Governar para a opinião

VIRIATO SOROMENHO-MARQUES
DN 2012-01-19
Querer estar sempre do lado da opinião maioritária é uma das doenças profissionais dos políticos de carreira, pelo menos em democracia. Por exemplo, nos EUA é possível distinguir um membro da Câmara dos Representantes de um membro do Senado, pelo simples facto de a máscara facial do representante ser a de um perpétuo sorriso. Com eleições de dois em dois anos, que os obrigam a viver em regime de campanha eleitoral (e recolha de fundos...) permanente, os Representantes não podem dar-se ao luxo de ostentar o semblante de "gravitas", que muitos dos Senadores revelam, ao colo dos seus confortáveis mandatos de seis anos. Na crise europeia, as coisas não são diferentes. Um amigo alemão aconselhou-me: se queres saber o que vai a Merkel dizer deves ler sempre a primeira página do Bild Zeitung (influente tabloide sensacionalista alemão). A verdade objetiva , a experiência histórica, a constante demonstração, pela força dos factos, de que uma estratégia política está errada, contam pouco se a tribo eleitoral do chefe lhe mantiver o apoio na sua aldeia nacional. Keynes alertava, sombriamente: "Parece ser melhor para a reputação falhar seguindo as convenções do que ser bem-sucedido por meios inovadores." Por isso, enquanto o navio Europa se aproxima do iceberg, mais se ouve, da torre de comando: "A todo o vapor!" Mas há políticos excecionais. Eles sabem que só a verdade, e não o preconceito maioritário, consegue indicar o caminho necessário para vencer e salvar o bem público. Não prometeu Churchill, em 1940, aos britânicos, um programa de verdade? Disse: "Sangue, suor lágrimas e trabalho." Sim. É verdade. Por isso, em 8 de maio de 1945 ganhou a guerra. Mas, também é verdade, que em 26 de julho de 1945 perdeu as eleições...

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