O Estado, figura omnipresente na nossa vida…

30 Abril 2013, 00:05 por Camilo Lourenço | camilolourenco@gmail.com

Portugal não sabe viver sem o Estado. E o Estado não sabe viver sem a "protecção" que a sociedade civil lhe exige. Vem isto a propósito do protesto dos taxistas, ontem em Lisboa. Protesto, recordo, relacionado com os cortes do Ministério da Saúde nas verbas para pagar o transporte de doentes por táxi.
A páginas tantas alguém perguntava a um dos "protestantes" por que estava ali. E a resposta foi elucidativa: na zona onde vive, o seu rendimento cingia-se quase exclusivamente ao "contrato" para transportar doentes não acamados. Agora, com os cortes do Ministério da Saúde, os outros clientes não chegam para lhe rentabilizar o negócio. Ou seja, há um "empresário" que não sabe o que é diversificar o negócio e pensa que o Estado não pode fazer cortes na despesa… porque ele precisa de garantir a sua sobrevivência. E, por isso, decide vir protestar para São Bento.
O problema de Portugal é este: toda a sociedade se queixa que paga impostos vergonhosamente elevados. Mas é a própria sociedade que não aceita fazer o que tem de ser feito para baixar o nível de fiscalidade: cortar despesa.
Se juntarmos a isto o facto de até os partidos da governação (parte do PSD, grande parte do CDS e todo o PS) se mostrarem renitentes a fazer cortes de despesa, percebemos por que somos um país adiado: a sociedade portuguesa é uma sociedade clientelar. Sendo que o máximo denominador comum dessa clientela é o Estado, a instituição que em vez de salvaguardar o interesse geral dos cidadãos salvaguarda os interesses de uma dúzia de "lobbies".
Há forma de mudar este estado de coisas? Há. Pondo alguém a governar a partir do exterior. Mas não é isso que faz a Troika?

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