sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Memória do Cardeal François-Xavier Van Thuân

POVO 16.09.16 
síntese de Victor Cabrita, 2016.09.16
Faz hoje 14 anos que faleceu o Cardeal François-Xavier Van Thuân. A sua história, de resistência e amor, é inspiradora. Em 1975 estava a chegar ao fim a guerra do Vietname. Logo após a conquista da capital Saigão, os guerrilheiros do regime comunista d Ho Chi-Minh tentaram silenciar o bispo Van-Thuân e prenderam-no. Foram 13 anos de cadeia, de privação da liberdade, com largos períodos de isolamento total. Nada, porém, demoveu este homem de aspecto frágil e sorriso bondoso. Como recordou mais tarde, esses anos foram como "uma tortura mental no limite da loucura". Esteve encarcerado em várias prisões sinistras, numa delas numa cela de 2 metros quadrados, extremamente húmida, sem janelas, numa escuridão total, sem de lá sair durante meses. Foi sujeito a variadas situações extremas, sempre na tentativa de o vergar, e apesar do seu aspecto frágil, apesar da violência da prisão, Van-Thuân nunca se rendeu, nunca foi vencido. Fez da oração diária, persistente, a força que lhe permitia suportar tudo. Deixam-no escrever uma carta a amigos. Pede-lhes um pouco de "xarope como remédio" para curar as dores de estômago.

Os guardas nunca perceberam do que se tratava. Assim, usando umas gotas de vinho doce, o tal xarope, conseguiu celebrar as "mais belas missas" da sua vida: "Todos os dias, com três gotas de vinho e uma de água na palma da mão, celebrei a Missa. Era este o meu altar e era esta a minha catedral!". Não haveria outro preso como ele. Pequeno, simpático, sorridente, cativante, era perigoso por isso. Ao mal, ao ódio, respondeu com o amor, com o bem, com o perdão. Q fazer com alguém assim? Acabaram por libertar Van-Thuân ao fim de 13 anos, a 21 de Novembro de 1988, sem nunca ter tido julgamento ou qualquer condenação. Fica em residência fixa até 1991, e depois é obrigado a abandonar o Vietname. Vive o exílio em Roma. O Papa João Paulo II nomeia-o para o Conselho Pontifício Justiça e Paz. Em 2001, quando é nomeado Cardeal, já estava bastante doente e morre a 16 de Setembro de 2002. 
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