Comunistas, eutanásia e injeção atrás da orelha

JN 04.03.2016
JOSÉ MANUEL SILVA

Já se viveu o pavor dos comunistas, que comiam criancinhas ao pequeno-almoço e matavam velhinhos com uma injeção atrás da orelha. Ninguém tinha visto, mas todos tinham ouvido dizer, portanto, era verdade... Afinal, o 25 de Abril veio desmontar o boato laboriosamente construído pelo Estado Novo.
Atualmente, "todos" têm a certeza, até porque a querem ter, para mais facilmente justificarem a sua legalização, que a eutanásia "por baixo do pano" é comum nos hospitais portugueses, com a conivência cúmplice de médicos e enfermeiros! Porém, afinal, ninguém assume que viu, ninguém denunciou nenhum caso concreto, mas todos ouviram dizer...
Pessoas que não distinguem eutanásia, distanásia ou ortotanásia, que pensam que "desligar a máquina" ou a sedação terminal são eutanásia, que não sabem que não é necessário antecipar a morte "a pedido" para se morrer com dignidade e sem sofrimento, que desconhecem os recursos das unidades de dor e das de cuidados paliativos, discutem a eutanásia como catedráticos na matéria...
As declarações irrefletidas da bastonária dos Enfermeiros, que afetaram a credibilidade de médicos e enfermeiros e que a mesma veio a desmentir, apenas vieram lançar ruído e minar a confiança dos portugueses nos profissionais de saúde.
Igualmente graves foram as alegadas declarações de um alegado enfermeiro, feitas sob cobertura de anonimato, que afirma que viu casos de eutanásia com injeções de ar e "bolas" de morfina. Um enfermeiro não produziria declarações tecnicamente tão erradas, nomeadamente dando a ideia que é fácil matar com injeções de ar nas veias e que a morte seria tranquila! É o contrário... Por outro lado, só ele é que viu tantos casos? Mais ninguém viu e ninguém denunciou? Como pode um jornalista acreditar num enfermeiro, a existir, que demonstrou que não tinha ética, nem deontologia, nem caráter e que calou os crimes que observou? Acredito que a "informação" seja totalmente mentira.
A Ordem dos Médicos enviou esta notícia para o Ministério Público e espera que seja quebrado o segredo profissional, pois não podem ser levantadas suspeitas desta dimensão, gravidade e implicações sem uma investigação esclarecedora, doa a quem doer.
Declarações incendiárias e não fundamentadas nada mais fazem que elevar o nível de conflituosidade na saúde. Os familiares irão começar a desconfiar se o seu familiar falecido num hospital foi eutanasiado "por baixo do pano".
Iremos viver agora o pavor e paranoia da "injeção atrás da orelha" nos velhinhos hospitalizados, com o inerente cortejo de péssimas consequências?
Repito, não há eutanásia explícita ou encapotada nos hospitais e os portugueses podem confiar nos seus médicos e enfermeiros, que são profissionais dignos, respeitadores e com ética.
Haja bom senso e prossiga um debate sereno sobre eutanásia.
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