segunda-feira, 18 de julho de 2016

As ameaças dos fanáticos amigos dos animais

Vítor Rainho
ionline 20160718

Isto a ter em conta a quantidade de ameaças que recebi por ter escrito há dias sobre a “cegueira dos amigos dos animais”. Houve mesmo quem tivesse defendido que merecia uma morte lenta e dolorosa.
O PAN - Pessoas-Animais-Natureza decidiu, e bem, fazer marcha-atrás na patética medida de querer proibir a circulação de charretes e carroças na via pública. A proposta do partido do deputado único revela um desconhecimento profundo do país em que vivemos. É certo que o deputado é inexperiente e que a sua boa vontade é, algumas vezes, traída por essa falta de conhecimento. Mas saltava à vista que não fazia qualquer sentido a proposta do PAN. Agora vão tentar que exista uma fiscalização sobre as condições em que os animais vivem e “trabalham”. Tudo certo e legítimo.
Mas em Portugal estamos a viver um fundamentalismo em tudo o que diz respeito aos animais. Muitos dos defensores destes, e não estamos a falar dos domésticos, usam uma linguagem próxima do Estado Islâmico. Qualquer dia, começam a invadir os talhos e a pendurarem os donos desses estabelecimentos nos ganchos que prendem a carne exposta.
Isto a ter em conta a quantidade de ameaças que recebi por ter escrito há dias sobre a “cegueira dos amigos dos animais”. Houve mesmo quem tivesse defendido que merecia uma morte lenta e dolorosa. Mas não vivemos numa ditadura semelhante à que se está a viver na Turquia, onde os jornais são fechados por escreverem notícias que desagradam ao presidente Erdogan. Estamos em Portugal e quer queiram ou não, a opinião ainda é livre e não serão uns ditadorzecos de pacotilha, muitas vezes de forma anónima, que irão alterar essa liberdade. Defendo os direitos dos animais, mais do que muitos, e não recebo lições de criaturas que apelam à violência contra quem escreve o que não gostam.
Só falta, a muitas dessas figuras, irem para a selva proibir os leões de comerem outros animais. O mundo não surgiu com o veganismo, que respeito, e não é por vontade de uns tantos que nos vamos todos tornar vegetarianos. Quem quer, que o seja. Quem gosta de carne, que se sirva de um belo bife com um bom vinho e tenha uma bela refeição.
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