Adeus, Miguel Relvas

Miguel Esteves Cardoso Público 08/04/2013
Basta de bullying do Miguel Relvas. Também contribuí, pelo que não me escuso da palmatória. Contra mim também falo.

Quantos licenciados legítimos são mais burros, ignorantes e inúteis do que Miguel Relvas? Muitos, muitos. A reacção histérica ao prefixo "Dr." ao nome dele dá a ideia que a grande maioria dos que o alcançaram sem artimanhas são, em todos os sentidos, melhores do que ele.
Miguel Relvas não foi um idiota preguiçoso. Foi - e é - um político profissional. Sem políticos profissionais, estaríamos tramados. E mal de nós se exigíssemos que eles fossem todos licenciados. Alto aí: esqueci-me que é precisamente isso que exigimos. Bem me parecia que já estávamos tramados há muito tempo. Miguel Relvas é um ser humano e um cidadão e tem sido maltratado por ser humano. Portou-se muito mal com o PÚBLICO mas isso não faz dele um monstro. Foi um pânico, um momento de chantagem e de ameaça machistas. Foi horrível. Mas foi apenas um mau dia no meio de meses e anos de bem ou de boa vontade. Nada houve de novo: é uma pessoa que se engana e se protege, como todos nós. Se o ódio público - ou, pior, o desdém - por ele fosse sincero, eu calar-me-ia. Mas não é. É um alvo fácil. É um bode expiatório. É uma vítima da snobeira social e académica.
É triste que o êxito político dele, que não é fácil nem pouco concorrido, tenha sido prejudicado pelo facto de ele ter sido vulnerável a aspectos mais fáceis de uma já de si falsa legitimação.

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