Há 39 anos

Foi há 39 anos que falei pela primeira vez com a minha melhor amiga que é hoje a minha mulher. 
Era por volta das duas da tarde.
Encontramo-nos à entrada da primeira frequência de Química.
Sei dizer o local exacto no pátio.
Recordo as palavras que ambos dissemos.
É quase como se tivesse sido hoje.
Porque é que me lembro deste acontecimento? 
Porque é que sobressai de tantos outros que também aconteceram?
Porque este acontecimento – que podia não ter acontecido – teve a forma de um encontro que mudou as nossas vidas. É um acontecimento porque tem esta natureza aparentemente casual, sem pré-determinação, que se define melhor pela negativa – podia não ter acontecido. Mas aconteceu, irrompendo com tal impacto nas nossas vidas que ainda hoje é lembrado como se voltássemos a vivê-lo.
É um acontecimento que é um encontro porque a partir daquele instante duas vidas que se desenrolavam até aí sozinhas passaram a definir-se em função uma da outra.
O Miguel Esteves Cardoso com a sua divertida genialidade fala da complementaridade como o segredo dum bom casamento.
Mais do que este ajustamento de gostos e feitios, que é sem dúvida importante, só a amizade verdadeira – como amor ao destino do outro, com o que isso implica de correcção fraterna, cedência, perdão e em última análise num imperfeito dar a vida pelo outro todos os dias em fracções infinitesimais – porque abençoada por Deus é capaz de dar gosto de vida nova a cada dia que passa.

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