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Ensaio: A Rainha das Liberdades

Gonçalo Almeida Ribeiro   observador 14/1/2015 A liberdade de expressão não é apenas mais uma liberdade. É a rainha das liberdades. Batermo-nos por ela, em vez de procurarmos os seus limites, é o índice mais seguro da qualidade da cultura política Não será muito polémica a afirmação de que a liberdade de acção é um valor. Se o meu comportamento não causar prejuízo a ninguém, é um bem que eu possua a liberdade de o praticar. É certo que se coloca a questão de saber se não devem ser proíbidos alguns comportamentos prejudiciais ao próprio autor ou se não devem ser impostos outros que lhe são favoráveis e que este não praticará de modo espontâneo. Mas a restrição da liberdade em razão do melhor interesse do agente é uma medida excepcional, reservada a determinadas categorias de pessoas que se entende serem incapazes de agir sistematicamente no seu melhor interesse, como os menores ou os loucos, ou a determinados tipos de comportamento que se entende traduzirem in...

O mito do gradualismo britânico

Gonçalo Almeida Ribeiro observador | 3/1/2015, 3:18 A Magna Carta não integra a história da liberdade moderna porque esta em nada se aproxima da ideia de conservação dos privilégios tradicionais. Pelo contrário, implicou o repúdio da ordem antiga. Miguel Morgado assinalou, através de um artigo no Observador , os 800 anos da Magna Carta de 1215. Com a eloquência e a erudição habituais, o autor reitera a tese, acolhida por numerosos historiadores, politólogos e constitucionalistas, segundo a qual a Magna Carta encerra o primeiro vestígio do constitucionalismo, o ponto alfa do governo representativo e da liberdade moderna. A tese associa-se naturalmente a uma narrativa de excepcionalidade cultural, aflorada pelo Miguel, segundo a qual há duas grandes tradições da liberdade moderna, uma com sede insular, a do génio gradualista britânico, e outra com sede continental, a do espírito revolucionário encarnado na guilhotina francesa. Esta concepção amplamente difundida da ...

Súmula Liberal

Gonçalo Almeida Ribeiro 22/12/2014 Não é importante Carlos Abreu Amorim, que não tem o menor peso intelectual ou político, mas sim o que diz. Porque dá uma oportunidade de ouro para desfazer vários equívocos comuns na cultura pública Em entrevista concedida ao Público, Carlos Abreu Amorim (CAA) decidiu "revelar" que já não é um liberal, porque terá descoberto, entre a crise financeira e o caso BES, que há uma contradição insanável entre a "natureza humana" e o "liberalismo económico". "O agente económico", diz o entrevistado, "deve ter [sic] regras fortes e devem existir instituições que forcem [sic] a sua aplicação". Apesar da suposta gravidade do momento, enfatizada pelas parangonas de um diário destacado, a "revelação" de CAA é completamente irrelevante. O autor não tem o menor peso intelectual ou político. Não é propriamente o mesmo do que Raúl Castro renunciar ao comunismo, Richard Dawkins admitir a...