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O que separa (e junta) Pedrogão Grande e Tancos

ANTÓNIO COSTA  ECO.PT   02.07.17 O incêndio em Pedrógão Grande revelou-se uma tragédia de proporções inéditas no país, com 64 mortos e mais de 200 feridos, o roubo de armamento em Tancos é uma ameaça e poderá vir a transformar-se numa nova tragédia se aquele material de guerra vier a ser usado em atos terroristas, como se teme, mas  o ponto que os une já é o Estado, ou a falta dele . O Estado falhou outra vez na segurança e na proteção, a primeira das suas funções e missões, quando a austeridade, diziam-nos, já tinha terminado em janeiro de 2016. Não há hoje um português que viva numa aldeia perdida no interior do país que se sinta seguro, e não é preciso sequer um focus group para saber isso. E, perante a falha de segurança que permitiu o roubo de 1400 cartuchos de nove milímetros, 200 granadas de vários tipos e 264 unidades de explosivo plástico (segundo o El Espanol), já não é só um sentimento de insegurança que nos assalta, é mesmo uma espécie de resignação peran...

O ajudante de Mário Nogueira

António Costa (jornalista) Sapo24, 2016.05.09 Os contratos de associação do Estado com as escolas privadas são mais uma linha que separa os que defendem um modelo de sociedade em que o Estado é o centro de tudo dos que entendem que os serviços públicos podem ser prestados por entidades públicas ou privadas, e em concorrência. É a ideologia, sim, que está em causa. Os contratos de associação do Estado com as escolas privadas, convém recordar, serviram para compensar as insuficiências do Estado na prestação de um serviço absolutamente central, o da Educação. Foi para isso que foram criados, mas serviram também para permitir um nicho, de forma enviesado, é certo, de abertura dos privados a prestarem serviço público, como já acontece em tantas e tantas áreas, desde logo na saúde. A decisão do ministro da Educação - ou terá sido de Mário Nogueira? - de cortar nos referidos contratos nem sequer um ano depois de terem sido celebrados é por isso, mais do que uma reversão de uma medida...

Cavaco fez (alguma) justiça

António Costa (jornalista) Ponto3  16 FEV 2016  A justiça é mesmo muito lenta em Portugal. O Estado demorou 30 anos a condecorar uma vítima do terrorismo e das FP25 e o silêncio comprometedor que se 'ouviu' nas últimas 24 horas talvez sirva para explicar a demora. Cavaco condecorou Gaspar Castelo Branco, a primeira vítima das FP25. E, com isso, o Estado reconheceu finalmente e oficialmente que havia terrorismo no Portugal democrático e pacificado da década de 80. O Estado português demorou 30 anos a condecorar uma vítima de assassinos políticos em território nacional, demorou 30 anos a reconhecer oficialmente que houve terrorismo em Portugal e também vítimas. Cavaco silva condecorou a título póstumo Gaspar Castelo Branco, assassinado pelas FP25 simplesmente porque era funcionário de um Estado Democrático que queriam destruir. 30 anos é muito tempo, e diz muito do Portugal que (ainda) temos. Assassinos, terroristas. Assim, mesmo, sem eufemismos, como aquele...

O populismo salarial levanta voo

António Costa Ponto3  02 FEV 2016 As notícias sobre aumentos salariais dos gestores públicos são daquelas que têm tudo para mobilizar o povo, e não só, os próprios políticos correm para a frente das televisões a exigir explicações ou a jurar que não são responsáveis por tais pecados. É claro que os mesmos que criticam os salários dos reguladores estão na linha da frente – populista – contra o poder e influência dos empresários e gestores, o poder económico, os Donos Disto Tudo. Afinal, escolhemos o quê? A notícia sobre os aumentos salariais dos gestores da ANAC – uma entidade reguladora independente com a responsabilidade de supervisionar aviação civil – superiores a 150% e com retroativos a Julho desperta o pior que há nos portugueses, a inveja. Um título bem trabalhado – verdadeiro e que não conta tudo – e ninguém quer saber mais nada, a não ser crucificar os ditos gestores. Não pela sua competência, ou falta dela, isso é irrelevante, pela sua remuneração. Just...

A Cresap e os ‘jobs for the boys’

António Costa Ponto 3 , 07 JAN 2016 O Governo não perdeu tempo a substituir gestores e presidentes de institutos que passaram o crivo da Cresap, a comissão de avaliação das nomeações no Estado que, nestes anos, acabou por servir para pouco e mal. Voltaram as nomeações, o Governo de António Costa não perdeu tempo a mudar administrações e gestores, voltou por isso a discussão dos ‘boys’ partidários para funções públicas e, finalmente, vai discutir-se a Cresap, a comissão criada para dar transparência às escolhas dos governos e que, afinal, não serviu de muito ou, melhor, serviu para legitimar os ‘boys for the jobs’. Sejamos justos: no anterior governo, como sucederá com o atual, muitos dos nomeados, seja para o universo do Estado central, seja para as administrações de empresas e institutos, são boas escolhas, assentes na competência e na adequação do perfil à função. Conheço vários. Mas o universo dos ‘jobs’ públicos é imenso e, muitas vezes, desconhecido do grande p...

Arménio Carlos e Cavaco Silva em dueto

António Costa antoniocosta.jornalista@gmail.com Económico, 20151120 A CGTP não quer que a TAP entre em concorrência com as ‘low cost’, mas a notícia é outra. Arménio Carlos é especialista em aviação e será, quem sabe, candidato a substituir Fernando Pinto na presidência da companhia aérea, agora controlada por privados. O líder da CGTP sente-se o novo dono disto tudo e, por isso, já não lhe chega exigir a reversão de negócios, também quer geri-los. A TAP não é a Ryanair e, convencido da sua sapiência na aviação, garante que a companhia que tem agora Pedrosa e Neeleman como principais accionistas não deveentrar ‘neste jogo da concorrência’. Percebe-se, a concorrência e o mercado não serão coisas que assistam ao líder do PCP, perdão, da CGTP, mas seria conveniente lembrar a Arménio Carlos que as ‘low-cost’ estão aí para ficar e para ganhar se a TAP nada fizer e continuar sentada na sua suposta grandeza de companhia de bandeira, como se fosse um nobre que é dono de um casarão v...

Diz que é uma espécie de acordo, senhor Presidente

António Costa antoniocosta.jornalista@gmail.com Diário Económico, 20151113 António Costa prometeu deitar abaixo o governo de Pedro Passos Coelho e cumpriu, esqueceu-se foi do resto, do que deveria ter surgido em simultâneo, do acordo de coligação à esquerda que garantisse um governo com um programa consistente e coerente para a legislatura. Costa não assinou um acordo, desenhou uns gatafunhos com uma posição política conjunta, uma coisa que diz que é uma espécie de acordo que pode ser rasgado sem aviso prévio. O líder do PS vai levar ao Presidente da República, Cavaco Silva, uma coligação negativa, muito diferente do que anunciou quando começou a construir, nos bastidores, esta solução. Na forma e na substância, o que fica claro é que o governo minoritário do PS poderá cair à primeira dificuldade. E serão muitas, porque não é possível por exemplo anunciar reversões de concessões e privatizações, reversões de leis laborais ou aumentos do salário mínimo de forma unilateral. Po...