Fátima, cem anos depois

JOÃO CÉSAR DAS NEVES     29.12.16   DN

Em 2017 Portugal era governado pela extrema-esquerda e vivia uma das maiores crises da sua história. Foi então que na serra de Aire, no meio do país mais profundo e atrasado, aconteceu alguma coisa. Ninguém pode negar que ali, naquele canto perdido da nação rural, aconteceu alguma coisa. Nem sequer a elite intelectual, então no poder, que se negou a aceitar o sucedido, o consegue negar. O povo, que a extrema-esquerda tanto despreza como crédulo, boçal, supersticioso, acorreu em massa, junto com as classes abastadas, também desprezadas. Mas até a imprensa do regime divulgou o acontecimento extraordinário. Fátima aconteceu.

Passaram cem anos. Portugal é de novo governado pela extrema-esquerda e vive uma das maiores crises da sua história. O país já não é rural e atrasado, e a serra de Aire deixou de ser um canto perdido. É mesmo a maior atração internacional de uma economia onde o setor do turismo é dos poucos dinâmicos. Neste ano, em maio, de novo em Fátima, vai acontecer alguma coisa que ninguém, nem sequer a elite intelectual e a imprensa do regime, pode negar. Multidões de todo o mundo vão confluir para aquele cantinho da serra. São pessoas tão variadas que ninguém pode classificar como povo boçal ou classe abastada. Fátima persiste.

Isto toda a gente vê. Mas aquilo que acontece em Fátima, hoje como há cem anos, é de ordem diferente. Para os olhos políticos, económicos e jornalísticos, é inegável que ali acontece alguma coisa. Mas essa realidade permanece invisível a muitos, que não veem o que ali realmente sucede. Observam os efeitos, sentem o impulso, admitem a força, mas não entendem o fenómeno, que o centenário torna ainda mais insólito.

Aquilo que aconteceu em Fátima, e que continua a acontecer cem anos depois, pertence ao mais profundo da cultura humana, algo que a elite intelectual há muito perdeu de vista. As multidões são atraídas a Fátima por algo muito simples, mas que é preciso ter o coração aberto para ver. No centro de Fátima está uma Senhora, que as crianças imediatamente identificaram como Nossa Senhora, que depois se apresentou como "a Senhora do Rosário", mas que muitos não sabem quem é. Fala daquilo que todos veem: guerras e perseguições, mas apresenta soluções diferentes. Soluções muito antigas, que o mundo ignora: "Rezem o terço todos os dias", "Sacrificai-vos pelos pecadores", "Não ofendam mais a Nosso Senhor que já está muito ofendido!".
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