Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: Francisco Sarsfield Cabral

A armadilha do crédito

Francisco Sarsfield Cabral RR online 20 Abr, 2016 Nesta ambiente de “viragem da página da austeridade”, muita gente se virou para o crédito bancário para consumir mais. Em Fevereiro o crédito bancário pessoal ao consumo aumentou 16%. A poupança das famílias em Portugal desceu ao nível mais baixo desde 1999, quando o INE começou a publicar estes números. Mas o consumo das famílias subiu, estimulado pelo proclamado “fim da austeridade” e porque, nalguns casos, o rendimento familiar aumentou (como, a partir de hoje, acontece com o início da reposição dos salários dos funcionários públicos). Só que o consumo subiu mais do que o rendimento. Nesta ambiente de “viragem da página da austeridade”, muita gente se virou para o crédito bancário para consumir mais. Em Fevereiro o crédito bancário pessoal ao consumo aumentou 16%. O problema é que o crescimento da economia portuguesa está a abrandar. E o desemprego – um importante motivo de endividamento das famílias, a par com os baix...

Problemas no Governo

Francisco Sarsfield Cabral | RR online 14 Abr, 2016 O governo de A. Costa ainda não completou meio ano e já evidencia problemas internos – até no sentido de que não foram provocados pelos seus apoiantes de extrema-esquerda, PCP e BE. A demissão de João Soares não surpreendeu, dado o perfil do personagem, que A. Costa tinha obrigação de conhecer. O secretário de Estado da Juventude e Desporto saiu em aberta rotura com o ministro da Educação, que já havia mostrado uma notável dose de insensatez. E a contestação dos militares ao ministro da Defesa entende-se: faltam ao ministro qualidades de bom trato e diplomacia, como se vira quando presidiu à ERC. Costa não reparou? Pior foi o modo como o primeiro-ministro justificou o envolvimento de um amigo em assuntos de Estado (TAP, BPI, lesados do BES, etc.). Ana Sá Lopes escreveu no jornal i: “Não está em causa a competência profissional de Diogo Lacerda Machado nem o facto de ser o ‘melhor amigo’ do primeiro-ministro (…) A questão ...

Vender o corpo

Francisco Sarsfield Cabral RR online 12 Abr, 2016 Torna-se cada vez mais difícil sustentar que a prostituição é uma profissão exercida livremente, como tal devendo contribuir com impostos e contribuições sociais. Passou quase desapercebida entre nós a decisão da Assembleia Nacional francesa que suprime a penalização das prostitutas que oferecem os seus serviços e penaliza com multas quem comprar sexo. Esta lei situa-se na linha do sistema sueco (que conta com vários outros países seguidores) e é contrária à equiparação da venda de sexo a qualquer outra profissão (regime em vigor na Holanda e na Alemanha). Divulgar esta importante decisão dos deputados franceses não interessa, naturalmente, a muita gente que se diz anticapitalista mas defende mercantilizar a utilização do corpo - afinal, o império do mercado levado ao seu extremo. Já agora, porque não permitir à pessoa que se venda como escravo? Em editorial, o diário "El País", próximo dos socialistas, diz que a ...

Os acordos impossíveis

Francisco Sarsfield Cabral RR online 08 Abr, 2016 Estamos em campanha eleitoral permanente. É pena, mas é assim. Em campanha eleitoral não há entendimentos entre adversários. Seria desejável um acordo entre os principais partidos portugueses – PS e PSD, nomeadamente – sobre grandes questões de regime. O Presidente da República está empenhado nisso. Mas os obstáculos são enormes. O PSD apresentou várias propostas para recapitalizar as empresas. Logo os aliados de extrema-esquerda do Governo, PCP e BE, reagiram com grande indignação. E assim condicionaram o Governo de António Costa... Ou veja-se o caso da segurança social. No primeiro governo de Sócrates o ministro Vieira da Silva realizou uma reforma positiva nesta área. Só que passaram os anos e o envelhecimento da população portuguesa foi-se agravando, tornando necessária nova reforma. A qual seria certamente menos generosa nos seus benefícios do que a lei que hoje vigora, pois o dinheiro não é elástico. A reforma da segura...

O trunfo de Passos

Francisco Sarsfield Cabral RR, 04 Abr, 2016 Haverá políticos mais hábeis do que Passos Coelho, mas nenhum com a mesma força de carácter. Passos Coelho foi primeiro-ministro nos quatro anos mais difíceis da democracia portuguesa. Errou na campanha eleitoral de 2011 ao prometer coisas que não foi possível concretizar. Mas teve uma linha firme e coerente na chefia do executivo, o que lhe valeu o ódio de muita gente, convencida de que a austeridade era uma opção sádica de Passos e não a consequência das loucuras financeiras de Sócrates. É o que caracteriza um líder: não ser um catavento ao sabor das sondagens e das modas, nem ter medo de tomar medidas necessárias, embora impopulares. Passos Coelho mostrou sentido de Estado, sobretudo quando levou o instável Paulo Portas a desistir da sua “demissão irrevogável”; e quando negou a Ricardo Salgado a ajuda financeira que ele solicitava (e que provavelmente obteria de outro primeiro-ministro). Haverá políticos mais hábeis do que Pas...

Ideologia e ensino técnico

Francisco Sarsfield Cabral RR online 29 Mar, 2016 Em 1975, o ministro Rui Grácio acabou com os cursos técnicos ministrados nas escolas comerciais e industriais, argumentando que reforçavam a “dualidade dominante-dominado”. Cedo se percebeu que esta decisão ideológica prejudicava toda a gente.  O secretário de Estado da Educação, João Costa, quer extinguir os cursos vocacionais para o ensino básico, frequentados por 25 mil alunos. O governante acusa estes cursos, criados há quatro anos, de serem uma forma de “segregação precoce” entre os alunos que seguirão para o ensino superior e os que ficam por uma formação técnica. Em 1975, o ministro Rui Grácio acabou com os cursos técnicos ministrados nas escolas comerciais e industriais, argumentando que reforçavam a “dualidade dominante-dominado”. Cedo se percebeu que esta decisão ideológica prejudicava toda a gente, desde os alunos sem aptidões nem vontade para prosseguirem os estudos até às empresas que necessitavam de operários e...

Almeida Santos e a RR

Francisco Sarsfield Cabral RR 20 Jan, 2016 Vale a pena recordar a intervenção de Almeida Santos no final de 1975 para entregar a RR à sua legítima proprietária, a Igreja Católica, após a ocupação por elementos de extrema-esquerda. Ao longo dos 40 anos de democracia representativa em Portugal, o Dr. Almeida Santos teve um papel importante, embora muitas vezes pouco conhecido. Vale a pena recordar a intervenção de Almeida Santos, no final de 1975, para entregar a RR à sua legítima proprietária, a Igreja Católica, após a ocupação por elementos de extrema-esquerda. O episódio é relatado no volume I do livro do Eng. Fernando Magalhães Crespo "Os Meus 31 Anos na Rádio Renascença" (Ed. Principia). O Dr. Almeida Santos, então ministro da Comunicação Social, convocou o Conselho de Gerência da RR para uma reunião, quatro dias após o 25 de Novembro de 1975. Aí, o ministro comunicou a dois gestores da RR, o Eng. Magalhães Crespo e o Dr. Torgal Ferreira, a decisão do Governo de...

Uma bênção para Portugal

Francisco Sarsfield Cabral RR online 14 Dez, 2015 Talvez o quase meio século de ditadura nacionalista e conservadora, a que o 25 de Abril pôs fim, explique, pelo menos em parte, não ser Portugal terreno propício a populismos de direita Os resultados eleitorais da Frente Nacional em França ficaram aquém das expectativas de Marine Le Pen. Aliás, Tony Barber escreveu há dias no Financial Times que os partidos populistas na Europa atingiram já o tecto de crescimento. E há alguns deles em recuo. É o caso do UKIP, na Grã-Bretanha, e do partido germânico anti-euro Alternativa para a Alemanha. Em Espanha, o Podemos chegou a ter 28% nas sondagens, mas está em 16% depois da reviravolta do grego Syriza, cujo governo aceita agora um duro programa de austeridade. O artigo não fala de Portugal. Mas o nosso país distingue-se por não ter nenhum partido populista anti-UE e anti-imigrantes com peso eleitoral. Existe à direita o PNR ( Partido Nacional Renovador), mas sua implantação é escass...

Depois da reforma

Francisco Sarsfield Cabral RR 10 Dez, 2015 A velhice não deve significar o abandono de toda e qualquer tarefa e as empresas e os serviços públicos deveriam aproveitar a experiência de muitos reformados para várias tarefas. Os reformados portugueses cada vez mais passam os dias fechados em casa, a ver televisão. É uma das conclusões de um estudo da socióloga e directora da Pordata Maria João Valente Rosa, feito a partir de um inquérito e a pedido da Fundação Inatel. Para uma sociedade como a portuguesa, em crescente e rápido envelhecimento, não parece uma evolução saudável. Melhor seria que entre nós tivesse avançado o “envelhecimento activo”, implicando o exercício de actividades como voluntariado, trabalho a tempo parcial, etc. A velhice, hoje, não deve significar o abandono de toda e qualquer tarefa, até porque os meios informáticos e electrónicos facilitam o teletrabalho. As empresas e os serviços públicos deveriam aproveitar a experiência de muitos reformados e não a...

A prova real

Francisco Sarsfield Cabral RR 09 Nov, 2015 O que fará esse governo se a agência canadiana de rating colocar a nossa dívida pública no “lixo” (como fizeram as outras três grandes agências), dificultando o acesso aos mercados e o apoio do BCE? Ninguém sabe. O acordo da “maioria de esquerda” afinal são três acordos do PS com o PCP, os Verdes e o BE, o que não abona a sua consistência. O PCP e o BE não quiseram fazer parte do governo do PS - ficam de fora a condicioná-lo. E não convencem as explicações até agora dadas sobre como conciliar o alegado fim da austeridade com as regras do euro. O que fará esse governo se a agência canadiana de rating colocar a nossa dívida pública no “lixo” (como fizeram as outras três grandes agências), dificultando o acesso aos mercados e o apoio do BCE? Ninguém sabe. Não vale a pena esperar por mais retórica. O socialista Francisco Assis, opositor da “maioria de esquerda”, disse que o Presidente deve dar posse a um governo de A. Costa, porque as...

Falta coragem política

Francisco Sarsfield Cabral RR, 05 Nov, 2015 É manifesto que não se deve construir em leitos de cheia, como aconteceu em Albufeira. E não convém colocar betão - prédios - nas imediações de ribeiras, como também ali foi o caso. Joanaz de Melo lembrou ser isto que se ensina nas universidades. Nem sempre concordo com a opinião dos ambientalistas – às vezes parece-me exagerada, fundamentalista e dando maior importância a animais e plantas do que às pessoas. Mas na maioria dos casos os ambientalistas têm razão. Falando à Renascença, o Prof. João Joanaz de Melo atribuiu as inundações em Albufeira, não à falta de conhecimento, mas à falta de coragem e vontade políticas. De facto, é manifesto que não se deve construir em leitos de cheia, como aconteceu em Albufeira. E não convém colocar betão - prédios - nas imediações de ribeiras, como também ali foi o caso. Joanaz de Melo lembrou ser isto que se ensina nas universidades. Acrescento eu ter sido a ânsia do dinheiro que levou a tais...

O escândalo VW

Francisco Sarsfield Cabral RR online 24 Set, 2015 O mais grave deste escândalo é que, tudo indica, não se trata de um engano, de uma falha técnica. Como escreveu o Financial Times, ninguém instala um software tão inteligente como este por acidente. Houve intenção de enganar os clientes e os supervisores. As autoridades norte-americanas desencadearam um processo-crime contra a Volkswagen dos Estados Unidos. Além disso, a VW arrisca naquele país uma multa que poderá chegar aos 18 mil milhões de dólares (16 mil milhões de euros), É que, entre 2009 e 2015, a empresa - campeã mundial na venda de automóveis - vendeu naquele mercado 482 mil carros a gasóleo, equipados com um software que falseava os testes de poluição. Mas, segundo a própria VW, esse problema afecta pelo menos onze milhões de veículos do grupo (VW, Audi, Skoda, Porsche, etc.). A Coreia do Sul e vários países europeus, incluindo a Alemanha, já estão a investigar, até porque é na Europa que são vendidos três quartos ...

Sexo e mercado

Francisco Sarsfield Cabral   RR ONLINE 03-08-2015  Para alguns, não existem limites do mercado quando se trata de sexo e prostituição. A Doutrina Social da Igreja tem repetidamente assinalado que o mercado, sendo útil dentro de certos limites, não os deverá ultrapassar. A Amnistia Internacional quer debater a descriminalização da prostituição, reconhecendo-a como “direito humano”. A iniciativa foi contestada por estrelas de Hollywood, como Meryl Streep, Kate Winslet e Emma Thompson.  Tornar a prostituição uma profissão como qualquer outra é reivindicação recorrente, mesmo em Portugal. Aliás, na Alemanha e na Holanda os “trabalhadores do sexo” são equiparados aos outros trabalhadores – pagam impostos, têm segurança social, etc. E o negócio da pornografia está a ganhar estatuto de respeitabilidade.  Isto é defendido por muita gente que brama contra a mercantilização da vida. Para um marxista o mercado de trabalho no capitalismo, além de implicar a exploração...

As primeiras eleições

RR online 02-04-2015 6:54 por Francisco Sarsfield Cabral Temia que corressem mal, mas tiveram a maior afluência de sempre e praticamente não houve incidentes. Estávamos em 1975 e o sucesso muito se ficou a dever a um homem que a maioria dos portugueses desconhece. As trapalhadas na contagem de votos na Madeira recordaram-me as primeiras eleições nacionais em liberdade, há 40 anos, em 25 de Abril de 1975. Essas eleições escolheram os deputados que iriam redigir uma Constituição democrática, após a longa ditadura.  Na esquerda comunista, civil e militar, bem como na extrema-esquerda, essas eleições não eram desejadas. Compreende-se: tais forças arrogavam-se representar o povo português, mas a votação iria revelar que elas eram minoritárias.  O oficial de Marinha Luís Costa Correia, depois de no 11 de Março de 1975 ter mediado os militares em confronto, travando a guerra civil, na tumultuosa Assembleia do MFA que se lhe seguiu defendeu a realização de eleições, perante...

Sem base cristã não haveria ciência moderna

Em entrevista à Renascença, o vencedor do Prémio Pessoa, Henrique Leitão, explica porque é que a ciência moderna progrediu na Europa. 16-12-2014 23:28 Henrique Leitão, o vencedor do Prémio Pessoa 2014, é um físico teórico de formação, mas que a dada altura se virou para as humanidades para perceber melhor a História da Ciência. Mas é também um homem de fé e a inter-relação entre todos os seus saberes e todos os seus estudos permite-lhe dizer que foi o Cristianismo que forneceu a base para o desenvolvimento da ciência moderna.  "Se não houvesse uma base cristã nunca teria havido, propriamente, ciência moderna, porque se hesitava sobre aspectos que são absolutamente centrais para haver ciência", afirma Henrique Leitão, em entrevista ao programa "Terça à Noite" da  Renascença . O historiador explica: "Para se poder fazer ciência é preciso ter um conjunto muito específico de ideias sobre a natureza. Ora, sucede que o Cristianismo fornece, precisamente, e...

Entrevista a Henrique Leitão por Francisco Sarsfield Cabral

Imagem
Carregue aqui

Alexandre Soares dos Santos

RR online 19-06-2014 6:38 por  Francisco Sarsfield Cabral Foi com "perplexidade, tristeza e indignação" que li um texto de algumas dezenas de católicos protestando – com aquelas mesmas palavras – contra o prémio "Fé e Liberdade" atribuído ao patrão da Jerónimo Martins pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica. Admiro há muito o empresário Alexandre Soares dos Santos (ASS). Recordo que, quando correu mal ao grupo Jerónimo Martins a operação no Brasil (pondo em risco o seu futuro), com honestidade e transparência ASS apresentou aos trabalhadores um plano de recuperação da empresa, implicando sacrifícios temporários. O plano foi compreendido e aceite. Pouco tempo depois, ASS iniciava o extraordinário sucesso que tem sido a operação na Polónia.  Não há empresário português que leve mais a sério a sua responsabilidade social – não para efeitos de "imagem" ou para descansar a consciência, mas por imperativo ético. Inúmeros trabalh...

O essencial é a liberdade

RR online 24-04-2014 |  Francisco Sarsfield Cabral Há quem prefira viver numa ditadura, desde que beneficie de boas condições económicas, como acontecia antes de 1974 para uma minoria da população portuguesa. Convém recordar que, apesar das dificuldades da actual crise, a maioria dos portugueses vive hoje melhor do que há quarenta anos. Na televisão apareceu há dias um ucraniano de Leste lamentando o fim da União Soviética e recordando com saudade o tempo de Estaline. A reacção deste russófilo não é, infelizmente, tão rara quanto isso. Graça Franco já comentou, aqui, com escândalo e tristeza, o facto de, numa sondagem recente, apenas 1,2% dos inquiridos considerarem a liberdade de expressão uma conquista do 25 de Abril. Há quem prefira viver numa ditadura, desde que beneficie de boas condições económicas, como acontecia antes de 1974 para uma minoria da população portuguesa. Convém recordar que, apesar das dificuldades da actual crise, a maioria dos portugueses vive hoje...

Um Papa surpreendente

Francisco Sarsfield Cabral RR on-line 11-02-2013 15:36  Não me custa a acreditar que um profundo teólogo como Bento XVI sentisse crescente desconforto com a exigência de governar algo tão ingrato de gerir como a Cúria Romana.   Como toda a gente, ou quase, fui surpreendido pela notícia de que Bento XVI renuncia no fim deste mês. Ele próprio apresentou os seus motivos: falta de forças físicas para exercer cabalmente a função papal. Haverá, aliás já começou, muita especulação sobre outros eventuais motivos. Não me custa a acreditar que um profundo teólogo como Bento XVI sentisse crescente desconforto com a exigência de governar algo tão ingrato de gerir como a Cúria Romana. Mas este Papa surpreendeu-me logo que assumiu o cargo. Eu já tinha lido, e apreciado, um livro de J. Ratzinger dos anos 60. Depois perdi o contacto com os seus escritos. Contacto que retomei quando, por Ratzinger se ter tornado Papa, começaram a surgir nas livrarias portuguesas textos dele. A qual...

A extrema-esquerda e a fome

RR on-line 13-11-2012 8:57 por Francisco Sarsfield Cabral A “esquerda caviar” indignou-se com as palavras de Isabel Jonet, que também é presidente da Federação Europeia de Bancos Alimentares. Acusou-a de “brincar à caridadezinha”. Não será o que pensam aqueles que recebem uma ajuda alimentar de emergência. Foi instrutiva a maneira como certa esquerda – a do Bloco, nomeadamente – reagiu a palavras de Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar contra a Fome, de Lisboa, proferidas num canal de televisão há uma semana. Essas palavras deveriam ter sido menos susceptíveis de interpretações abusivas, mas no essencial exprimem o óbvio: os portugueses viveram colectivamente durante anos acima das suas possibilidades (daí, o endividamento das famílias e do país), pelo que têm que adoptar estilos de vida mais sóbrios. Aliás, já o estão a fazer. Pois a “esquerda caviar” indignou-se. Dar esmola a um pobre atrasa a revolução. E passou ao insulto, como é costume. Francisco Louçã classi...