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Mais uma volta

Joana Petiz DN 20160507 Limitar o apoio aos colégios privados, concentrar recursos na escola pública. A ordem, apoiada pelo primeiro-ministro, foi dada na 5 de Outubro, onde Tiago Brandão Rodrigues se instalou a desfazer a malha de tudo quanto foi decidido por quem o precedeu. E onde continua a não revelar ou sequer dar pistas sobre o que pensa fazer com o novelo. Esta é só mais uma volta ao fio. Não importam os contratos assinados, esqueça-se professores e funcionários que podem ficar sem chão - estes não merecem a preocupação dos sindicatos? -, traga-se a miudagem toda para o ensino público. E se daqui a um par de anos não houver lugar para todos nas escolas do Estado, logo se vê o que se faz aos garotos que não cabem na sala e que os colégios deixaram de aceitar. Não, não faz sentido pagar a um colégio para receber alunos que têm lugar na escola pública. Mas esse problema já tinha sido diagnosticado e estava a ser resolvido de forma faseada, para garantir que se mantinha uma ...

Incompatível

Joana Petiz DN 2016.04.03 Se as regras que o PS quer fazer passar já estivessem em vigor, talvez mais de um quarto dos deputados não estivessem sentados na Assembleia. Ninguém os expulsaria, claro, mas, perante a escolha entre a carreira - e a remuneração - como advogados com negócios ligados ao setor financeiro ou segurador e o lugar no Parlamento, muitos não hesitariam em escolher pelo seguro. O PS não quer os deputados a trabalhar em instituições financeiras e quer fazer depender da aprovação da Assembleia da República a possibilidade de um ex-governante voltar ao privado antes de fazer três anos de ter saído do executivo. Há anos que ouvimos que há demasiados políticos de carreira sentados na Assembleia e que isso não ajuda o país. Batemo-nos pela importância de captar pessoas de valor para assumirem cargos de relevo no governo e na sociedade. Este tipo de regras só vai afastá-los ainda mais dos lugares onde podem fazer a diferença. Isto ultrapassa as regras da transparência...

Já se pedem cabeças

Joana Petiz DN 20160304 Havia um plano que tinha tudo para correr bem. A ideia não era mexer no que ali havia de bom, mas sim desenhar um roteiro que ligasse os pontos altos da zona, criasse uma lógica comum capaz de atrair e fazer ficar mais tempo quem por ali passasse, poupasse custos e tornasse a área mais jovem e atraente. A ideia correu realmente bem: em oito anos, o número de visitas triplicou e as receitas passaram de dois para 17,6 milhões de euros. Foi de tal maneira positivo que o trabalho deu nas vistas e o seu principal impulsionador foi convidado a copiar aquele modelo noutras paragens. E assim, no eixo Belém-Ajuda, riquíssimo em monumentos, museus e outros locais de interesse, iria nascer um polo cultural tão conhecido e oleado como aquele que fora feito, bem feito, nos Parques de Sintra - Monte da Lua. O problema - há sempre um, quando tudo parece correr bem - foi que alguém se lembrou de repente de que aquilo "era um disparate total". E arrancou a vál...

Os melhores

Joana Petiz DN 20160107 Um mês e meio chegou para fazer tábua rasa de tudo o que mudou na educação nos últimos quatro anos. E no fim só há de sobrar o Inglês - que com jeitinho ainda pode ser alterado para começar mais cedo, por exemplo logo no jardim infantil. Não era mal pensado formar miúdos bilingues. E se alguém, enquanto bebe um chazinho, se lembra de como isso podia ser uma vantagem competitiva, fazer-nos subir num ranking qualquer, pode tornar-se realidade um ano destes. A manter-se a lógica que tem sido aplicada, basta um espirro e muda tudo. Sem pensar, sem estudar estratégias ou estabelecer objetivos, sem dar tempo sequer para permitir avaliar os efeitos do que se faz. E sem dar cavaco a ninguém - umas palavrinhas sobre os objetivos das mudanças a que os miúdos são sujeitos sempre que um novo ministro entra em funções talvez nos descansassem um bocadinho. Todas as reformas que nasceram e desapareceram sem deixar rasto, todos os exames impostos às crianças e eliminados...

Financial Times: A recuperação silenciosa de Portugal

Joana Petiz DN 28 agosto 2012 "Entre os países resgatados pela troika, a Irlanda tem ficado com todos os aplausos e a Grécia com todas as vaias. Portugal, porém, tem evitado as manchetes desde que se tornou o terceiro país europeu a ser forçado a pedir um resgate de 78 mil milhões de euros. Ainda assim, durante o último ano surgiram algumas razões para um otimismo cauteloso. Embora a austeridade crescente mantenha a economia numa dolorosa recessão, a troika tem louvado os esforços e o progresso conseguido no país." É assim que o Financial Times começa uma análise à atual situação portuguesa, elogiando os esforços empreendidos que, segundo a publicação, até recuperaram "um certo nível de confiança para Portugal, onde o governo continua a desfrutar de apoio suficiente para avançar com um programa de ajustamento muito duro". O FT cita ainda o economista da Comissão Europeia Peter Weiss , depois da terceira avaliação da troika, em abril: "O governo não pod...