quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Verdade e mentira

POVO 14.09.16 
Chamo hoje a atenção especialmente para o hábito que se enraíza no discurso público de dizer mentiras. Não são apenas imprecisões, diferentes interpretações possíveis, promessas imprudentes que acabam por não ser cumpridas, mas mentiras mesmo. Não são inverdades, são mentiras. Porque temos que estar preparados para distinguir a mentira da verdade e quem mente de quem não mente, vale a pena ler três artigos recentes que analisam esta tendência. 
Em António Costa no país do cinismo Rui Ramos atribui isto à "teoria da narrativa" que já vem do tempo do Eng.º José Sócrates: O princípio da teoria é expedito: não há factos partilháveis entre adversários políticos, não há informação independente dos interesses de cada um; cada partido pode e deve construir a sua própria "realidade", sob pena de viver na realidade imposta pelo seu adversário.
Henrique Monteiro em Momentos 'ministro da Defesa do Iraque' atribui ao discurso mentiroso uma tendência para negar a realidade, mas conclui que há deliberação em enganar, citando Lincoln "pode-se enganar todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo, mas não se pode enganar a todos todo o tempo".
Em A "bullshit" de António Costa, Henrique Raposo acrescenta um ponto de vista novo que é o de que o mentiroso conhece os factos, conhece a verdade, sabe que está a mentir; porém, como já não tem qualquer adesão à realidade, a diferença entre verdade e mentira é … indiferente, porque ele não sabe se está a dizer a verdade ou a mentira, nem pretende esconder uma mentira específica no meio da verdade.
Admitamos que é difícil procurar a verdade no meio desta confusão toda.
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