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Portugal do poder ser

PAULO TUNHAS   OBSERVADOR   24.11.16 Todos os portugueses, com a excepção de Marques Mendes, o único que sabe, estão condenados ao “parece que”. Parece que Costa e Centeno negociaram excepcções para a CGD. Parece que Rio não se candidata É impressão minha ou andamos todos a viver num regime colectivo de “poder ser”? António Costa e o ministro das Finanças garantiram as condições excepcionais de que se fala aos novos administradores da Caixa? Pode ser que sim – mas também pode ser que não. Há uns dias atrás, dizia-se que Paulo Macedo podia fazer parte do “plano B” do Governo para essa mesma Caixa – mas também podia ser que fosse para o Banco de Portugal – ou, claro, podia ser que não. Pode ser que José Sócrates tenha escrito O carisma – embora se sustente que às tantas não, pode ser que tenha sido outra pessoa. E pode ser que Rui Rio, que, é triste dizê-lo, se especializou nesta matéria, se candidate ao lugar de Passos Coelho no PSD – embora obviamente possa ser que...

Ao radicalismo dos populismos responder com o radicalismo do amor

ASSUNÇÃO CRISTAS  PÚBLICO  22.11.16 Em tudo o que nos acontece é preciso encontrar um sentido, procurar ler nas entrelinhas, aproveitar para aprender. As eleições americanas, e os vários episódios de populismo que parecem hoje ser tendência no mundo, devem ser para nós, em Portugal e na Europa, precisamente o pretexto para essa reflexão.  Mais do que saber como vai se vai orientar a nova administração americana, quanto do prometido nos exageros da retórica eleitoral, que a todos arrepiou, vai ou não ser cumprido, interessa-me perceber como nos podemos inventar, permanecendo fieis à nossa matriz, àquilo em que acreditamos, e ao mesmo tempo garantimos, com uma ação eficaz, a contenção dos populismos de direita e de esquerda, que multiplicam episódios em todo o mundo. O meu ângulo de análise só pode ser um: a voz de Portugal na Europa e no Mundo. Porque o meu espaço de ação é apenas um: o papel do CDS na construção dessa voz. Primeiro as causas: os vários episódio...

O Pessimismo explicado aos leitores de esquerda

JOÃO MIGUEL TAVARES   PÚBLICO  22.11.16 Sais de fruto. Pastilhas Rennie. Comprimidos Omeprazol. Não se consegue escrever um texto a criticar o Governo de António Costa e a situação do país sem receber em troca uma receita médica, diligentemente prescrita pelos leitores de esquerda. O estado de saúde de quem votou no PSD ou no CDS inspira-lhes mais cuidados do que o estado do país: todo o nosso pessimismo é justificado por razões de azia e descontrolo dos sucos gástricos, devido à substituição do Governo de Pedro Passos Coelho pelo Governo de António Costa. É a homeopatia aplicada ao debate político — se diluirmos o pessimismo, o optimismo floresce, e Portugal voltará a convergir com a Europa.  Numa coisa, pelo menos, os leitores de esquerda têm razão: esta visão do estado do país e dos desafios que ele enfrenta é de tal forma alucinada que nem litro e meio de sais de fruto refreia a indigestão. Imagine, caro leitor, que você está endividado até ao pescoço. O seu orde...

Em Portugal, o perigo não é um Trump, mas um Putin

           RUI RAMOS  OBSERVADOR  18.11.16   No rescaldo da eleição de Donald Trump, Jorge Sampaio veio apelar à humanidade contra o populismo. É provavelmente um aviso relevante para muitos países ocidentais. Mas para Portugal? Atrevo-me aqui a discordar respeitosamente do Dr. Sampaio. Em Portugal, o problema não é o populismo, se por populismo entendermos, como agora é costume, a insurreição das plebes, excitadas pela demagogia da anti-globalização. O programa de ajustamento de 2011 foi duro, e a estagnação da economia já vai em mais de quinze anos. Mas onde estão as nossas Frentes Nacionais e os nossos Podemos? Nessa área, temos dois velhos partidos do PREC, a que nem a troika deu força para crescer: valiam em 2015 menos votos do que em 2009. O problema em Portugal é outro: é o das cliques políticas decididas a usar o Estado para expandir as suas clientelas e constranger a vida pública. Se quiserem uma referência internacio...

Sobre a Tributação do Património

Pedro Teles Observador 7/10/2016 Um imposto sobre o património só se apanhar quem investiu de surpresa, como no PREC, diretamente e selvaticamente. E uma vez perdendo a vergonha, pode estar perdida de vez. E com ela o país. É uma pena alguns políticos saberem tão pouco de economia: vem isto a propósito da recente polémica sobre tributação do património. Como é que as receitas de imposto devem ser repartidas entre o imposto sobre o capital e o imposto sobre o rendimento do trabalho? Esta é uma questão importante, que poderia mesmo dividir sociedades, não fosse a teoria económica ter dado respostas claras não há muito tempo. Na tributação do capital é preciso distinguir a tributação do capital futuro da tributação do capital já instalado. Sobre a tributação do capital futuro, a resposta é claríssima. O capital futuro, o investimento, não deve ser tributado. Isto independentemente de estar concentrado nas mãos de alguns imensamente ricos. A razão é que se o capital a acumular...

Um ano é muito tempo

Público  MANUEL CARVALHO  05/10/2016 - 08:03 Raramente se viu e ouviu tanto ódio e tanta paixão na vida política nacional. Na política, um ano pode ser muito tempo. O ano de António Costa e do Governo durou uma eternidade que exigiu doses industriais de táctica, condimentos de talento negocial e rins elásticos para avanços e recuos, para mimos à esquerda e à direita, para algumas acções concretas e doses de propaganda,  para aturar os partidos da coligação informal  e os militantes socialistas que ora sonham com o reformismo ora cedem ao delírio da revolução, para gerir pressões de Bruxelas e avisos dos mercados, para ser social-democrata sem que o pé fuja da Terceira Via, para ouvir Passos Coelho e recordar o apocalipse da  troika , para apaparicar o Presidente e encaixar com o mesmo semblante os  golpes no ventre que vêm de Belém , para se congratular com ministros competentes ou para desesperar com erros de  casting  aos quais atribuiu p...

Pacheco Pereira converteu-se ao TINA

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 04/10/2016 Quando invoco o TINA, não estou a dizer que é preferível a inexistência de opções. José Pacheco Pereira escreveu no sábado um texto intitulado "A instabilidade inscrita na governação", onde desenvolve uma tese que tem vindo a defender em vários lugares, nomeadamente na Quadratura do Círculo. A tese é esta: Pacheco tem muitas reservas quanto ao sucesso da actual solução governativa pela “única e exclusiva razão” de que não é possível “fazer a política que desejava”, mas apenas a aquela que é “imposta de fora pelo Eurogrupo”. Assim sendo, e devido ao “garrote europeu”, Pacheco acredita que o Governo de António Costa “não vai dar certo”, porque se é possível obter resultados satisfatórios a curto prazo, é impossível obtê-los a longo, dada a “incongruência do que lhe é exigido”. Pacheco chega mesmo a dizer que não existem dois modelos económicos, um do PSD-PP e outro do PS, mas sim “apenas um, que é o que o Eurogrupo impõe a Portuga...

O apagão

João Vieira Pereira Expresso 20161003 O pior cego é aquele que não quer ver. E estamos rodeados deles. A geringonça tem gerido com mestria a serenidade do povo. Elegeu as suas vítimas e faz delas cobaias da receita do desastre. Não é apenas a paz com os sindicatos do PCP ou a pele de ovelha no lobo que é o Bloco. O Partido Socialista sabe a quem tem de agradar para perpetuar a vida da solução política engendrada. Ao volante do destino do país engatou a marcha atrás a acelerou em força. Vamos lá satisfazer o funcionário público em detrimento do cidadão, o professor em vez do aluno, o pensionista pelo contribuinte, o trabalhador contra o cliente ou o empresário.  A geringonça meteu os grandes grupos de eleitores e de pressão social a caminhar no mesmo sentido. Só que na direção contrária à do progresso ou crescimento. O que interessa é garantir o voto e a paz social. Adormeceu o povo com promessas de curto prazo e ainda tem o desplante de sorrir perante o desastre que criou....

Orçamento do Estado: O extraordinário mundo da política de ilusões

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Helena Garrido Observador 29/9/2016 Os números mostram-nos uma realidade diferente da narrada pelo Governo. À medida que 2016 chega ao fim percebemos que a receita é irrepetível em 2017. Os alertas estão aí a começar pelo FMI. “2016 e 2017 não são nem nunca poderão ser 2011”. A  declaração é do Presidente da República  na abertura do terceiro Fórum do Turismo. Numa só frase, Marcelo Rebelo de Sousa resumiu aquilo que se receia que nos possa acontecer. Para não repetirmos 2011, agora como tragédia, parece óbvio que o Governo vai ter de alterar a combinação de políticas, que lhe garantiu o acordo com o Bloco de Esquerda e o PCP e a subida ao poder. As ilusões chegam ao fim, mesmo que a habilidade política de António Costa consiga manter alguma ilusão. Um dos mais interessantes aspectos da governação de António Costa é sem dúvida o poder de criar ilusões, de fazer acreditar que a “austeridade” acabou. As mensagens políticas e especialmente as ferramentas econ...

O plano B é meter na gaveta o plano A!

O Insurgente SETEMBRO 26, 2016 RICARDO ARROJA “A execução orçamental até Agosto de 2016 das Administrações Públicas (AP) registou um défice de 3.989,5 milhões de euros , inferior em 80,8 milhões de euros ao registado em igual período de 2015.”, na execução orçamental hoje (26/09) publicada pela DGO. Como tenho vindo a apontar, a razão da descida do défice público, registada até agora, está (cada vez mais) na compressão da despesa de capital das administrações públicas (onde se inclui o investimento público), que até Agosto contraiu -8,7%, contrariamente à previsão de crescimento de +18,1% estabelecida no Orçamento do Estado para 2016. Esta compressão do investimento (observado em todos os domínios da administração pública, é de notar), a par de alguma contenção dos consumos intermédios (uma contenção que, no entanto, tem vindo a atenuar-se) e dos subsídios na despesa corrente, têm permitido até ao momento a redução do défice público. Mas o caminho está a estreitar-se. Por um l...

Diz-me com quem andas

MIGUEL ALVIM  Público 24/09/2016 Um programa paupérrimo e desonesto, que compromete o nosso futuro colectivo. A frase-chave que sustenta a geringonça da esquerda a voar baixinho desde a noite das últimas eleições legislativas tem direitos de autor. Disse na ocasião o líder dos comunistas: "Neste novo quadro político, o PS só não forma Governo porque não quer. Nada o impediria de se apresentar disponível (…)", salvaguardando ser necessário, por parte dos socialistas, uma "vontade de ruptura com a política de direita". Há dias, na Festa do Avante, o partido comunista esclareceu aquela frase para a geral em dois pontos para quem tivesse dúvidas: O actual quadro político traduziu-se não na formação de um Governo de esquerda, mas sim na formação e entrada em funções de um Governo minoritário do PS, com o seu próprio programa. A nova relação de forças no parlamento permite ao PCP e ao PEV condicionar decisões e serem "determinantes e indispensáveis ...

Aqui entre nós que ninguém nos ouve

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Desvio colossal 20160922   pedro romano O Bruno Faria Lopes escreveu um  excelente texto  no Negócios ( mais um ), a chamar novamente a atenção para um problema que passa frequentemente longe do radar da imprensa nacional: a percepção cada vez mais negativa que ‘lá fora’ se vai fazendo de Portugal. Vale a pena ler o artigo todo e passar os olhos pelas manchetes que o Bruno compilou, o que o leva a escrever que: São intervenções cheias de “ses”, que misturam realidade, preconceito e interesse próprio? Em parte sim. Mas, no final do dia, isso interessa pouco. A cadência impiedosa destas notícias e análises é um sinal preocupante da consolidação de uma história, de uma “narrativa” sobre Portugal. O contraste entre esta e o ambiente político no país é grande – e o problema maior de percepção está no lado que mais tem a perder, ou seja, cá dentro.O BCE anestesia o mercado e Portugal paga hoje só 3% a dez anos para se financiar? Sim, Mario Draghi tem a mão em cima d...

O jogo mudou

João César das Neves DN 20160922 Portugal parece regressado a 2010. A economia cresce, mas quase nada; o Orçamento diz-se controlado sem estar; o governo garante solidez, mas não se sabe quanto; os bancos aguentam-se, sem convencer ninguém. Vive-se o clima de acalmia antes da tempestade. Nesta morna ambiguidade passou despercebido que tudo mudou a 23 de Junho. O resultado do referendo britânico acerca da permanência na União Europeia lançou uma nova fase na história da integração comunitária. Ninguém ainda sabe as consequências deste complexo processo, mas é evidente que a vida dentro da Europa não voltará a ser a mesma. Os cenários são muitos, com só uma coisa certa: nos choques, é nas rachas que se sente maior tensão. Paradoxalmente, o Reino Unido é capaz de não ter grandes consequências. Fora do euro e do espaço Schengen, manteve um estatuto especial nos sucessivos tratados. Se a negociação optar por um modelo de associação próxima, semelhante ao da Noruega, poucas muda...

O profeta e a desgraça

Alberto Gonçalves Visão, Setembro 13, 2016 Diz o Público que "ao líder do PSD, nem o sol de Setembro trouxe um sorriso e prefere continuar a ser o profeta da desgraça deste governo". A sentença não integra um artigo de opinião ou o palpite de um funcionário do PS: está no início de uma reportagem "neutra" sobre a Universidade de Verão da JSD e, afinal, esforça-se por não destoar do tom vigente. Nos últimos dias aumentaram notavelmente os ataques a Pedro Passos Coelho.  Da extrema-esquerda a gente conotada com o PSD, passando por gente que se julga conotada com o PSD, pelos senhores governantes, por serviçais assumidos ou dissimulados dos senhores governantes e por analistas que gostariam de ser sérios, meio mundo dá-se a trabalhos para tentar diminuir Pedro Passos Coelho. O tipo é um "catastrofista" que não aceita o caminho de felicidade que o País trilha. O tipo é um vendido que não acata os apelos à "coesão" de que o País necessita. O ...