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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2015

O génio de António Costa

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Inês Teotónio Pereira
ionline 2015.02.28


O líder do PS cometeu o erro de palmatória para quem aposta tudo no embrulho e nada no conteúdo: falou. Para chineses, é certo, mas falou
Ninguém sabe bem o que António Costa pensa sobre o país, a Europa, a Grécia, o ajustamento, a política social, a vida, enfim. Mas não é por isso que António Costa deixa de ser genial. Aliás, o génio de António Costa é mesmo esse: apostar tudo na imagem e nada no conteúdo. Ora, este génio socialista lembra um dos meus filhos. Este meu filho não estuda nada mas tem a imagem de bom aluno. Não fala muito mas como tem um sorriso encantador é considerado muito bem-educado. É muito reservado e por isso todos o respeitam. No entanto, a verdade é que o miúdo só quer sossego e tem um sorriso cativante. Ponto. Ou seja, a imagem dele não diz o essencial sobre ele e só lhe tem trazido vantagens. 

O meu filho, no entanto, tem um problema que António Costa não tem: o rapaz é escrutinado regularmente. Ou seja, por mais que ele…

O fim das ilusões

 observador 28/02/2015 
1.O assassínio de Boris Nemtsov em Moscovo, junto ao Kremlin, caiu como uma bomba nas capitais europeias. Não faltaram adjectivos para o classificar. Não é caso inédito na cena política russa. Mas acontece num contexto inédito das relações entre a Europa e a Rússia. Antes de Nemtsov, um dos poucos opositores frontais de Putin, o método foi usado para calar de vez outras vozes incómodas num estilo muito próprio do KGB durante a Guerra Fria. Anna Politkovskaia, a jornalista que dedicou a sua vida a denunciar os horrores das guerras na Tchetchénia, foi assassinada à porta de casa. Alexander Litvinenko foi morto em Londres por envenenamento de polónio, quando se preparava para denunciar os assassinos da jornalista. Outros opositores viveram anos na cadeia. Hoje, qualquer veleidade oposicionista é facilmente esmagada. As televisões privadas foram sendo silenciadas. O clima de "ameaça externa" para alimentar o nacionalismo dá ao Presidente russ…

A dívida cristã à Grécia

observador 28/2/2015 Se a herança judaica situa a mensagem cristã no contexto da história de um povo, o pensamento helénico prepara o espírito humano para a compreensão da doutrina de Cristo como verdadeiro conhecimento.
São quatro as razões da minha dívida para com a Grécia. Devo-lhe, em primeiro lugar, uma irmã gémea que, sendo Helena, é 'grega', como o seu nome indica. Em segundo lugar, devo a Aristóteles a sua dialéctica, tema da minha dissertação académica. Devo também, em terceiro lugar, à capital grega o ano em que lá vivi, com a minha família. Mas, sobretudo, enquanto cristão, devo muitíssimo à pátria da filosofia. Se o Cristianismo tem um antecedente histórico, qual é a tradição judaica, de que nasce e de que ele é, na perspectiva cristã, a plena realização, tem também um outro precedente, a que se deve a sua estruturação como verdadeiro saber: o pensamento filosófico grego. Cristo não surge do nada, nem a religião que nele tem o seu d…

Não, não... Ya, ya...

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Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão

Verdades e mentiras

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Ver ou não ver

 Público 27/02/2015 - 06:21
Os movimentos preliminares da III Guerra Mundial estão em curso: para o Ocidente ver – ou não ver. Com as nossas preocupações domésticas, não nos sobra o tempo para pensar em coisas muito mais sérias como o expansionismo da Rússia. Vem na Wikipédia, mas convém repetir, que a Rússia é uma federação de 22 repúblicas, 46 regiões autónomas (como a da Madeira) e nove territórios. Pior ainda, tem 160 etnias diferentes, 100 línguas diferentes, quatro grandes religiões diferentes (a ortodoxa, a islamita, a judaica e a budista) e uma enorme variedade de seitas, que constantemente varia e se multiplica. Tudo isto para uma população relativamente pequena de 140 milhões de habitantes. Qualquer pessoa de senso compreenderá que, segundo um velho hábito do século XVIII, chamamos Rússia a um Império que só pode ser governado autocraticamente e onde a democracia está para sempre condenada. O autocrata de hoje já não é o czar Nicolau II, nem Lenine, nem Est…

O admirável mundo das greves no metro

 Público 27/02/2015 - 06:40

A frequência com que os trabalhadores do sector dos transportes públicos fazem greves tem qualquer coisa de extraordinário. Basta uma breve visita à página de Internet da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) para chegarmos ao admirável mundo das greves. Por exemplo, na agenda desta semana da Fectrans, de segunda a sexta, em todos os dias estão marcadas greves na CP e na Carris ao trabalho extraordinário. Na terça-feira houve ainda a greve no metro de Lisboa e ontem estava agendada uma concentração de activistas do sector ferroviário e uma manifestação nacional de ferroviários. Para hoje estava prevista uma outra greve no metro de Lisboa que entretanto foi desmarcada. Só que, no mesmo dia em que o sindicato do Metropolitano desmarca a greve, agenda mais duas para 16 e 18 de Março. Convém sempre começar pela sacrossanta frase do "não está aqui em causa o direito à greve". Mas a verdade é que no sector…

«Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão»

Comentário de São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 
Homilias ao povo de Antioquia, XX, 5 e 6 
Eis o que te proclamo, o que te asseguro, o que te digo com voz tonitruante: Que quem tem inimigos não se aproxime da mesa sagrada nem receba o Corpo do Senhor! Que os que se aproximam não tenham inimigos! Tens algum inimigo? Não te aproximes! Se quiseres fazê-lo, vai primeiro reconciliar-te e depois receberás o sacramento.

Não sou eu que falo assim, é o Senhor quem o diz, Ele que foi crucificado por nós; Ele, para te reconciliar com seu Pai, não recusou ser imolado nem derramar o seu sangue; e tu, para te reconciliares com o teu irmão, nem queres dizer uma palavra e tomar a iniciativa de ir procurá-lo? Escuta o que diz o Senhor a propósito dos que fazem como tu: «Se fores, portanto, apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti…» Ele não diz: «Espera que ele venha procurar-t…

Companhia na solidão