Uma sociedade desumanizada

RR on-line 31-01-2012
Francisco Sarsfield Cabral
Numa sociedade cada vez mais envelhecida e onde enfraquecem os laços tradicionais de família e de vizinhança, o individualismo está a ceifar vidas.
Na semana passada, duas idosas foram encontradas mortas no seu apartamento em Lisboa. Ao contrário de muitas outras pessoas de idade avançada, estas senhoras não viviam em andares altos de prédios antigos onde não existem mais habitantes.
O prédio era habitado por várias famílias. Apesar disso, ninguém se dera conta da tragédia. O que mostra até que ponto é grande o isolamento de velhos doentes que não têm família, nem amigos que os visitem e apoiem.
Só em Lisboa, no ano passado foram encontradas 79 pessoas mortas nos seus apartamentos. Depois do caso que referi, foram encontrados mais idosos mortos em casa.
E este drama macabro não acontece apenas nas grandes cidades. O bispo de Bragança, D. José Cordeiro, mostrou-se “incrédulo e preocupado” com o abandono dos idosos na sua diocese.
Numa sociedade cada vez mais envelhecida e onde enfraquecem os laços tradicionais de família e de vizinhança, o individualismo torna desumanas muitas vidas. Às vezes, até as mata.
É altura de parar para pensar na sociedade que estamos a construir ou a deixar construir.

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