sexta-feira, 22 de julho de 2016

Um homem livre

Aura Miguel
Passos 22-07-2016 - Aquele inesquecível serão transformou-se, afinal, num portentoso testemunho de amor e liberdade.
 
Ainda a quente, mal acabou o jogo que lhe deu a vitória, Fernando Santos prestou declarações, como sempre fazem no final dos desafios de futebol. A primeira coisa que o novo campeão da Europa fez, diante dos media, foi agradecer a Deus, Senhor da vida, em seguida, falou da sua família e só depois do futebol.
Feliz com o resultado tão surpreendente e consolador - ainda por cima alcançado em casa do adversário - quando ouvi aquelas breves mas essenciais declarações do Mister, o meu triunfalismo desorientou-se. Foi uma espécie de choque eléctrico; naquele momento, o treinador vitorioso estava a recordar-me, com uma naturalidade desarmante, qual é a coisa mais essencial de todas: Deus.
Grata com o que tinha acabado de ver e ouvir - e como não gosto muito de futebol - preparava-me para desligar a TV, quando anunciam a conferência de imprensa de Fernando Santos. Fiquei para ver, mais por estima pessoal do que por interesse desportivo. E pude assim testemunhar o grande acontecimento. Fernando Santos, sentado na sala de imprensa internacional e em directo para as TVs do mundo inteiro, volta ao essencial e fala de Deus. 
O campeão da Europa pega uma folha e lê, com voz embargada, o que tinha preparado. Pela segunda vez nessa noite agradece a Deus e à família e aos que confiaram nele e aos jogadores, etc. Enquanto lê o texto, não há euforia, nem vaidade, não é arrogante, nem moralista, sentimental ou beato, é, simplesmente, um homem normal, comovido, que fala com experiência, da sua relação com uma Presença tão viva e determinante, que não a pode calar. E para que não haja dúvidas, dedica as últimas linhas do texto ao seu melhor Amigo e sua Mãe, com a esperança e o desejo de que tudo isto sirva para a Sua maior glória.
Aquele inesquecível serão transformou-se, afinal, num portentoso testemunho de amor e liberdade. Tão atractivo e correspondente aos desejos do coração, que o próprio futebol passou para segundo plano.
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