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Uma pessoa madura

Pe. RODRIGO LYNCE DE FARIA    19.03.2017 Com o passar do tempo, todas as pessoas envelhecem. Mas, se repararmos bem, nem todas amadurecem. Parece que, ao contrário do que acontece com o bom vinho, o tempo não nos melhora automaticamente. Não nos amadurece. Precisamos de um outro “ingrediente”. Mas, afinal, que elixir misterioso é esse? Talvez seja a pergunta pelo sentido da vida. Para alguém viver de um modo realmente humano não basta que deixe o tempo passar. É preciso que procure o sentido da sua única e irrepetível existência. Não demos a vida a nós próprios — mesmo que muitas vezes actuemos como se isto fosse assim. A vida é um verdadeiro “empréstimo” que nos foi feito e do qual Alguém um dia nos pedirá contas. Atenção ao pormenor: esse Alguém não existe porque nós O criámos. Foi Ele que nos criou. Ainda por cima, sem nos perguntar!  Estamos chamados a entender a vida como uma missão que nos foi confiada. E também estamos chamados, a partir do núcleo ma...

Como uma creche dentro de um lar mudou a vida de todos

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http://www.revistapazes.com “Idosos são crianças grandes que não perdem a inocência e ainda ganham com a experiência”. O que crianças podem oferecer aos idosos? Uma casa de repouso em Seattle, nos Estados Unidos, a Providence Mount St. Vincent, quis saber como seria a integração dos dois extremos da vida. E parece que o programa “The Intergenerational Learning Center” (ILC), Centro de Aprendizagem Intergeracional, em tradução livre, está dando muito certo. A creche, que recebe crianças com idade entre seis semanas até a pré-escola com cinco anos, fica no mesmo prédio da casa de repouso que conta com 400 idosos. O convívio entre eles é de emocionar-se. As atividades dos pequenos são feitas em conjunto com os idosos supervisionados pelos professores. O programa, além de ensinar as crianças sobre o envelhecimento, quer criar uma sensibilidade em como conviver com pessoas com deficiências ou movimentos limitados. No outro lado da história estão os idosos que tam...

Sabedoria e velhice

POVO  7.7.16  A tragédia da vida é que ficamos velhos cedo demais e sábios, tarde demais  Benjamin Franklin

Quero continuar a ser filha dos meus pais

Laurinda Alves Observador 29/3/2016 Os filhos que cuidam dos pais por amor são verdadeiros salva-vidas. Salvam da solidão, da exclusão, do abandono, do esquecimento, da indigência moral e emocional em que vivem muitos velhos. A partir dos quarenta e muitos, cinquenta e poucos, todos começamos a sentir que os papéis se invertem nas famílias e caímos na conta de que mais ano, menos ano, seremos convocados a cuidar dos nossos pais. Confrontados com doenças crónicas, ou chamados de emergência depois de acidentes cardiovasculares cerebrais, quedas e até atropelamentos provocados por distração, falta de audição ou visão, damos connosco atordoados e aflitos, sem saber o que pensar. Pior, sem sabermos o que fazer. Como agir, a quem recorrer, como ajudar? O ‘como’ é a grande questão que atravessa as nossas vidas. Saber como, é, porventura, mais importante do que saber o quê e porquê. Muitas vezes nem chegamos a perceber os ‘porquês’ do que nos acontece, mas nunca poderemos evitar os ...

Fábulas de velhice

João César das Neves DN 2015.12.30 O que têm Han Solo, Marine Le Pen e António Costa em comum? Uma das questões mais decisivas da humanidade: envelhecimento. O fim do ano é boa altura para falar de idade, pois lembra que a velhice tem pouco que ver com evolução cronológica. Há quem envelheça na adolescência e quem se mantenha sempre jovem. Algo ou alguém só fica velho quando se fecha em si, quando deixa de frutificar, caindo na nostalgia, na repetição e na auto-referência. Uma floresta renasce todos os anos enquanto empresas viçosas caem subitamente na decadência. A saga Star Wars é uma fábula na arte de rejuvenescer. O filme de 1977 representou espantosas novidades na ficção científica, então decadente. Nova estética, novas ideias, enredo original. Mais notável, as continuações de 1980 e 1983 acrescentaram elementos inspirados e inesperados ao quadro inicial. Nasceu um marco na história do cinema que, embora datado numa arte que evolui rapidamente, ainda é visto com agrado. ...

Depois da reforma

Francisco Sarsfield Cabral RR 10 Dez, 2015 A velhice não deve significar o abandono de toda e qualquer tarefa e as empresas e os serviços públicos deveriam aproveitar a experiência de muitos reformados para várias tarefas. Os reformados portugueses cada vez mais passam os dias fechados em casa, a ver televisão. É uma das conclusões de um estudo da socióloga e directora da Pordata Maria João Valente Rosa, feito a partir de um inquérito e a pedido da Fundação Inatel. Para uma sociedade como a portuguesa, em crescente e rápido envelhecimento, não parece uma evolução saudável. Melhor seria que entre nós tivesse avançado o “envelhecimento activo”, implicando o exercício de actividades como voluntariado, trabalho a tempo parcial, etc. A velhice, hoje, não deve significar o abandono de toda e qualquer tarefa, até porque os meios informáticos e electrónicos facilitam o teletrabalho. As empresas e os serviços públicos deveriam aproveitar a experiência de muitos reformados e não a...

Vida longa sem futuro

JOÃO CÉSAR DAS NEVES DN 2015.07.15 O mundo está a mudar muito e depressa. Isto todos dizem; mas as mutações mais influentes são aquelas de que poucos falam. É corrente admirar-nos com as transformações causadas pelos telemóveis ou redes sociais, mas as maiores alterações da vida são na vida. Um dos elementos mais influentes da actualidade é o espantoso aumento da longevidade. Em média vamos todos viver muito mais do que os nossos pais. A esperança de vida ao nascer, que era de 38 anos em 1920 e de 64 em 1960, está já nos 80 anos e a previsão do INE é que seja 90 anos por volta de 2060. Isto é suficiente para transformar totalmente a existência. A causa directa são os avanços na saúde. Quando há poucos anos se começou a morrer mais de doenças crónicas do que infecciosas, tal significou que nos conseguimos defender de agressões externas, expirando só quando o corpo atinge os seus limites. Este efeito é muito mais influente na vida das pessoas do que qualquer impacto económico,...

Importância de ser avô

PEDRO SANTANA LOPES | Correio da manhã, 24.04.2015 00:30 Sou avô há quatro anos. E dando muitas graças a Deus por o meu filho ter sido pai, sabe quem me conhece que me custou a habituar à ideia de ser já avô. Ironizando com a situação, disse, durante algum tempo, que era "pai de pai" e, falando do meu neto, dizia, quase sempre, o "filho do meu filho". Naturalmente, adorando o Sebastião, desde que ele nasceu. Mas, sempre gostei mais da designação dos franceses, dos ingleses ou dos alemães, que tratam por "grand-père", "greatfather" ou "großvater". O "abuelo" de Espanha ou o "avô" de Portugal sempre me pareceram mais ligados à figura do Pai Natal, com barbas brancas. Mas "grande pai" em português, não sei porquê, não dá assim muito jeito. Um dia, há cerca de um ano, numa das vezes em que o Sebastião teve de ser internado, comecei a dizer, quando fui ao hospital, que ia ver o meu "neto". Ele, en...

Crónica ocasional: os horríveis velhos

Paulo de Almeida Sande   observador 13/3/2015 Hoje desci a avenida, atravessei ruas pelos semáforos e reparei nos outros eus em desfile por aí. São feios, reparei, encarquilhados e gastos. Homens e mulheres de cabelo ralo e olhos espetados. Andava há tanto tempo à tua procura que o tempo quase se me esgotava. Um longo período em busca de uma razão para permanecer, com quase tudo acabado e débeis reminiscências de bom tempo. Buscava e não te encontrava. Sentia saudades; persisti. Veem-me e o que veem? Um trapo humano, um rosto ressequido de pergaminho, sulcos cravados a ferro de tempo, tempo passado. O que hoje sou: tempo passado. Veem-me e (tenho espelhos em casa) veem um boneco de trapos que se move. Um boneco de cera a derreter. Mãos lisas e perfeitas tocam as minhas e sulcam veias azuladas salientes, quase negras de escuro sangue, contemplam com desgosto e algum desdém as manchas traçadas pelo negrume da noite anunciada das minhas mãos imprestáveis e o...

Envelhecer

VASCO PULIDO VALENTE  Público  08/02/2015 Precisava de um livro para explicar o que me irrita neste país novo da crise e da miséria. Crescentemente, quando vejo televisão (sobretudo os noticiários), este Portugal onde nasci e, mal ou bem, vivi setenta anos, me parece um sítio desconhecido e hostil, em que não posso continuar. Os velhos são assim e já Chateaubriand dizia: é muito duro envelhecer, mesmo se o mundo à nossa volta não muda ou muda pouco, mas muito mais duro é envelhecer num mundo que mudou. Precisava de um livro para explicar o que me irrita neste país novo da crise e da miséria e, como não tenho força e paciência para começar um livro, resolvi ir escrevendo sobre as coisas que me exasperam mais. Por exemplo: 1. A desvergonha com que a esquerda usa a desgraça dos portugueses como argumento político. Desemprego, impostos, salários ou, no dia-a-dia, urgências que não funcionam, o remédio para a hepatite C que não há, outro desconto ou proibição – tudo ser...

Abandono de idosos é "eutanásia disfarçada"

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DN 2014.09.28 O abandono de pessoas idosas é uma "eutanásia disfarçada", afirmou o Papa Francisco na homília de hoje, dedicada ao dia do idoso. nNa Praça de São Pedro, no Vaticano, reuniram-se cerca de 40 mil pessoas. A cerimónia que contou com a presença de Bento XVI, o Papa emérito, com 87 anos, que fez aqui a sua primeira aparição pública desde a canonização de João Paulo II em abril. Francisco saudou-o, dizendo como gosta de o ver no Vaticano: "É como ter um avô sábio em casa". Apesar de todas as dificuldades relacionadas com o envelhecimento, os idososo podem ser como "as árvores que continuam a dar frutos", insistiu o Papa. Por isso, aqueles que não têm família devem ser acolhidos em lares, que não devem ser "prisões" mas antes verdadeiras casas, "pulmões de humanidade" numa cidade, num bairro ou numa paróquia. "Devem ser santuários de humanidade onde quem é velho e débil é cuidado como um irmão mais velho." ...

No jornalismo não vale tudo

RR 08-01-2014 14:21 José Luís Ramos Pinheiro Mário Soares goza de uma generosa tolerância a que muito poucos podem aspirar. Se os comentários que teceu sobre Eusébio viessem da boca de outros dirigentes, teriam caído o Carmo e a Trindade. Mas respeitar Mário Soares implica estender-lhe o microfone por tudo e por nada? As declarações de Mário Soares a propósito da morte de Eusébio têm sido vivamente discutidas, sobretudo nas redes sociais; declarações penosas, para mais, no momento e no contexto em que foram proferidas. Não duvido que, se tais comentários viessem da boca de outros dirigentes, teriam caído o Carmo e a Trindade; e de imediato se falaria em ofensas insuportáveis à memória de Eusébio. Mas sendo o último e mais carismático líder da geração política pós-25 de Abril, Mário Soares goza de uma generosa tolerância a que muito poucos podem aspirar. A mesma tolerância que permite quase silenciar as incómodas declarações sobre Eusébio, autoriza depois todos os pretextos pa...

Ano novo, vícios velhos: o abandono dos idosos

Henrique Raposo Expresso,  Sexta feira, 3 de janeiro de 2014 Tenho há anos um hábito meio macabro: recolher recortes de jornais relativos a velhos abandonados pelas famílias. Os melhores, ou melhor, os piores são aqueles que dizem "idosos abandonados nas férias". Dado que é um pouco chato colocar um velho no porão do avião ou na mala do carro, muitas famílias abandonam os seus familiares nos hospitais durante o período das férias. É como se o hospital fosse um hotel para cães gratuito. Durante as mini-férias de Dezembro, o efeito do abandono costuma ser o aumento dos suicídios entre os idosos. Amanhã, quando começar a ler os jornais da semana, aposto que irei encontrar muitas referências aos suicídios de réveillon. O regime (jornalismo incluído) adora justificar o abandono dos velhos com a habitual regurgitação económica: "Ai, então, as pessoas fazem isto porque são pobres, coitadinhas". Esta pose submarxista dá-me uns certos calores e merece três respostas....

Mário Soares não tem amigos

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Ionline, 2013-11-30 Isabel Stilwell Velhice e poder tornam-nos egocêntricos e casmurros. Some-se a vaidade e o desastre é total. Mas podemos policiar o nosso cérebro, com a ajuda dos outros Capítulo I Se fosse nos tempos dos telegramas, tenho a certeza que teria sido por telegrama que teria recebido a mensagem urgente: "O que é que se passa? O Mário Soares não tem amigos em Portugal?" Fiquei a olhar para o e-mail de um colega jornalista francês, que não dizia mais do que isto, sem saber se havia de rir ou chorar. Estava tudo dito. Mário Soares não tem, decididamente, amigos em Portugal, que o protejam da vaidade e do egocentrismo, que se acentuaram com a idade, do desespero dos holofotes que contagia quem se habituou a viver sob a sua luz, agravados pelo sentimento de inimputabilidade que a velhice traz tantas vezes consigo. Ninguém que o confronte, ninguém que o proteja de ser usado por jornalistas desejosos de uma manchete de jornal, por colegas políticos a quem...

Os perigos da idade

DESTAK | 29 | 10 | 2013 José Luís Seixas A velhice ou, como é corrente ouvir-se, a Terceira Idade, merece a maior veneração. País que não respeita, cuida e homenageia os seus velhos não merece ter futuro e, seguramente, não terá, a prazo, memória. A velhice não é nem doença nem fatalidade. É contingência. Mais uma fase da vida. Com as suas características e as suas vulnerabilidades. Como qualquer outra. Há velhos que resistem melhor ao desgaste da idade e outros que sucumbem mais facilmente à erosão do tempo. O segredo, como alguém dizia, está, não em dar mais anos à vida, mas sim em dar mais vida aos anos.  Por isso, cumpre a quem rodeia os velhos (palavra digna que esmaga o conceito de idoso, o qual, em última ratio, nada define e a todos engloba) proporcionar-lhes conforto físico e psicológico. E honrar e dignificar o seu nome e a marca que deixaram. A se...

Ostracismo do idoso na Europa "civilizada"

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Depois vais ter pena

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Inês Teotónio Pereira , ionline 27 Abr 2013 É uma questão de tempo até que fiquemos sozinhos no castelo a falar com as paredes e a chatear os visitantes com as glórias do passado Quando temos os nossos filhos ainda pequenos não são poucas as pessoas, principalmente mães mais velhas, que nos alertam com uma certa nostalgia: "Aproveita enquanto eles são pequenos… Depois vais ter pena." É uma frase recorrente que é dita sem grandes desenvolvimentos mas sempre me pareceu assim uma coisa siciliana. A advertência sempre me assustou um pouco. Sempre me fez lembrar uma espécie de anúncio de uma catástrofe que se advinha: "Ui, nem sabes o que aí vem… Depois não digas que eu não avisei." Como se tivéssemos de encher a dispensa de enlatados e preparar-nos para o pior. Por outro lado, raramente alguém nomeia a desgraça, ninguém nos adianta pormenores sobre esse futuro ameaçador, como uma cigana que nos lê a mão mas não quer entrar em pormenores em relação ao número de de...

Declaração de amor

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Suzana Toscano, ionline15 Fev 2013 Quando fez 80 anos a família juntou-se toda para celebrar, numa algazarra que ele ouvia vagamente, naquele jeito que a doença lhe deixara de estar presente, silencioso, de querer sossego com todos à volta. Alheava-se, não gostava que o vissem debilitado, não queria que as suas mãos formidáveis lhe desobedecessem e deixassem cair os copos ou se recusassem a segurar a faca com firmeza. Mas festa é festa, e ele vestiu--se a rigor e sentou-se à cabeceira da mesa. Na altura do brinde todos pensaram que ele não ia falar e, por uma vez, não se fazia silêncio para ouvir um dos seus discursos, sempre tão divertidos, em que misturava referências de filmes, livros e trocadilhos, a desafiar a memória comum da família, que depois ficava a decifrá-los até ele acabar as discussões. Mas ele levantou-se a custo, pegou na taça com a mão trémula, ergueu-a e ficou assim um momento, como perplexo com a penumbra da sua memória. Virou-se então para a mulher, sua paixã...

O que significa ser novo, ser velho e ser ativo?

OJE – O Jornal Económico, http://www.oje.pt 13/07/12, 00:30 Por Maria Joaquina Madeira * Temos hoje, nas nossas sociedades, razões para celebrar. Celebrar este enorme acontecimento civilizacional das pessoas viverem cada vez mais tempo e em melhores condições de saúde. Na realidade, do ponto de vista individual, cada um de nós espera um "bónus" de anos a mais de vida, relativamente ao passado. Sinal de progresso, sem dúvida, mas, se o envelhecimento individual é uma boa nova, não poderemos aproveitá-lo devidamente se não soubermos descobrir o seu modo de utilização e se não tomarmos consciência, a tempo, da "nova" sociedade que está a nascer, deste enorme beneficio para os seres humanos que é a longevidade. Este facto vai gerar um outro perfil sócio-demográfico na população, o que implica mudanças na organização dos sistemas sociais, de saúde, económicos, de forma a integrar esta realidade humana, diferente no nosso país. Entre 1960 e a atualidade, o número d...

Velhos são os trapos

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Inês Teotónio Pereira , i-online  7 Jul 2012 No meu entender a idade é um posto: uma avó ou um avô sentam-se sempre no banco da frente e a criancinha ou o jovem vai sempre atrás Eu pertenço ao tipo de pessoas que acham que os mais velhos sabem mais, que os anciãos são mesmo sábios só por serem anciãos. E esta crença não é racional, pois nem sequer tenho a certeza se eles sabem ou não: só acho que eles sabem mais, seja quem for. Para mim é simples: alguém que é bem mais velho que eu sabe bem mais que eu. Nem perco muito tempo a averiguar o assunto: calo-me e oiço. Cresci assim. A verdade é que sou institucionalista com os mais velhos; não sou paternalista ou condescendente, sou mesmo institucionalista neste capítulo. Deixo-os passar à frente, deixo-os falar primeiro, não discuto, não corrijo, cedo-lhes o lugar e aceito com toda a humildade a sua autoridade, seja ela legítima ou não. Se uma senhora de idade me quiser oferecer rebuçados envenenados não terá muito trabalho, da ...