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A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: Laurinda Alves

A urgência da paz

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LAURINDA ALVES   OBSERVADOR  29.01.2019 Há milhões de jovens que são verdadeiros ‘influencers’ positivos do século XXI por desfazerem preconceitos, lutarem contra estereótipos, protegerem os mais fracos, derrubarem muros, construírem pontes A notícia sobre as próximas Jornadas Mundiais da Juventude, em Lisboa, foi recebida com tanto entusiasmo por tantos, de tantas e tão diferentes linhas ideológicas, que faz acreditar num tempo novo para jovens e adultos, crentes e não crentes. O próprio Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, gravou um vídeo com sorriso radiante, para sublinhar o facto de o Papa ser uma referência moral global, mas também para convocar os lisboetas de todas as raças e credos a fazerem de Lisboa a capital da tolerância, do humanismo e da dignidade. Vi o que aconteceu há 15 anos nesta cidade, quando acolhemos os milhares de jovens que se juntaram no Encontro Anual de Taizé. Digo acolhemos, porque na altura houve 10 000 família...

Ana desLeal

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LAURINDA ALVES    15.01.2018   OBSERVADOR Os meios não justificam os fins e nesta reportagem os meios são infames e no fim não há provas de nada. Nada nos é apresentado que confira com aquilo que nos foi anunciado. E isso é grave. E é desleal. Não vale tudo, no suposto jornalismo de investigação! Não vale bater à porta de um psicólogo e, em clima de consulta, criar uma relação de confiança só para poder gravar de forma oculta, e não autorizada, tudo aquilo que diz; Não vale estabelecer uma conversa cheia de perguntas para obter respostas com o propósito único de as vir a editar e publicar, sem que o especialista saiba que está a ser entrevistado e não apenas consultado; Não vale induzir respostas; Não vale levar um profissional a cair em sucessivas armadilhas sempre artificiosamente montadas com base na confiança; Não vale tirar as coisas do seu contexto; Não vale reproduzir só aquilo que convém aos autores da reportagem porque bate certo ...

Por mim, ninguém envelhecia fora de casa

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LAURINDA ALVES   OBSERVADOR   15.05.2018 Tê-los à nossa guarda, velar pelo seu sono, cuidar da sua saúde e bem estar, acompanhá-los às consultas e tratamentos, viver com eles novas experiências e recordar velhas memórias é uma benção. Há pelo menos duas gerações que a decisão de acolher os pais em casa foi tomada pela minha família. A minha avó Laurinda morreu no seu quarto, em nossa casa, e a memória dos seus últimos dias, bem como das fases em que morou connosco, ficou gravada para sempre. Uma memória indelével, tatuada no coração de todos os que a amámos e continuamos a amar. E a admirar. Teve 12 filhos e todos os que permaneciam vivos a queriam ter em suas casas, mas fomos nós que tivemos a felicidade de a ter connosco no seu derradeiro tempo de vida. Recordo-me da noite em que se percebeu que seria a última. A avó estava quase sempre de olhos fechados, quieta e tranquila. Ficou cega muito cedo. Enterrou 4 filhos e chorou-os ao longo da sua vida, ma...

Lei Geral do Inconseguimento

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LAURINDA ALVES          OBSERVADOR          24.04.2018 Todos sabemos que uma coisa é a lei e outra a ética. A cegueira moral pode ser legislada, mas a ética tudo vê e tudo sabe. A lei permite, mas a consciência não. Essa é a voz que nunca se cala. Nunca ninguém conseguiu, nem conseguirá, esquecer a retórica do inconseguimento, bem como a pantanosa teoria filosófica a ele associada no momento em que a burlesca dissertação sobre conseguir, ou não conseguir, foi exposta em público. Passado um par de anos voltamos ao inconseguimento. Agora já não apenas como evocação literária delirante, de aspiração vagamente shakespeareana, ou como predicamento filosófico (predicamento rima tão bem com inconseguimento), mas como nova doutrina moral e ética. Na mesma casa onde Assunção Esteves elaborou de forma magistral sobre o inconseguimento, reina agora uma dinastia de seguidores inconseguidores. Deputados e senhores que tentam a todo o custo c...

Os sem Natal

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LAURINDA ALVES                          OBSERVADOR                   19.12.2017 Impressiona sempre estar cara a cara com quem vive diariamente numa cela e cumpre pena pela sua falta, especialmente quando se trata de penas pesadas ou condenações para a vida. Não sou visitadora de prisões, mas fui a vários estabelecimentos prisionais nas últimas décadas. Vou a pedido de reclusos, mas também a convite das direcções das prisões ou de quem lá trabalha. Vou porque me faz sentido aceitar o desafio e nunca me ocorreu recusar ir a uma cadeia. Nesta lógica, acabei por conhecer mais de uma dúzia de prisões e umas boas centenas de presos. Impressiona sempre estar cara a cara com quem vive diariamente numa cela e cumpre pena pela sua falta, especialmente quando se trata de penas pesadas ou condenações para a vida. Nunca perguntei a um recluso porque é que estava preso porque...

Políticos em cadeiras de rodas, já!

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LAURINDA ALVES     OBSERVADOR      14.11.2017 Enquanto os políticos não percorrerem as suas cidades em cadeiras de rodas ou a empurrar cadeirinhas com bebés e crianças, mas também com velhinhos e doentes, não sabem o que custa a vida. Digam o que disserem, Marcelo Rebelo de Sousa faz aquilo que todos os políticos e todos os cidadãos que representam cidadãos, e mereceram o seu voto de confiança, deviam fazer: ir ao terreno, saber como vivem as pessoas, e em que circunstâncias, para poderem actuar com precisão e diligência. Faz-me sentido ver um Presidente da República sentado no chão ao lado de pessoas sem-abrigo, a conversar, a servir refeições, a ouvir o que têm a dizer, ou a abraçar, simplesmente, aqueles a quem faltam as palavras. Não fico mais nem menos comovida por Marcelo definir novas prioridades na agenda de um PR. Simplesmente faz-me sentido, ponto. Aliás, não me faz sentido absolutamente nenhum que outros políticos não o façam. Nunca p...

Eu sei, eu vi, eu estive lá

LAURINDA ALVES      07.11.2017   OBSERVADOR Não quero médicos que pensem que a minha vida já não vale a pena e se ofereçam para me matar, em vez de me encherem de confiança, esperança e cuidados. Arrepia-me a ideia do negócio à volta da morte. Para o bem ou para o mal, nunca fui de grandes manifestações públicas. Não sou de ir para a rua celebrar vitórias em campeonatos nacionais e internacionais, mas também não sou de me juntar a grandes massas para distribuir panfletos, nem me é fácil gritar palavras de ordem e tenho pouco jeito para andar com cartazes ao alto. Houve alturas em que senti que era meu dever fazê-lo, e fi-lo, mas sempre com algum desconforto. Não me orgulho nada deste desconforto, note-se, apenas o reconheço por me conhecer o suficiente para saber que a minha inclinação natural é expressar-me por palavras escritas em jornais ou revistas, e ditas em fóruns, entrevistas, debates ou encontros onde posso olhar as pessoas nos olhos. Feliz...

Cheira a negócio

LAURINDA ALVES   OBSERVADOR   08.08.17 Eu, mulher e mãe, sentiria tanta repugnância em gerar um filho que não fosse meu como em desembaraçar-me dele no fim. Tudo isto é anti-natural. Tudo é artificial e, desculpem lá, tudo cheira a negócio. Barrigas de aluguer, eis a designação comum e universal que não esconde absolutamente nada nas entrelinhas, ao contrário do que acontece agora, com o texto da Lei sobre Gestação de Substituição, em vigor desde o início do mês. Barrigas que se alugam, são barrigas que têm custos e se pagam caras. Ponto. Esta lei proíbe o negócio, mas não diz como são os mecanismos de fiscalização e penalização. Além disso há custos tão ou mais elevados que os financeiros. O preço físico, moral e emocional a pagar por todo este processo pode ser brutal. Desde logo para a gestante de substituição e para o bebé, mas não só. Digam o que disserem, a lei não é tão estrita como querem fazer crer. Se fosse, tenho a certeza de que Jerónimo de Sousa e os seus c...

Consultas públicas em vésperas de Natal

LAURINDA ALVES  20.11.16  OBSERVADOR A consulta pública do ministro da Educação acaba domingo de Natal, dia espectacularmente adequado para fazer consultas sobre matérias tão complexas, delicadas e sensíveis como o aborto. Bonito serviço. Estamos na semana do Natal e que melhor altura senão esta para fazermos consultas públicas sobre o ensino de educação sexual nas escolas? Apetecia muito mais escrever sobre outras coisas, mas as notícias são o que são, e como os timings de certos ministros e seus directores-gerais não são nada inocentes, começo por contar uma história real que se passou há tempos, com alunos de 11 e 12 anos, a frequentarem um liceu público que conheço muito bem. Os alunos e o liceu, quero dizer. Num dia de sol de Inverno como estes de agora, eis que aterra na escola uma brigada expressamente enviada pelo Ministério da Educação para dar aulas de educação sexual às criancinhas e jovens. Os formadores vinham aos pares e traziam consigo sacos de...