segunda-feira, 14 de março de 2016

O pintor que nasceu duas vezes e que já não morre mais


Há escritores fantasma e pintores fantasma. Durante 300 anos, a obra de Georges de La Tour foi atribuída a outros artistas, uns espanhóis, outros holandeses e alemães. Uma exposição leva ao Museu do Prado 31 das suas 40 pinturas. Pinturas dominadas pela luz, mesmo quando as sombras são muitas.

Na sua pintura os anjos não têm asas e há muitas vezes pouca luz. Muitos dirão a luz certa. As ambiguidades sucedem-se e tornam impossível datar as obras e até mesmo dar-lhes um nome para constar de uma ficha de inventário ou da entrada de um catálogo. Será Maria e o Menino Jesus ou apenas uma cena do quotidiano em que uma mãe olha para o seu filho que nasceu há dias? É que em Georges de La Tour, se os anjos podem não ser alados, também os santos passam bem sem halos e o bebé no colo da Virgem pode dispensar quaisquer sinais de divindade. Esta é, aliás, uma das suas originalidades. Mas há outras.
O Museu do Prado, em Madrid, foi à procura delas e apresenta agora uma exposição monográfica do artista que esteve quase 300 anos esquecido e cujo nome reapareceu há precisamente um século, em plena Primeira Guerra Mundial. Pintor de reis, duques e cardeais, numa época em que a Lorena, onde nasceu, se batia pela sua independência e era um território assolado por conflitos, fomes e epidemias, La Tour é hoje um dos nomes mais reconhecidos da pintura francesa, a par de Monet ou Cézanne. A sua popularidade, explica um dos comissários, nasce de uma conjugação de factores que passam pela “elevada qualidade da sua obra”, pelos “múltiplos sentidos” que nela encontramos e pelo mistério que ainda rodeia este homem do século XVII que parece ter nascido duas vezes: a primeira em 1593, em Vic-sur-Seille, a segunda em 1915, quando o historiador de arte alemão Hermann Voss definiu, num artigo de apenas uma página, um pequeno conjunto de trabalhos cuja autoria era atribuída a vários pintores como sendo produto de um só homem. “La Tour é um mistério que resiste. Cada nova pintura atribuída, cada nova interpretação ou documento pode apontar numa direcção totalmente diferente. Quando falamos de La Tour raramente estamos em terra firme”, diz Dimitri Salmon, colaborador do departamento de pintura do Museu do Louvre e autor de Georges de La Tour Histoire d'une Redecouverte (com Jean-Pierre Cuzin).
Em Saint Joseph charpentier José e Jesus podem ser vistos como um pai e um filho em toda a sua humanidade. Não há símbolos religiosos evidentes, embora a luz possa ser lida como divina. A criança protege quem olha da intensidade da chama CORTESIA: MUSEU DO PRADO
Salmon, que divide o comissariado de Georges de La Tour 1593-1652 com Andrés Úbeda, conservador-chefe de pintura italiana e francesa do Museu do Prado, é um apaixonado pelo pintor de Le Nouveau-né desde que foi assistente dos historiadores que organizaram a grande exposição que lhe foi dedicada em 1997, no Grand Palais, em Paris, até hoje a monográfica mais concorrida de sempre em França (teve 530 mil visitantes, segundo Úbeda). Percorre as galerias pintadas a cinzento escuro e com uma luz cuidadosamente doseada de forma a fazer sobressair as pinturas demorando-se em pormenores: a lupa do S. Jerónimo que aumenta mesmo o tamanho das letras, as estratégias a que o artista recorre para que a luz das velas não encadeie em La Madeleine pénitente (au Mirroir) ou em Saint Joseph charpentier, o poder de atracção do Menino daquela L'Adoration des bergers a que nem o cordeiro escapa. “Há sempre qualquer coisa a mexer-se na pintura de La Tour – pode ser uma chama, podem ser os olhos ou as mãos.”
São precisamente os jogos de mãos e de olhares que intrigam em muitas das 31 pinturas agora expostas em Madrid, um número impressionante quando o corpo de obras atribuídas a La Tour não ultrapassa as 40. Vieram de 17 países, de coleccionadores privados (a rainha de Inglaterra está entre eles) e de acervos públicos, como os dos museus Metropolitan (Nova Iorque), Louvre (Paris), J. Paul Getty (Los Angeles), National Gallery (Washington) ou os museus de Belas-Artes de Nantes e de Rennes.
Montar esta monográfica, diz o comissário espanhol, foi um enorme desafio, já que as obras de La Tour são hoje disputadíssimas e consideradas “verdadeiras jóias” pelos conservadores que as têm à sua guarda em alguns dos museus mais importantes do mundo. Há dez anos, aliás, que o Prado sonha com esta exposição, disse aos jornalistas o seu director, Miguel Zugaza, no dia da inauguração. Há dez anos, explicou, porque foi em 2005 que José Milicua, historiador de arte a quem é dedicada, “descobriu” num escritório do Instituto Cervantes o S. Jerónimo que hoje faz parte da colecção do Prado (já lá iremos, com Dimitri Salmon).
“Aqui quisemos mostrar apenas as obras que, tanto quanto possível, são de autoria indiscutível”, precisa Úbeda, sendo que “o indiscutível em La Tour tem muito que se lhe diga”. Dimitri Salmon explica: “As atribuições que fazemos não estão escritas na pedra, evoluem. Mas as que temos hoje são tão informadas quanto possível. É claro que, se entretanto aparecer outra obra, muita coisa poderá ter de ser revista. De repente essa nova obra pode mostrar-nos que uma cópia é um original ou vice-versa. O catálogo de La Tour é um work in progress, está longe de estar fechado.”
Entre as 31 obras expostas não estão, por exemplo, desenhos nem esquissos, não há retratos nem paisagens, não há pinturas históricas nem de retábulo. Porquê? Simplesmente porque não se conhecem nenhuns que tenham saído da mão do artista francês. O conservador do Prado não tem dúvidas de que, contando que os historiadores continuem a estudá-lo, La tour continuará a “revelar-se”. O que já se conseguiu saber até aqui, no entanto, parece já muito para um artista que foi ignorado durante quase três séculos, mesmo que a sua obra continuasse a ser admirada. Uma obra quem tem, diz Andrés Úbeda, uma enorme carga metafísica e uma posição moral demarcada, algo que parece resultar de uma grande reflexão sobre as escrituras e não apenas do trabalho de um artista devoto que aceita porque acredita sem pensar mais no assunto. “La Tour não é só um artista original – é uma personalidade original.”
Dois pintores num só?
Dividida em três grandes módulos, a exposição traça um percursos cronológico que começa com um conjunto de obras em que o artista explora temas como a fome e a miséria a partir de uma série de tipos populares. Entre as pinturas que merecem maior destaque neste núcleo está a que representa dois homens que medem forças, um deles com uma faca, eventualmente um músico que finge ser cego, e o outro atirando-lhe sumo de limão para os olhos procurando expor o logro (La rixe des musiciens). Noutra, que chegou a ser cortada ao meio para que as figuras pudessem ser vendidas em separado, está um casal de mendigos a comer ervilhas (Les mangeurs de pois).
La diseuse de bonne aventure é uma das jóias da colecção do Museu Metropolitan, em Nova Iorque. Provocou escândalo nos anos 1960 quando o então ministro da Cultura, André Malraux, autorizou a sua exportação para os EUA. O Louvre queria a obra CORTESIA: MUSEU METROPOLITAN
A pobreza, embora não em nome próprio, era algo que o pintor conhecia de perto. A região em que nasceu, e onde terá vivido sempre, esteve envolvida na chamada Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), sendo devastada por fomes, pragas, incêndios e epidemias. Muitos eram os que vagueavam pelas ruas pedindo esmola ou enganando os mais abastados, como o que se vê na jóia do núcleo central, La diseuse de bonne aventure, obra do Metropolitan de Nova Iorque, um tema que pode ser imediatamente associado a Caravaggio (1571-1610), a quem a obra de La Tour parece dever muito. Nesta pintura cuja venda a um museu americano causou escândalo nos anos 1960 e obrigou o ministro da Cultura e escritor André Malraux a responder perante os deputados, um homem fita uma velha cigana que terá acabado de lhe ler a sina. Está rodeado de mulheres jovens e bonitas que se entreolham, enquanto uma está prestes a meter-lhe a mão no bolso.
De cada um dos lados de La diseuse... estão duas versões de um mesmo tema, que também lida com o engano e o artifício: Le tricheur à l'as de carreau e Le tricheur à l'as de trèfle. Num jogo de cartas, três personagens trabalham em conjunto para ludibriar uma quarta, um rapaz ricamente vestido. Este par de obras prova, tal como na sala imediatamente anterior o provavam os dois S. Jerónimos penitentes, que o artista francês podia fazer séries com o mesmo tema, mas nunca cópias, explica o consultor do Louvre.
Le Songe de Saint Joseph mostra-nos um anjo sem asas e com um género por definir. Georges de La Tour, dizem os historiadores de arte, tratava os temas religiosos comuns a tantos outros pintores com grande originalidade CORTESIA: MUSEU DE BELAS-ARTES DE NANTES
A fechar o percurso ficam as obras carregadas de sombras, talvez as mais misteriosas. São cenas religiosas que podem ser vistas como cenas do quotidiano, iluminadas pela chama de uma vela, cuja luz nos chega directamente ou que se dissipa suavemente pela pintura, porque uma das figuras representadas parece ter decidido proteger quem a olha da sua intensidade. É nas salas finais que vemos Job com a sua mulher – um dos anjos sem asas de La Tour, assim como a criança (será um rapaz ou uma rapariga?) que aparece em Le Songe de Saint Joseph -, que vemos duas das suas Madalenas, uma delas ao espelho.
Durante muitos anos, diz o comissário francês, pensou-se que havia em La Tour dois pintores: primeiro o das cenas diurnas, muitas vezes erradamente atribuídas a espanhóis como Velázquez e Zurbarán, e depois o das nocturnas, que se julgava pertencerem a artistas holandeses e alemães (incluindo Albrecht Dürer).
“Hoje olhamos para La tour de uma maneira muito mais complexa, muito mais realista. Uma maneira que abre o campo de pesquisa a novos horizontes”, diz Dimitri Salmon. “Acreditamos que estes dois géneros picturais foram desenvolvidos em paralelo, são concomitantes.”
Foi por parecerem registos absolutamente distintos que durante tanto tempo foi possível “esconder” La Tour sob outros nomes. “Era difícil para muitos historiadores pensar que, perante tamanha riqueza, estaria apenas um artista.”
Le Nouveau-né do Museu de Nantes, por exemplo, era visto como sendo de um dos irmãos Le Nain ou do holandês Godfried Schalcken, lembra o historiador francês, enquanto La Femme à la puce, de Nancy, era considerado um quadro de Gerrit van Honthorst… “As suas pinturas nunca deixaram de ser admiradas e consideradas. Muitos nomes da grande pintura espanhola foram invocados perante as suas obras: Zurbarán, Velázquez, Murillo, Ribera… La Tour foi sempre um muito bom pintor, mesmo que a história tivesse esquecido o seu nome.” E porque é que o esqueceu?
Mistério biográfico
Nascido em Vic-sur-Seille, em 1593, Georges de La Tour terá passado toda a sua vida no ducado da Lorena, vindo a morrer na sua “capital”, Lunéville, em 1652. Pouco ou nada se sabe sobre os seus anos de formação, que terá completado por volta dos 17 anos. Hoje é mais ou menos consensual que terá aprendido o ofício no atelier de um pintor local Jacques Bellange, discutindo-se muito a possibilidade de ter viajado por Itália ou pelo Norte da Europa, entrando em contacto com a pintura de Caravaggio e de artistas holandeses e alemães, mas não há documento algum que a comprove. O que se sabe é que aos 24 anos era já pintor, provavelmente com atelier aberto e aprendizes a seu cargo.
“La Tour é uma personalidade extraordinária, com uma linguagem muito especial, capaz de criar personagens imediatamente reconhecíveis. E tudo com um domínio da técnica – na luz, na cor, no desenho – incrível, mas para o compreendermos melhor, precisávamos de saber mais sobre a sua vida, sobretudo os anos de formação. Isso seria muito mais importante do que saber mais sobre a forma como funcionava o seu atelier ou quem eram os seus clientes”, diz Úbeda. Salmon concorda: “Conhecer melhor a sua biografia, a bagagem visual que carregava, é fundamental.”
Os poucos documentos identificados relativos a La Tour dão conta de um pintor de sucesso, com uma clientela segura. Dizem-nos também que era um homem difícil que chegou a dar um pontapé a um funcionário que lhe exigia que pagasse os impostos e que ameaçou outro com uma pistola, acrescenta o historiador, pedindo cautela na leitura destes elementos: “O arquivo fiável que podemos construir é muito escasso e fragmentário. Tirar dele um retrato da pessoa é como se aceitássemos julgar Picasso depois de ter encontrado apenas três fracturas por pagar ou um registo de problemas com a vizinha. É preciso não misturar as épocas. O século XVII foi um período muito rude, duro. Temos de evitar pegar nestas provas materiais para julgar La Tour com o nosso olhar do século XXI.” Mesmo que nem sempre o honrem, reconhece Salmon, estes documentos ajudam a adensar o mistério: “Se ele fosse apenas o homem que estes papéis revelam, como podemos nós explicar que as suas pinturas tenham tamanha densidade espiritual, tal profundidade, tal beleza, mesmo que a palavra não queira dizer grande coisa, uma tal doçura, por vezes?”
Uma de duas versões de Saint Jérôme pénitent presentes na exposição de Madrid
Irascível ou não, certo é que La Tour, depois de ter sido pintor da corte de Luís XIII e de ter tido na sua carteira de clientes coleccionadores como o duque da Lorena, Richelieu (sim, o maquiavélico cardeal do romance de Alexandre Dumas), o ministro das Finanças Claude de Bullion e o arquitecto André Le Nôtre, o grande paisagista de Versalhes e da corte de Luís XIV, viu o seu nome desaparecer.
Isto explica-se, em primeiro lugar, diz Salmon, pelo facto de a sua obra ter passado completamente de moda. “Ele é um dos últimos pintores de um certo caravagismo internacional, ou se quisermos, francês, que deixou de agradar. O gosto passou desta pintura mais naturalista para uma linguagem mais clássica. E os grandes coleccionadores que tinham pago bom dinheiro por um La Tour deixaram de o querer na sala de visitas e arrumaram as suas pinturas no sótão.” Sótãos em palácios que poderão ter sido arrasados na Guerra dos Trinta Anos ou, como os conventos e igrejas para onde poderá ter pintado retábulos, destruídos na Primeira e Segunda guerras mundiais. O seu atelier também foi atacado no século XVII, o que muito provavelmente terá contribuído para a inexistência de cartões (usados para transpor determinada composição de um quadro para outro) ou estudos preparatórios.
“Encontrámos muito poucas obras de La Tour na Lorena – a maior parte das pinturas, das obras-primas às mais modestas, estava fora da região.”
Um triunfo
A partir do momento que foi “redescoberto” por Hermann Voss, em 1915, e depois recuperado para o público em geral em exposições que se tornaram marcos, como a de 1934 (Os Pintores da Realidade em França no século XVII) e as duas monográficas de 1972 e 1997, todas em Paris, Georges de La Tour ganhou a sua imortalidade, sendo considerado um verdadeiro “original”. Porquê? Em parte, diz o historiador, porque a multiplicidade de interpretações que a sua obra sugere é muito inclusiva: “As cenas que retrata, para uns religiosas, para outros absolutamente seculares, não deixam muita gente de fora.” São obras que, resume Úbeda, são de uma “religiosidade laica” que agrada a muitos.
“La Tour é um triunfo da arte, mas também um triunfo da História de Arte”, defende Salmon, partindo do trabalho de Voss e de todos aqueles que têm olhado criticamente para o percurso do artista francês, incluindo os pintores das vanguardas da primeira metade do século XX. “É muito interessante perceber que os artistas dos anos 1930 têm um papel fundamental na redescoberta de La Tour. Alguns dos cubistas e surrealistas que se batiam por ver reconhecidos os seus ideais plásticos, a sua estética, olham para La Tour e dizem: ‘Mas aqui estão as formas simplificadas, aqui estão as grandes superfícies de cor, aqui está a iluminação em bruto que dá às figuras um tratamento escultural que as faz sobressair, aqui está a abstracção de uma figura iluminada por uma vela.’ E, de repente, La Tour transforma-se num dos pais do cubismo, do surrealismo, num dos pais de uma série de ismos… Todo este entusiasmo, toda esta curiosidade em relação a La Tour e à sua obra, não parou de crescer desde aí. Uma bola de neve maravilhosa.”
Saint Jérôme lisant pertence hoje à colecção do Prado. Foi descoberto num gabinete do Instituto Cervantes em 2005. “Estava na parede como se fosse um simples poster de Magritte ou de Matisse. Era simplesmente decorativo”, diz o comissário francês CORTESIA: MUSEU DO PRADO
A abstracção e as tais formas simplificadas estão presentes no Saint Jérôme lisant que o Prado tem na sua colecção (e no que pertence à rainha Isabel II, também na exposição). “Esta composição – S. Jerónimo de cabeça baixa, olhos pousados sobre a carta – é uma criação de La Tour. Não se encontra noutro pintor do seu tempo ou antes dele. Sei que a palavra está gasta, mas esta é uma obra de grande modernidade em que ele opta pela abstracção de ter uma grande mancha branca sobre uma grande mancha vermelha, como na pintura abstracta americana.”
O vermelho exuberante desta pintura contrasta com os tons escuros de muitas das obras do núcleo que fecha a exposição, sobretudo com a última que lhe é atribuída, Saint Jean-Baptiste dans le désert, descoberta em 1993. Há nela um silêncio imenso, uma enorme austeridade e alguma estranheza. Salmon concorda com a leitura. O silêncio é, aliás, uma das “marcas nocturnas” de La Tour, como se ao olhar determinada pintura estivéssemos a invadir o quarto de alguém que quer estar sozinho, explica. Nesta composição, S. João Baptista aparece muito jovem e magro, tem o cabelo liso e longo e um rosto de traços finos, bonito. “É uma obra que nos mostra que La Tour evolui continuamente, até ao fim”, diz o conservador Andrés Úbeda. “As suas pinturas vão perdendo o seu carácter narrativo, vão-se tornando cada vez mais solitárias e misteriosas. Mas há um elemento que se mantém – o facto de o mundo estar ausente. Não há paisagem, não há mar nem rio, não há vegetação, só pedras. [O historiador de arte Jacques] Thuillier dizia que La Tour não amava o mundo. Se calhar tinha razão.”
A exposição termina a 12 de Junho.
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