terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Teologia do Corpo por S. João Paulo II

PASTORAL FAMILIAR DIOCESE DE COIMBRA  http://www.diocesedecoimbra.pt/sdpfamiliar/

A Teologia do Corpo é uma  longa catequese dada pelo Papa João Paulo II nas audiências de quarta-feira entre 1979 e 1984 sobre a sexualidade, o amor humano e a família.
Esse aspecto histórico é importante, pois ao longo deste tempo ocorreram dois acontecimentos de grande relevância. O primeiro foi o Sínodo dos Bispos de 1980 que cuidou da missão da família cristã; o segundo foi a Exortação Apostólica Familiaris consortio, publicada em 1981 como fruto daquele Sínodo.
Nessa Exortação, publicada, pois, na época em que era proferida a presente catequese, o Papa sugere "uma autêntica e profunda espiritualidade conjugal e familiar, que se inspire nos motivos da criação, da aliança, da cruz, da ressurreição e do sinal" (Familiaris consortio, 56c).
Nesta indicação do Santo Padre podemos encontrar luzes para construir uma espiritualidade que responda aos desafios enfrentados pela família às portas do Terceiro Milénio cristão. E essas luzes parecem brilhar com mais intensidade na presente catequese, na qual João Paulo II desenvolveu e aprofundou, justamente, os temas propostos, sobre uma base personalista.
São 129 catequeses, divididas em duas partes principais com uma síntese conclusiva: 
  1. a primeira, com 86 catequeses, medita as Palavras de Cristo sobre a Redenção do Corpo
  2. a segunda, com 42 catequeses, trata da Sacramentalidade do Matrimónio;
  3. depois, numa importante síntese conclusiva, o Papa termina o longo ciclo explicando alguns conceitos de modo a que o texto integral seja bem compreendido.
primeira parte, é dividida em três capítulos, que se dedicam à análise de três textos-chaves do Evangelho. 
  1. Temos, antes de tudo, o texto em que Cristo no colóquio com os fariseus faz apelo "ao princípio"  para revelar a unidade e indissolubilidade do matrimónio (cf. Mt.19,8; Mc.10,6-9). 
  2. Depois, temos as palavras pronunciadas no Sermão da Montanha sobre a "concupiscência" como "adultério cometido no coração" (cf. Mt.5,28) em que Cristo faz apelo ao coração humano. 
  3. Por fim, temos as palavras transmitidas por todos os sinópticos, em que Cristo faz apelo à ressurreição dos corpos no "outro mundo" (cf. Mt.22,30; Mc.12,25; Lc.20,35). 
Vê-se, pois, que nesta primeira parte, foram desenvolvidos os temas da criação e da ressurreição à luz da redenção operada por Cristo na cruz. 
segunda parte, dedica-se à análise do sacramento do matrimónio com base na Epístola aos Efésios (Ef.5,22-33) e está organizada em três capítulos. As reflexões são conduzidas na consideração das duas dimensões essenciais deste sacramento e da lei da vida que deste decorre:
  1. a dimensão da aliança e da graça
  2. a dimensão do sinal
  3. lei da vida como herança
O Papa, com os dois primeiros capítulos, completa o desenvolvimento dos temas por ele mesmo sugeridos para se construir uma autêntica e profunda espiritualidade conjugal e familiar. Embora esta catequese sobre O amor humano no plano divino não esgote completamente os temas sugeridos, não se pode deixar de considerá-la como valioso material de estudo e de formação. 
A essas reflexões, o Papa junta no terceiro capítulo uma reflexão sobre a Encíclica Humanae vitae, respondendo, com base personalística e bíblica, às interrogações do homem de hoje. Segundo o Papa, a doutrina desta Encíclica está em relação orgânica quer com a sacramentalidade do matrimónio, quer com toda a riqueza bíblica da teologia do corpo, contida nas palavras-chaves de Cristo. Em certo sentido, o Papa afirma que  "se pode até dizer que todas as reflexões que tratam da 'redenção do corpo e da sacramentalidade do matrimónio', parecem constituir um amplo comentário à doutrina contida precisamente na Encíclica Humanae vitae" (O amor humano no plano divino, 127, 2).
Esperamos que este material, tão rico e profundo, possa ser útil a todos os que dele fizerem uso.
Os mesmos temas são retomados por João Paulo II, de forma sintética, na Carta Apostólica A Dignidade da Mulher escrita em 1988.
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