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Manoel de Oliveira - a verdade do paradoxo

Maria do Rosário Lupi Bello (Abril 2015) Faz sentido que Manoel de Oliveira – o maior cineasta português, que completou 106 anos e fazia filmes há mais de 80 – tenha morrido em Quinta-Feira santa. Porque este é um dia belo, intenso e perturbador, marcado por aquele indefinível sentimento que cruza a alegria da festa com a dor da despedida, anunciando que o sacrifício é a lei da vida e que o amor se cumpre plenamente na eternidade. Oliveira foi assim: positivo e “faminto de vida” (como afirmou a sua musa, Leonor Silveira), encarando a vida como festa irrecusável (em que a refeição, precisamente, ganhava simbólico lugar de destaque, como se vê em tantos dos seus filmes), ao mesmo tempo que enfrentava com irónica lucidez o drama da existência, assumindo com coragem e entrega a sua dimensão de “dúvida” (que é a outra face da fé, enquanto permanente e indispensável decisão pessoal) e também de “derrota” (“nasce-se contra vontade e não se é senhor do seu destino“, ou seja, depende-se). ...