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A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: Raquel Abecasis

Um acto quê?

RAQUEL ABECASSIS  RR  04.11.16 Que eu saiba ninguém deu mandato aos deputados para legislarem sobre eutanásia. O Bloco de Esquerda e o deputado José Manuel Pureza, sempre à frente do seu tempo, aproveitaram o debate orçamental para lançar o seu mais recente projecto lei, agora para a legalização do suicídio assistido e da eutanásia. Diz o deputado Pureza, com pura ingenuidade, ou puro desprezo pela classe médica, que estes actos agora propostos pelo BE devem ser despenalizados e considerados actos médicos. Sim, porque o deputado em causa, licenciado sabe-se lá em quê, acha que tem estatuto suficiente para alterar o código deontológico dessa classe menor e conservadora que são os médicos. Suponho que à expressão “GUARDAREI RESPEITO ABSOLUTO PELA VIDA HUMANA DESDE O INÍCIO, MESMO SOB AMEAÇA", contida no juramento de Hipócrates a que todos os médicos estão obrigados, o Bloco de Esquerda proponha um acrescento: “A NÃO SER QUE ISSO SEJA CONVENIENTE À AGENDA DE COSTUMES...

Entre o mau e o péssimo: é preciso discernir

RAQUEL ABECASSIS  REVISTA PASSOS  05.11.16 Discernir diante das eleições mais difíceis da história da América é a única boa forma de encontrar uma resposta sobre quem escolher no próximo dia 8. Apesar de não nos caber a nós fazer essa escolha, compete-nos fazer um juízo sobre estas eleições. As próximas eleições nos Estados Unidos colocam o povo americano talvez no maior dilema da sua história: entre uma Hillary Clinton defensora de uma cultura de morte, da ideologia de género, sem ideias, sem soluções e sem propostas ou um Donald Trump sem um mínimo de cultura democrática ou outra, totalmente desprovido de bom senso, e com pulsões perigosas em relação vários sectores da sociedade. Perante isto como escolher? O que escolher? Será melhor não escolher nada?  São perguntas de difícil resposta a que não se deve no entanto fugir, porque  em democracia a responsabilidade é sempre de todos. O que fazemos ou não fazemos é decisivo para o rumo ...

Subir a pulso ou viver de favores

Raquel Abecasis RR online 05 ago, 2016 Caso de Verão envolve três secretários de Estado, escolhidos a dedo pela Galp para serem presenteados com viagens a Paris para ver os jogos de Portugal. Portugal tem um problema de produtividade, é um dado adquirido em todos os relatórios internacionais que justifica a nossa débil economia. Os portugueses contestam esta conclusão apesar de não conseguirem explicar porque é que produzimos menos do que os nossos parceiros europeus. Há contudo uma explicação, que muitas vezes é avançada pelos sindicatos e que uma simples observação da realidade nacional permite comprovar. O problema português não está na força de trabalho, está nas lideranças e nas elites. Vem isto a propósito de um caso nada “silly” deste Verão que envolve três secretários de Estado, escolhidos a dedo pela Galp para serem presenteados com viagens a Paris para ver os jogos de Portugal. Os ditos não viram qualquer problema em aceitar o convite, nem sequer se perguntaram...

Parem para pensar

Raquel Abecasis RR online 19 jul, 2016 Será que é progresso e modernidade criar uma sociedade em que a felicidade de alguns é feita à custa da infelicidade de outros? Um grupo de cidadãos, tão dignos como os que com grande alarido entregaram na Assembleia da República, uma petição para legislar sobre a morte assistida/eutanásia, entregaram nas últimas horas no Parlamento uma petição com mais de 4.200 assinaturas para que os deputados discutam e votem a realização de um referendo sobre as barrigas de aluguer/maternidade de substituição. A ideia é obrigar a uma discussão pública sobre a matéria. Dirão alguns: lá vêm eles outra vez tentar impedir a liberdade e o progresso. São os chavões do costume para complexar quem tem complexos de defender uma sociedade com pés e cabeça. Mas vale a pena encarar de frente a questão da liberdade e do progresso. Que tipo de liberdade tem uma mulher que não pode arrepender-se a meio do caminho de uma decisão que envolve o seu corpo, o seu...

Antes o rabo do coelho que a bandeira do Daesh

Raquel Abecasis RR online 01 jul, 2016 Afinal, o que é que o país tem contra o rabo do senhor Coelho? Porque é que um rabo ao leu é pior do que a bandeira do Daesh? Na terça-feira à noite aterrei em Roma, depois de uma viagem de avião, em que, pela primeira vez na vida, me veio à cabeça por um instante que, nos dias que correm, viajar de avião pode significar arriscar a vida. Foi um pensamento que afastei de imediato, como quem põe para trás das costas uma angústia exagerada e ridícula. Nessa mesma noite, chegada ao hotel ligo a televisão e acompanho ao longo de horas o horror no aeroporto de Istambul. Afinal, aquele "flash" que tive ainda no aeroporto da Portela não era assim tão disparatado, a não ser para aqueles que acham que o facto de Portugal ser um país pacato e pequeno nos protege, coisa que no fundo todos achamos. Talvez seja por causa desta experiência recente que não posso deixar de me manifestar profundamente chocada com a indiferença com que, hoje...

Não é a economia, estúpidos

Raquel Abecasis RR online 23 jun, 2016 Os ingleses, como sempre na Europa, deram o passo inspirador. O referendo Inglês prova que temos andado a viver de pernas para o ar. Desde a célebre proclamação de Bill Clinton “it´s the economy stupid”, tudo passou a girar em função disso até que a mais inteligente invenção do mundo ocidental - a União Europeia - entrou em crise, não por causa da crise económica, mas porque os europeus não comem economia, não dormem com a economia, não vestem economia e não servem economia nos campos de refugiados. Se alguma coisa devemos aprender com os Ingleses que, não por acaso, são a mais antiga e “melhor” democracia do mundo, é que não há preço para a liberdade, nem uma civilização que custou sangue, suor e lágrimas durante séculos a construir se entrega de mão beijada em nome de uma qualquer recuperação económica. Os ingleses, como sempre na Europa, deram o passo inspirador para que os europeus, seja qual for o resultado do referendo, pensem...

Um homem é um homem. Um gato é um bicho

Raquel Abecasis RR 12 Mai, 2016 Contra a indiferença com que se põe e dispõe da vida no nosso país, realizam-se esta sexta e este sábado o congresso e a marcha em defesa da vida. “A vida humana é inviolável” é um princípio constitucional que, tal como os outros, devia estar acima de qualquer discussão ideológica ou política. Infelizmente, por cá, há os princípios constitucionais sagrados e os que não são e o princípio da inviolabilidade da vida humana cabe na categoria dos que podem ser relativizados. Tudo evidentemente pelos melhores motivos, em casos de extrema necessidade ou mesmo de compaixão. Acontece que, quando se cede no essencial, tudo passa a ser possível. Foi o que aconteceu no aborto, que começou por ser uma solução de último recurso para casos excepcionais e dramáticos e hoje é uma auto-estrada para o livre arbítrio da mulher grávida. Também agora no caso da eutanásia a questão é colocada de forma doce e suave, para aliviar situações de sofrimento insuportáv...

Esquecer o nome dos bois

Raquel Abecasis RR online 21 Abr, 2016 Chamar gestação de substituição às barrigas de aluguer faz parte de uma estratégia em que a semântica tem um papel determinante. O Parlamento está a tentar legislar sobre a gestação de substituição. Gestação de substituição? O que é isso? Não sabe? Eu explico: é aquilo que é vulgarmente conhecido por barrigas de aluguer. Mas então, pergunta-se: porquê dar um nome complicado a uma coisa que tem uma designação simples? Faz parte de uma estratégia em que a questão semântica tem um papel determinante, ao ponto de chegamos ao ridículo de ter um ministro a embarcar na proposta do Bloco de Esquerda de alterar a designação de Cartão de Cidadão para Cartão de Cidadania. É que as mulheres estavam ofendidas porque cidadão é masculino. É ridículo, mas não inocente, porque não há nada que melhor defina o que as coisas são do que a forma como falamos delas e a nova linguagem que nos está a ser imposta em nome de uma alegada conquista de dir...

Marcelo, o extrovertido

Raquel Abecasis RR online 11 Abr, 2016 A lua-de-mel política em que Marcelo vive não vai durar para sempre. Depois de dez anos de recato presidencial, temos agora um mês de híper-extroversão. Em menos de um mês, Marcelo Rebelo de Sousa foi a inúmeras cerimónias, comentou a maior parte dos temas da actualidade e tomou iniciativas importantes, como a de convidar Mario Draghi para o primeiro Conselho de Estado do seu consulado. Até agora, Marcelo fez tudo bem, a avaliar pela imprensa e pelos comentadores. No fundo, o Presidente levou para Belém a sua personalidade expansiva e explicativa a que os portugueses se habituaram. Foi sempre simpático com todos, mas foi pondo na ordem o líder do PSD, que lhe quis dar conselhos, e mostrou ao primeiro-ministro que iniciativas como a do último Conselho de Estado lhe dão o respaldo necessário para manter o primeiro-ministro na linha europeia, sem que para isso tenha que entrar em confrontos ou desavenças. No fundo, neste primeiro mês n...

Jesus ainda tem dois pais e nós também

Raquel Abecasis | RR 26 Fev, 2016 Quero louvar este gesto superlibertador do nosso sempre dinâmico Bloco de Esquerda. E dois pais chegam-nos muito bem, não é necessário arranjar mais meia dúzia, por mais que isso seja giro e moderno para os nossos mega-in do Bloco de Esquerda. Os ultramodernos e super-respeitadores de todas as liberdades descobriram agora que Jesus, como todos nós, temos um pai no céu e outro na terra, e já agora temos também uma mãezinha que também não é dispensável no processo da criação, apesar de isso ser naturalmente um desrespeito pelas liberdades e pelos direitos humanos. É por isso que quero louvar este gesto superlibertador do nosso sempre dinâmico Bloco de Esquerda que, com o seu giríssimo cartaz sobre os dois pais de Jesus, dá um passo de gigante na luta contra as leis da natureza. São leis opressoras, contra os direitos humanos, contra a liberdade individual de cada um e devem, portanto, ser combatidas sem preconceitos. Eu diria mesmo que est...

Isto não é uma guerra campal nem um jogo de computador

Raquel Abecasis, RR-online 08 Fev, 2016 Está ainda o país abananado com decisões parlamentares e já outro tema quente entra na agenda. A eutanásia. O país político, bastante diferente do país real, gosta de se entreter a rotular a sociedade em duas facções: os liberais modernos e os conservadores retrógrados. Em função desta falsa divisão, arrasta-se o país para decisões que alteram toda a estrutura de uma sociedade, sem que ela tenha sequer tempo para pensar nos prós e contras de tais alterações nem tão pouco procurar informar-se com estudos e outras experiências que possam servir de suporte a uma tomada de posição consciente. A reversão de ajustes à lei da interrupção voluntária da gravidez, votados há poucos meses por uma maioria parlamentar em resposta a uma iniciativa legislativa de cidadãos que reuniu 48 mil assinaturas, demonstra bem o respeito que alguns políticos têm pelas escolhas democráticas que não são conformes às suas opiniões. É a lógica do ir a votos até d...

Sete notas e uma conclusão das presidenciais mais enfadonhas de sempre

Raquel Abecasis RR on-line 24 Jan, 2016  1 - Marcelo Rebelo de Sousa ganhou. Outra coisa nunca foi de esperar, tentou passar o mais discretamente possível pela campanha eleitoral, fez-se humilde e debateu com todos encenando a farsa do igual para igual, esteve à vontade na rua e igual a si próprio, preferiu não dizer nada a dizer alguma coisa que o prejudicasse e, finalmente, para quem não está habituado ao confronto, encaixou todos os ataques que lhe fizeram com grande fair-play. O candidato, seguiu á risca os conselhos do comentador, fez tudo de acordo com as regras e alcançou o objectivo: ganhar à primeira volta e de forma muito mais folgada do que a primeira eleição de Cavaco em 2006 (50,54%). 2 - Maria de Belém provou o cálice amargo que bebe quem contraria o líder. É certo que a campanha foi fraquíssima, mas grande parte disso explica-se com o que aconteceu nos bastidores. As queixas de batota do PS em relação a estas presidenciais não aconteceram por acaso e vieram d...

Uma entrevista que não se devia ter feito

Raquel Abecasis RR 15 Dez, 2015 É uma entrevista em que Sócrates cumpre a compreensível e legítima missão de se defender. Foi-lhe dada essa oportunidade e Sócrates não a desperdiçou. O arguido José Sócrates deu uma longa entrevista em dois capítulos, dois dias seguidos em horário nobre na televisão para se justificar, depois de dez meses em prisão preventiva e quando ainda está a decorrer uma investigação onde é suspeito dos crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. É uma entrevista em que Sócrates cumpre a compreensível e legítima missão de se defender. Foi-lhe dada essa oportunidade e Sócrates não a desperdiçou. O que é lamentável é a posição do entrevistador e do meio de comunicação que decidiu entrevistar um homem, a meio de um processo, sem conhecimento do mesmo, logo sem meios nem instrumentos para fazer o contraditório. Resultado: foi como se estivéssemos a assistir a um julgamento em que só o advogado de defesa teve direito a fal...

Gastar o tempo

Raquel Abecasis RR online 13 Nov, 2015 O país, que vive de olhos postos no Estado, vai andando à espera de perceber o que é que isto dá. O país está interrompido desde Julho, primeiro porque era férias, depois porque era campanha, depois porque foi eleições, depois porque foram os tempos da Constituição, depois porque foi o tempo de preparar programas e coligações alternativas, agora porque é o tempo do Presidente. Não é por acaso que uma das ladainhas mais famosas em Portugal reza assim: “O tempo pergunta ao tempo quanto tempo o tempo tem, o tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.” Todo este tempo apenas nos serve para perder tempo, porque o tempo que está a passar não serve para mais nada a não ser para ser gasto. Já toda a gente sabe que mais tarde ou mais cedo a solução política para o país está acertada, aliás, já estava antes de estar, porque os partidos já o tinham decidido e agora dizem que o acordo é mínimo porque não havi...

Os presidentes que podem e os que não podem

Raquel Abecasis RR online 30 Out, 2015 Ao actual Presidente não são permitidas opiniões, deve ser o escrivão do regime, abster-se de opiniões pessoais e compreender que a esquerda é quem mais ordena e, se por acaso não concorda, cale-se! Em Portugal, há dois tipos de Presidentes, aliás, há dois tipos de políticos: os que estão autorizados a ter opinião e os que não estão. É uma concepção de democracia enviesada pelos traumas da ditadura e que leva a que só a esquerda possa dizer tudo o que lhe passa pela cabeça sem que o “status quo” nacional se sinta ofendido. Em Portugal, houve um Presidente da Republica que se recusou a dar posse a um governo com apoio maioritário no Parlamento, porque, apesar de se tratar do seu partido, o Presidente entendeu que quem tinha que tomar posse era o partido que tinha ganho as eleições com maioria relativa. Foi Mário Soares, que rejeitou uma aliança maioritária PRD/PS em favor de uma maioria relativa do PSD de Cavaco Silva. Em Portugal, hou...

Debates e consensos

Raquel Abecasis RR online 05-08-2015 Na véspera das eleições de 4 de Outubro conseguiu-se o que normalmente é impossível em Portugal: mudou-se a lei e houve consenso para realizar debates imprescindíveis ao esclarecimento do eleitorado. Depois de vários actos eleitorais sem debates, por causa das interpretações de uma lei de cobertura de campanhas que estava completamente obsoleta e que inviabilizava a qualquer meio de comunicação social cumprir todos os requisitos sem perder toda a sua clientela, na véspera das eleições de 4 de Outubro conseguiu-se o que normalmente é impossível em Portugal: mudou-se a lei e houve consenso para realizar debates imprescindíveis ao esclarecimento do eleitorado. Talvez seja um bom presságio para o que aí vem. Afinal são possíveis entendimentos em benefício do país. A Renascença orgulha-se de fazer parte desta história. No mês de Maio fez o desafio às nossas rádios concorrentes, para que nos juntássemos no desafio de trazer o debate à rádio. O ...

Uma Europa que já não se envergonha com os muros

Raquel Abecasis | RR online 14-07-2015 Ouvimos os líderes europeus indignados? Não. Alguma directiva europeia proibiu esta enormidade? Não. 13 de Julho, dia em que a Europa e o mundo respiraram de alívio porque afinal o “Grexit” foi substituído por um acordo, duro para os gregos, mas que permite manter a coesão da zona euro. No mesmo dia, um pouco mais a leste, a Hungria cumpria a promessa e começou a construir um muro com quatro metros de altura, ao longo de 175 quilómetros de fronteira com a Sérvia. Ouvimos os líderes europeus indignados? Não. Alguma directiva europeia proibiu esta enormidade? Não. Alguém pressionou o senhor Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria nos conselhos europeus em que tem estado presente? Não. As perguntas podiam continuar e seriam muitas a demonstrar o estado de apatia e sonambulismo em que caminhamos para a “desconstrução” europeia. Uma Europa que vive obcecada com a economia e que despreza a democracia e a liberdade está condenada ao...

"Bora" aí brincar à crise grega?

Raquel Abecasis   03-07-2015 16:47 RR online  Os políticos portugueses, todos os políticos, voltam a demonstrar que acham que isto da Grécia é uma brincadeira bem boa para jogar em tempo de campanha eleitoral. Portugal é um país de brandos costumes e, portanto, pouco dado a cenários dramáticos que nos possam afectar seriamente. Foi por isso que achámos que podíamos escapar a um resgate, em 2011, se nos fizéssemos de portugueses e, principalmente, se mostrássemos que entre nós e a Grécia não havia qualquer relação ou semelhança. Agora, os políticos portugueses, todos os políticos, voltam a demonstrar que acham que isto da Grécia é uma brincadeira bem boa para jogar em tempo de campanha eleitoral. Durão Barroso diz que se não fosse Passos Coelho, nós também éramos como a Grécia. Passos Coelho já nos tinha dito que, se não tivesse sido Durão Barroso, nós também éramos como a Grécia. António Costa diz que nós temos é inveja dos gregos. Os outros partidos à esquerda e ...

“Que se lixem as eleições”, uma estratégia vencedora

Raquel Abecasis RR online 04-06-2015 13:19 Na política, como no futebol, quando se entra no campo pouco interessa o espectáculo, interessa só ganhar. Meses depois, Passos Coelho volta ao mesmo lema: Programa? Propostas? Não, eu dou garantias! Os portugueses conhecem-me e sabem que não me desvio do rumo e foi assim que consegui tirar Portugal da bancarrota.  Esta é a estratégia. É pouco dirão alguns, é um vazio, dirão outros. Mas na política, como no futebol, quando se entra no campo pouco interessa o espectáculo, interessa só ganhar. Passos Coelho, mais do que Portas, sabe que este é o seu principal trunfo eleitoral.  Os portugueses gostam de um homem que não muda de rumo, de um homem que não se deixa afectar pelas críticas e sobretudo de um homem que foi capaz de pôr o seu parceiro no bolso, apesar de Portas ser considerado o grande génio da política portuguesa e Passos Coelho o líder com pouca sabedoria política.  Cavaco não é um político, lembram-se? E n...

Não podemos ignorar

RR online 21-05-2015 16:24 por Raquel Abecasis Ficamos todos a saber que os socialistas pretendem alterar profundamente a estrutura da nossa sociedade. Assim, quando e se isso acontecer, ninguém se pode queixar de estar a ser enganado. Na hora de analisar o programa do PS, há algumas notas positivas, ou nem tanto, que devem ser tidas em conta:  É uma boa proposta a de impor uma maioria de dois terços para a aprovação de grandes obras públicas e a criação também de um Conselho Superior de Obras Publicas. Espera-se que esse Conselho seja, de facto, independente e com poderes efectivos. No detalhe, como todos sabemos, está muitas vezes o diabo. Esta é uma medida a pôr em prática logo nos primeiros dias de governo, caso contrário é duvidoso que o venha a ser, dados os inúmeros e poderosos interesses que sairão prejudicados.  É também um bom sinal que o PS volte à carga com a ideia da reforma do sistema eleitoral, embora aqui tenha ainda mais dúvidas de que seja desta. A ...