segunda-feira, 28 de março de 2016

Bancos de Portugal

Luciano Amaral, CM 28.03.2016 00:30

A banca portuguesa precisa de um enquadramento legal que a torne transparente e eficiente. 

Nem de propósito: no meio de tanta discussão sobre nacionalização de bancos e os "perigos" da "espanholização" da banca portuguesa, descobrimos que o défice orçamental do ano passado foi de mais 2 mil milhões de euros, por causa do BANIF. Eis algo que nos recorda quanto custou a todos, neste caso, tanto a "portugalidade" da propriedade como a nacionalização. Mas a factura dos contribuintes no que toca aos bancos, que se entretiveram em negócios desastrosos nas últimas décadas, não fica por aqui: já vai em mais ou menos 10 mil milhões – podendo chegar a 15, dependendo do que acontecer ao Novo Banco. Grande parte do custo vem do BPN e do BANIF, bancos bem portugueses que alguém se lembrou de nacionalizar a certa altura. Diz que o banco público, a Caixa Geral de Depósitos, precisa de um reforço de capital. Dos bancos a actuar em Portugal, o único que não pediu assistência pública foi o espanhol. É para derretermos fortunas que precisamos de bancos portugueses e de bancos nacionalizados? Como muito bem notou Luís Aguiar-Conraria no jornal online Observador, o que a "espanholização" da banca pode fazer é tornar mais difíceis as negociatas entre amigos à volta de investimentos ruinosos. Curiosamente, a "espanholização" preocupa imenso, mas já a "angolanização" (e presume-se que a "chinesização" também, a avaliar por outros casos) é acolhida freneticamente. Talvez porque o capitalismo de compadrio desses países se aproxime mais dos nossos hábitos do que as práticas empresariais de um país mais desenvolvido e com instituições mais fortes do que o nosso. A banca portuguesa precisa de muita coisa, nomeadamente de um enquadramento legal que a torne transparente e eficiente. Mas nem a nacionalidade dos proprietários nem o facto de ser pública resolve isso. Se é para continuarmos a pensar assim, é melhor mesmo virem os espanhóis.
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