A sucessão de Salazar
Joaquim da Silva Pinto ionline 31.05.2014 (Parte I) Contrariando a vontade dos médicos, Salazar exige dispor de uma hora antes de entrar para a ambulância chamada de urgência. Recomenda a Mota Veiga procedimentos processuais no caso de algo correr mal ESTAMOS EM AGOSTO DE 1968. Salazar enfrenta com estoicismo a notícia sobre a inevitabilidade de uma operação tão melindrosa quanto urgente, diagnosticada por reputado neurocirurgião da escola de Egas Moniz. Esta serenidade controlada surpreende o clínico, que não o internista, médico habitual do presidente do Conselho, pesaroso aliás por não ter atribuído mais cedo a devida importância à contusão na cabeça resultante de uma desastrada queda. Eram ambos reconhecidos elementos da oposição democrática; refiro-me aos professores Vasconcelos Marques e Eduardo Coelho. Com um meio sorriso, Salazar comenta: "Enfim, uma decisão cujas consequências me não poderão ser assacadas." Assistem à cena a atormentada governanta de l...