Dou, logo recebo

Pioneiro a defender um argumento jamais tido em conta no mundo da competitividade – afinal podem os bonzinhos (muitos vezes conotados como tolinhos) atingir o degrau cimeiro da escada do sucesso – o mais jovem professor da Wharton School of Business está a dar que falar em toda a arena dos negócios. O motivo? Quanto mais generoso se é, maior é a multiplicação do retorno
POR HELENA OLIVEIRA www.ver.pt, 2013-04-18
Durante décadas, a denominada literatura de gestão exortava os executivos a se comportarem como verdadeiros guerreiros, lutando até à morte na arena dos negócios, com os leões a personificarem os concorrentes. Um gestor ou um aspirante a tal cargo que se prezasse teria que ter lido (ou fingido, pelo menos) a Arte da Guerra de Sun Tzu, o Príncipe de Maquiavel ou os segredos implacáveis de Jack Welch, a "bomba de neutrões" que liderou a General Electric e a elevou ao estatuto de uma das empresas mais bem-sucedidas de sempre.
© DR
Por outro lado, quando se falava em atingir o sucesso, o enfoque recaia invariavelmente nos estímulos individuais como a paixão, a resiliência, o trabalho árduo, o talento e, é claro, um pouquinho de sorte. Mas, no mundo de hoje, o sucesso parece estar crescentemente dependente da forma como interagimos com os outros.
E esta é uma das principais teses que sustentam o livro Give and Take: A Revolutionary Approach to Success, do cientista social e mais jovem professor da Wharton School, Adam Grant, que passou a liderar vários rankings de vendas, mesmo que defenda um argumento raramente tido em conta no mundo da competitividade: afinal são os bonzinhos (muitos vezes conotados como tolinhos) que mais facilmente podem atingir o degrau cimeiro da escada do sucesso. O motivo? Em vez de se rentabilizar os contactos, a influência, o tempo, a informação ou o acesso, Grant sugere que quanto mais generoso se é, maior é a multiplicação do retorno.
Por esta altura, já o leitor deverá estar a bocejar e a pensar que este artigo não é para si. Afinal, desde quando é que as "boas pessoas" cruzam a meta em primeiro lugar? Mas esse é o verdadeiro trabalho de Grant. O psicólogo organizacional e professor de Gestão - ex-mergulhador olímpico e ex-mágico - espera convencer os seus leitores de que existe lugar para o bem no edifício do sucesso e que este não terá forçosamente que ter lugar nas suas caves. Pelo contrário. As histórias e estudos que preenchem o livro dão exemplos mais do que ilustrativos de que os executivos generosos (e outras espécies) podem ser tão ou mais bem-sucedidos do que os seus pares ambiciosos e calculistas.
Mas e para começar a desenrolar a teia desta nova teoria, há que perceber primeiro os três tipos de "espécies" que existem no local de trabalho. Os givers – que dão sem receber nada em troca, os takers – que tiram e extraem benefícios dos outros para seu único proveito e os matchers – que são governados por trocas equilibradas de favores [dado que nem sempre a língua inglesa funciona bem quando traduzida para o português, optámos por manter a terminologia utilizada pelo autor].
Em traços gerais e segundo Grant, as atitudes no local de trabalho tendem a ser, predominantemente, tomadas pelos matchers, os quais se empenham em atingir um equilíbrio de reciprocidade (uma espécie de "ajudo-te se tu me ajudares a mim"); já os givers são considerados como demasiado "moles", apesar de serem reconhecidos como dignos de confiança e os takers são percepcionados como insensíveis e hiperdominantes. (continuar a ler aqui…)

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