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«Porquê Ler os Clássicos?» – Entrevista a Teolinda Gersão

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Projecto Adamastor Ricardo Lourenço 20 de Outubro de 2014   Porquê ler os clássicos da literatura portuguesa? Não os ler significa que somos muito ignorantes sobre nós mesmos. Mas depois de 40 anos de democracia e liberdade, a sensação predominante ainda continua a ser o provincianismo do «lá fora é que é bom». Se alguém disser aos portugueses que a sua literatura é das mais antigas, importantes e interessantes da Europa (e do mundo), claro que eles não acreditam. E quem vai acreditar num país que não acredita em si próprio? Ler os nossos clássicos é um bom caminho para quebrar esse preconceito. Mas há uma espécie de círculo vicioso: é preciso ter alguma cultura geral para ler, sobretudo para ler os clássicos. E, apesar do aumento da escolaridade, a nossa cultura geral é muito pouca. A definição de clássico está longe de ser consensual. Afinal, o que torna uma obra literária um clássico? O facto de não envelhecer. Independentemente da época em que foi escrita, um...

Carta Aberta aos Caloiros

TEOLINDA GERSÃO Público 12/10/2014 - 05:54 Se querem ser "animais", com ou sem aspas, então sejam. Boa sorte. Caros Caloiros: Certamente sabem que, na praxe coimbrã, mãe de todas as praxes, o caloiro é tradicionalmente "o animal". Como também julgo que sabem, segundo a lei n.º 69/2014, de 29 de Agosto, no nosso país os animais passaram a estar protegidos de maus tratos, o que abrange qualquer tipo de coacção física: dor, sofrimento, privação de alimentos, abandono, mutilação ou morte. A pena mais pesada pode ir até aos dois anos de prisão efectiva. Referindo-se a pessoas, legalmente protegidas desde logo pelos direitos humanos universalmente aceites, o conceito de maus tratos inclui obviamente também qualquer tipo de coerção ou violência psicológica. O que me leva a pensar: Que fariam se um professor vos mandasse rastejar no chão? De certeza que não obedeciam, e o professor teria problemas, e apanharia com razão um processo em cima. No entanto, como...

De acordo em acordo até ao desacordo final?

Teolinda Gersão Público, 14/03/2013 O Acordo Ortográfico foi um processo infeliz, tratado nas costas da população dos países lusófonos, como se a língua fosse propriedade de um grupo de linguistas e os Governos tivessem legitimidade para mudar por decreto uma língua que não é propriedade sua, mas do país e dos cidadãos. O percurso errático do Acordo Ortográfico arrasta-se há 23 anos (ou melhor, há 38, porque começou a ser pensado em 1975) e ainda não está legalmente em vigor, porque as populações dos vários países lhe resistem e porque, quando se tentou impô-lo pela força de um decreto, o resultado foi o caos. O que faltará acontecer para que os sucessivos Governos reconheçam que pretendem a quadratura do círculo e que estas tentativas pura e simplesmente não funcionam? Recentemente a Presidente Dilma adiou para 2016 a entrada em vigor do Acordo Ortográfico no Brasil, e, a acreditar nos jornais, tomou essa decisão unilateralmente, sem consultar os seus parceiros. Pretende-...

Carta Aberta a Maria Helena

Público 2012-07-13 Teolinda Gersão Querida Maria Helena: Há 50 anos que sou tua amiga, te admiro como pessoa e respeito o teu trabalho como professora universitária de linguística. Sempre evitei, no entanto, discutir contigo o trabalho que tens feito fora da universidade, nomeadamente no que respeita à influência que tens tido no ensino do português no secundário. Sempre soube que nesse ponto não estávamos - e nunca vamos estar - de acordo. Penso contudo que um dos problemas do nosso país é deixarmos que as relações pessoais interfiram demasiado com nossas posições cívicas, e com a defesa do que consideramos correcto e justo. Sei que também assim pensas, e por isso te manifestaste tão negativamente sobre o meu texto que, como se pode provar pela adesão que tem tido, dá voz à saudável resistência dos alunos e ao descontentamento de milhares de pais, encarregados de educação e professores. Na verdade, querida Maria Helena, ao responder ao meu artigo assumes a posição de porta-...

Teolinda Gersão faz uma declaração de amor à Língua portuguesa

Tempo de exames no secundário, os meus netos pedem-me ajuda para estudar português. Divertimo-nos imenso, confesso. E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas, mas as ideias são todas deles. Observatório da Língua Portuguesa, 11-06-2012 http://observatorio-lp.sapo.pt/pt/noticias/teolinda-gersao Redacção – Declaração de Amor à Língua Portuguesa Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito.”O Quim está na retrete” : “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a...