar tiranos hipotéticos é estratégia típica de tiranos comprovados Não vou escrever sobre o sr. Bolsonaro, o alegado fascista que, com os votos de milhões de alegados fascistas, vai liderar um governo de alegados fascistas e estabelecer o alegado fascismo no Brasil. Digo apenas que é triste ver uma nação que até aqui se distinguia pela prosperidade e pelo sossego arriscar cair na intolerância e no ódio. O lado positivo é que Portugal não arrisca nada: já caiu. Na noite de Domingo, as eleições brasileiras interessaram-me menos do que as respectivas reacções deste lado do mar. Nas “redes sociais”, fervorosos inimigos do racismo e da xenofobia desataram a insinuar com variável franqueza a deportação da maioria de brasileiros que, por cá, votou no sr. Bolsonaro. Houve quem recomendasse a ...

A geringonça há de inventar um Bolsonaro em Portugal

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RUI RAMOS   2.11.2018   OBSERVADOR A estratégia de defesa da geringonça está definida para quando um líder da direita tiver chances de chegar a primeiro-ministro: acusá-lo de ser “fascista” e gritar que a democracia vai acabar. Não é só o azar que atormenta os povos. É também a sorte. E a sorte que mais atormenta os comentadores portugueses, enquanto pelo mundo triunfam Salvinis e ganham Bolsonaros, é que a pátria continue ditosamente isenta de uns e de outros. No tempo dos populismos, somos o país onde as elites dormem descansadas. De tal modo, que para nos exaltarmos com o fascismo, como agora voltou a ser moda nos estúdios de televisão, tivemos de ir pedir o drama emprestado ao Brasil. Há quem, a propósito da falta de uma Le Pen portuguesa, nos mande agradecer ao PCP e ao BE. Talvez seja demasiado paradoxal: estas são as forças políticas que inicialmente mais ameaçaram a democracia em Portugal, e que hoje, aliás, concordam frequentemente com Le Pe...

Exame de Consciência pós-eleições

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O CATEQUISTA   FACEBOOK   29.10.2018 https://ocatequista.com.br/ "Evita as discussões tolas e descabidas, sabendo que geram rixas. Ora, não convém que o servo do Senhor viva discutindo, mas q ue seja manso para com todos, pronto para ensinar e paciente." (2 Tim 2,23-24) Esse ensinamento de São Paulo é um excelente instrumento para fundamentar o exame de consciência de muitos de nós brasileiros, ao fim dessas eleições. Discutir política é importante e saudável. Mas querer impor ao outro o seu modo de pensar na base de ofensas, xingamentos e chantagens não vem de Deus. Que cada um avalie a si mesmo com humildade, e faça a devida confissão sacramental, caso necessário.

O filósofo de Bolsonaro?

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DANIEL PEREIRA    26.10.2018   OBSERVADOR O filósofo Olavo de Carvalho não é ideólogo de ninguém. Ele não é agente político ou representante ideológico. Para ele, o círculo da hierarquia pessoal não se sobrepõe ao círculo da verdade. Anda um espectro pelo Brasil — o espectro de Olavo de Carvalho, aquele a quem certos formadores de opinião denominam de ideólogo da direita (ou da “nova direita”) e da campanha de Jair Bolsonaro. Mas afinal, quem é o filósofo Olavo de Carvalho? Olavo de Carvalho nasceu em 1947 no Brasil, mas reside actualmente nos Estados Unidos da América, em Richmond (Virginia), a partir de onde transmite as aulas do Curso Online de Filosofia e os cursos avulsos do Seminário de Filosofia a milhares de alunos. O cineasta Josias Teófilo registou parte da sua rotina, e uma centelha do seu pensamento, no documentário “ O Jardim das Aflições ”, eleito o melhor filme da 21ª edição do Cine PE. Saudado pela crítica como um dos mais originai...