Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: José Luís Nunes Martins

Um crucifixo não é decoração

Imagem
JOSÉ LUÍS NUNES MARTINS     09.05.2018        AGÊNCIA ECCLESIA   Há pouco tempo, na Alemanha, o primeiro-ministro da Baviera resolveu colocar crucifixos em todos os edifícios públicos da sua regiã o. Os bispos alemães logo se mostraram contra a medida, uma vez que se tratava de aproveitamento político, uma instrumentalização que, mais importante ainda, se tornou motivo de divisão, colocando as pessoas umas contra as outras. . No passado dia 10 de maio, em Nova Iorque, foi aberta ao público uma exposição no MET (Metropolitan Museum of Art) cujo título é “Corpos Celestiais: Moda e a Imaginação Católica”, que pretende conjugar a moda com a fé católica. A ideia inicial contou com o apoio do Vaticano, que cedeu mais de 40 peças. No entanto, na gala de inauguração, as indumentárias dos convidados fizeram perceber a todos que a fé católica, naquele contexto específico, é apenas um tema sobre o qual cada um pode fazer o que quiser, em nome d...

O bem e o mal não dependem das leis

Imagem
JOSÉ LUÍS NUNES MARTINS    AGÊNCIA ECCLESIA   20.04.2018 A sociedade atual tem uma perspetiva tão errada do que são os valores que se julga capaz de os determinar por via de leis. . O que separa o bem do mal não é o mesmo que separa o legal do ilegal. Os valores fundamentais são intemporais, fazem parte da nossa identidade enquanto seres humanos. Não são sujeitos a mudanças. Tentar alterá-los é tão perigoso quanto idiota.  . Hoje, muitos atentados contra a vida encontram suporte em leis, que os justificam e até prescrevem. . O aborto, por exemplo, é e será sempre algo condenável, no entanto, de acordo com as perspetivas atuais, chega a ser recomendável em muitos casos, sendo que, para tal, basta a mãe (ou será só mulher? Também pode ser homem que tenha mudado o cartão do cidadão!), não querer o filho (ou será apenas um conjunto insignificante de células?), para que o Estado (nós?) lhe realize essa sua vontade (mas não é involuntária a tal interrupção?). . Sã...

O desejo de poder é uma fraqueza

Imagem
JOSÉ LUIS NUNES MARTINS             rr.sapo.pt            06.10.17 Os homens revelam-se mais e melhor quando têm poder. O seu valor (ou a falta dele) é mais evidente quando não têm grandes constrangimentos exteriores. Se queremos conhecer o interior de alguém, basta dar atenção às suas decisões e às suas obras quando tem ao seu dispor muitas possibilidades. Ilustração: Carlos Ribeiro Os jogos de poder não são batalhas onde disputamos a verdade. Procura-se, de várias formas, alcançar uma posição de domínio de onde, quase sempre, julgamos ser capazes de definir a verdade. A verdade é só uma e não depende do que se diga dela. Alguns erguem torres com as quais querem chegar ao céu, mas em pouco tempo a sua própria ambição as faz cair de tão cegos que ficam. Porque o poder alimenta ainda mais o desejo de poder. Querem submeter o mundo, mas ao cederem às tentações tornam-se escravos dos seus apetites mais rastei...

A culpa é a dor do que não fomos

JOSÉ LUÍS NUNES MARTINS     RR.SAPO.PT   A culpa pisa e repisa. Calca e esmaga. Chicoteia, quase sem fim. Nunca mata, apenas quer prolongar o sofrimento.  A liberdade condena-nos à responsabilidade. Ser livre é decidir, mas é, ainda mais, ter de aprender a viver com todas as consequências das nossas escolhas. Boas e más. A culpa aparece quando nos damos conta de termos sido autores de um mal. Contudo, muitas vezes somos irresponsáveis… não só não assumimos as nossas faltas como as atribuímos a outros… alguns dos quais as aceitam sem compreender que carregam peso que não é seu. A falta nunca está no que sentimos, mas no que aceitamos sentir. A culpa também. O pior da culpa é o espaço e o tempo que abre ao medo. O culpado que tem disso consciência já está a cumprir parte da sua pena, um temor constante que o paralisa, impedindo-o das alegrias mais simples. A culpa redime-se, não pelo pesar nem pelo remorso, mas pelo arrependimento. Compromisso pelo...

O valor da pontualidade

José Luís Nunes Martins RR online 2016.06.18 Se há virtude que pode ser representativa do valor de alguém é a pontualidade.  Ser pontual começa no momento em que se define e assume, perante o outro e perante si mesmo, um compromisso que se há de cumprir, também por respeito, delicadeza e amor pelo outro. Não importa ser uma vez pontual, importa ser pontual sempre. Essa constância é que determina parte do valor de alguém. O verdadeiro poder de cada um de nós não é a capacidade de levantar grandes tempestades, mas sim o dom de criar e alimentar brisas suaves e constantes. Ser pontual é ser um ponto firme no meio de um terreno escorregadio. É ser mais livre do que os outros, porque se voa mais alto e, assim, se chega onde os demais apenas sonham chegar. Ser pontual é cumprir o dever de ser senhor de si mesmo. Ponto por ponto. É ser exato nas ideias, nobre nos sentimentos e, mais importante, atento e cuidadoso nas ações. Sem outro motivo se não o de ser fiel... a si mesmo...

A alegria é paz que transborda

Imagem
José Luís Nunes Martins, RR, 2016.06.10 A alegria é uma bondade que se quer partilhar. Depende da capacidade de cada um de nós se desprender do que nos impede de voar. Sim, a alma voa. Mesmo. Se não a aprisionarmos em preocupações inúteis que se devem ignorar ou esquecer, ainda que, por vezes, com bastante sacrifício. Só há alegria quando aprendemos a não nos entristecer com dores do passado, a seguirmos adiante apesar dos obstáculos do presente e quando temos mais fé do que ansiedade em relação ao futuro dos nossos sonhos... a alegria é sem tempo, está acima do tempo. É uma condição essencial do verdadeiro contentamento que se estejam a vencer as guerras. Interiores e exteriores. E vencer, por vezes, é apenas lutar... qualquer que seja o resultado. A alegria supõe uma paz de espírito. Sem paz, não há alegria. As pessoas que não invejam o que os outros possuem, e que vivem contentes com o que são, têm paz e, portanto, alegria. Ao contrário daquelas que, mesmo tendo muit...

Onde vive um coração puro

Imagem
José Luís Nunes Martins RR 2016.05.21 Estimada amiga, De que lhe serve ser sincera quando não tem nada de bom para dizer? Muitas pessoas confundem franqueza com verdade e permitem-se dizer os maiores disparates, julgando que qualquer coisa que digam sem intenção de mentir será verdadeira e valiosa... mas não é bem assim. Tente ter cuidado com o que diz. Mais ainda quando se zanga. A fúria é um animal selvagem que se lhe dermos espaço, em pouco tempo, acaba por usar as nossas forças para destruir tudo, sem distinguir entre o que é bom e o que não é. No fim, depois da explosão, fica apenas a raiva, o cansaço e o remorso que começa a nascer. Pouco depois, surge sempre a errada ideia de que, com um pedido sincero de desculpas, tudo voltará a ser como dantes. Quando tiver algo a dizer, diga-o, de forma breve, concreta e tão simples quanto possível. Quem nos ama saberá o que sentimos com uma simples troca de olhares. Quem não nos considera não passará a fazê-lo com base nas...

Sou o que amo

José Luís Nunes Martins RR 20160416 O que somos depende do que amamos. Só quem se dá aos outros se liberta do egoísmo. Ser é amar. Realizar-se na entrega de si ao outro. O que sou não se limita ao que penso que sou, tão-pouco ao que penso que os outros julgam de mim. É mais. Sou também aquilo que recebo quando me esqueço de mim e me abro ao outro, e aquilo que fica de mim nos outros, quando a eles me dou... Não sou apenas um aqui e agora. Sou também o que fui... e o que hei de ser. Sou o que quero concretizar da minha essência, as sementes que decido regar de entre as que existem em mim. A minha identidade faz-se dos muitos e pequenos passos que vou escolhendo dar... cada momento da vida é tão importante quanto insignificante. Sofremos, por vezes, golpes fundos. O tempo nem os apaga nem os cura. São partes de nós, todas elas boas, porque são parte de nós. As tempestades, muitas vezes, aproximam-nos de quem nos quer bem... As dores fazem-nos família. Quando amo, e sou a...

O mistério da morte e a bondade da tristeza

Imagem
José Luís Nunes Martins |  RR 20160319 A morte, a dor e o sofrimento têm um sentido. Ainda que não se consiga saber qual. A nossa incapacidade de compreender não significa ausência de significado. Se muitos lamentam não estar no mundo daqui a 100 anos, poucos se entristecem por não ter estado aqui há 100 anos. Quase ninguém se preocupa em saber em que mundo estava antes de estar neste… mas a dúvida sobre onde estaremos depois desta vida é fonte de grandes angústias. Todos os dias acordamos diferentes. O sono e os sonhos que separam um dia do outro podem ser a imagem do que separa esta vida da outra. Assim como há uma linha de continuidade entre a pessoa que adormeceu e aquela que acorda, também haverá consistência e coerência consciente entre aquele que morre e aquele depois deve renascer. Não com perda do que foi, nem memória do que fez… antes sim, a mesma pessoa, diferente apenas… melhor. É boa a profunda tristeza que acompanha a inevitabilidade da morte,...

Em que silêncio tens procurado?

José Luís Nunes Martins RR on-line 2016.02.20  Antes de dizer à vida o que queremos, importa escutar o nosso íntimo, para que, em silêncio, o coração e a razão nos indiquem o sentido que escolheriam para a nossa vida. Há o silêncio da coragem daquele que luta, mas está em paz... e o silêncio da derrota daquele que se cala, cultivando ódios e fermentando vinganças, a propósito de maldades que, tantas vezes, nem sequer existiram... Há o silêncio da contemplação e o do desprezo... Há o silêncio dos segredos e mistérios, e o silêncio onde tudo se descobre... Há o silêncio em que com alegria se espera, e aquele em que se desespera, numa angústia onde a ansiedade semeia pesadelos e dores… Há o silêncio da pureza que se guarda para o momento certo e o silêncio de quem, arrependido, empregou a sua pureza no tempo errado... Há o silêncio de quem se esforça, o de quem descansa, mas também o de quem finge... O silêncio é a luz das grandes obras. Só quando nos fazemos pequeno...

O AMOR É A MORTE DA MORTE

Imagem
José Luís Nunes Martins,  Facebook , 2016.01.23 ilustração de Carlos Ribeiro O que há depois da vida? Nada. A vida não tem depois.  A morte é temporária. Há um afastamento no tempo e no espaço... o amor permanece, mas talvez mais profundo do que em qualquer outro momento. Não faz sentido que algo possa separar o encontro de duas almas. Só o egoísmo pode matar de forma irreversível. Quem julga encontrar em si mesmo o porquê e o para quê da sua vida, tomando os outros como meros instrumentos da sua satisfação, abandona-se a si mesmo, quebrando todas as possibilidades de que o seu coração cumpra aquilo para que foi criado: amar.  Quem não ama perde-se, para sempre. Consome-se numa tal ânsia devoradora que só encontra fim no vazio. Que sentido pode ter esta vida sem uma verdade que ultrapasse os limites do tempo? Como posso eu justificar a minha existência? Sou um acaso? Onde estaria a consciência que lê estas linhas se esse acaso não tivesse acontecido? No...

A MORTE NÃO SEPARA

Imagem
José Luís Nunes Martins Facebook  21 de novembro de 2015 Ilustração de Carlos Ribeiro Ninguém pode viver a minha vida por mim. Ninguém pode dar os meus passos, ver o que vejo, sentir as mesmas emoções ou pensar ideias iguais às minhas... ser é fazer a diferença. A minha existência pode servir de modelo a outros, assim como posso tomar alguém como exemplo a seguir, mas não devemos deixar que o eu se perca, porque quando me confundir com outros perderei o meu maior valor: ser único. Amar não é anular ninguém, antes protegê-lo e promovê-lo, tal qual quer ser. O bem que é. Não sou o que tenho, não sou o que faço. Sou apenas a marca que deixo... o que decido querer, a cada passo.  Quando nos morre alguém, perde-se a sua referência palpável. É o fim de todas as possibilidades da relação, nos termos em que a conhecemos. Mas, mais do que os seus sapatos – que outro qualquer pode usar – ficam os seus passos, ao lado de quem precisava da sua força, todos os que deu por ...

A liberdade do silêncio

Imagem
José Luís Nunes Martins Facebook , 2015.10.24 Falamos de mais. Damos, tantas vezes, a nossa opinião mesmo quando ninguém a pediu, mesmo quando talvez ninguém se possa interessar por ela. Como se o silêncio fosse pior... na verdade, as nossas palavras prendem-nos. Por falarmos mais do que devemos, acabamos por nos tornarmos em quem não queríamos ser. Há quem pareça gostar tanto da sua voz que aproveita o tempo em que d evia escutar os outros para pensar no que lhes dizer depois... não escutam. Falam apenas. De mais. Como pode saber falar, quem não sabe calar? No silêncio há mais paz. Mais liberdade. Escutam-se melhor tudo o que está à nossa volta. O que dizem os outros e o que não dizem. Até se vê muito melhor. A praça pública é ruidosa e indiferente. Curiosa, quer saber muito, mas tudo esquece e bem depressa. Importa que sejamos capazes de guardar para nós e para quem nos pede as nossas palavras, até mesmo quando sejam as mais acertadas, devem apenas ser ditas se alguém ...

Semear na terra e no céu

Imagem
José Luís Nunes Martins Facebook | 17 de outubro de 2015 Ilustração de   Carlos Ribeiro   ( Inspirart ) Somos apenas uma ínfima parte de tudo. Colhemos o que não semeámos e devemos semear o que não colheremos. A vida é assim mesmo. Imensa, mas intensa. . Quem se julga o centro e senhor de tudo não passa de um tonto sem noção do que é a existência. Não é meu o que me chega de forma gratuita, porque só é meu o que eu for capaz de dar. As riquezas que damos são as únicas que para sempre teremos. . Este nosso tempo é breve. Muito breve. É importante e inteligente que se faça o que se tem a fazer, sem muitas demoras. Se é para se fazer, então que se faça logo. Afinal, não nos demoraremos aqui muito tempo. . Partilhamos o mundo uns com os outros. A maior parte das belezas são fugazes. A única beleza que importa é a bondade de fazer as coisas sem se fazer notar, que não se pode esconder, mas que faz o trabalho devido de forma simples, determinada, por vezes com muitas...

A CHAMA DA VIDA E O FOGO DAS PAIXÕES

Imagem
José Luís Nunes Martins   Facebook , 12 de setembro de 2015  Ilustração de Carlos Ribeiro Nem sempre estar apaixonado é bom. A maior parte das paixões tomam conta da vontade e assumem o controlo do sentir e do pensar. Prometem a maior das libertações, mas escravizam quem desiste de si mesmo e a elas se submete.  A paixão é sofrimento, um furor que é o oposto da paz e do contentamento. Um vazio fulminante capaz das maiores acrobacias para se satisfazer. Mas que, como nunca se sacia, acaba por se consumir, por se destruir a si mesmo. Para ter paz precisamos de fazer esta guerra, na conquista do mais exigente de todos os equilíbrios: entre a monotonia de nada arriscar e a imprudência de entregar tudo sem uma vontade própria profunda. É essencial que saibamos desafiarmo-nos, por vezes, a um profundo desequilíbrio momentâneo. Afinal, quem nunca ousa está perdido, para sempre.  Há boas paixões. São as que trabalham como um fermento. De forma pacata, pacífica...

AMAR É CRIAR PARA SI MESMO UMA PRISÃO

Imagem
José Luís Nunes Martins, Facebook , 2015.09.06 Cara amiga, Ninguém gosta de ver sofrer quem ama. Assim, não é de estranhar que lhe tenham dito que não gostam de a ver dessa forma. Quer estejamos alegres ou tristes, somos sempre uma e a mesma pessoa, apenas em momentos diferentes da vida. O amor consiste em querer o bem de quem se ama, pelo que ser capaz de admirar o seu contentamento é já algo muito bom por si mesmo. Pelo contrário, se amamos alguém que está triste, então sentimos o dever de fazer algo em relação a isso... Ora, é nesse exato ponto que se distinguem as verdades das aparências. Quando se trata de passar às obras, muitos amores aparentes esfumam-se... . Ao contrário do que muitos pensam, uma pessoa triste não é uma pessoa horrível. A tristeza faz parte da vida, de todas as vidas, talvez mais ainda daquelas que por todos os meios a tentam esconder. É um erro grave pensar que devemos, quando estamos mal, aparentar estar bem para não sobrecarregar quem gosta de nó...

PERDOE, AJUDE E ESQUEÇA!

José Luís Nunes Martins   Facebook , 8 de agosto de 2015  Caro amigo, É possível amar uma pessoa e detestar tudo o que nela é mau, cada um dos vícios que a estragam. Temos um monte de imperfeições. Mas mais do que quem nos aponte os erros, precisamos de quem nos ame e ensine a amar. De quem nos perdoe, nos ajude e esqueça o nosso mal. E até se esqueça que nos perdoou!  Calculo que lhe custe a ideia do esquecimento… A ferida só fica curada quando já não se vê rasto de cicatriz.  Mas, para alguns, perdoar não é esquecer. Perdoam na condição de deixar bem evidente no outro o sinal da imperfeição. Contabilizando para si mais um perdão.  Ora, o amor só se concebe de uma forma: ou é inteiro ou não é. O amor exige que quem ama não faça contas, entregue o seu coração, inteiro.  Ser justo com alguém que amamos também é duro para nós, pois tal implica apontar-lhe os erros que são da sua responsabilidade (não outros!) sem nunca o excluir, por um momen...