Páscoa

Inês Teotónio Pereira
DN 20160326

Dizia-me um padre que a nossa grande e mais importante missão como pais é educar os nossos filhos como cristãos. Coisa que, apesar de católicos, a esmagadora maioria dos pais relativiza. Comigo à cabeça. Educar um filho a ser cristão exige mais dedicação do que prepará-lo para entrar no MIT ou nos jogos Olímpicos - não há explicações ou treinadores que nos valham. Educar implica dar o exemplo, ter firmeza, muito amor, estabelecer regras, etc.; são 24 horas sobre sete dias até ao dia em que finamos. E a lista de propósitos não tem fim: é preciso que os nossos filhos sejam honestos e corajosos, trabalhadores e responsáveis, generosos e íntegros; que não tenham privações, que sejam cultos, viajados e que dominem mais de uma língua; que consigam conciliar tudo isto sendo ao mesmo tempo competitivos e ambiciosos. Homens e mulheres de sucesso, sérios, modernos e que saibam comer à mesa, resumindo. Ora, no meio desta maratona, vem o padre e diz isto: esqueça, o que interessa é a fé, se querem que eles sejam felizes, eduquem-nos como cristãos. Raios: é que para isso temos de ser também bons cristãos, não basta o resto.
Depois vem a Páscoa. É o tempo em que as crianças questionam tudo. Tudo mesmo. O que é ressurreição, por que é que não se come carne à sexta-feira, se Jesus é Deus porque é que não deu uma sova aos romanos e foi à sua vidinha, posso não ir à Via-Sacra? E é então, que nós, pais católicos e imperfeitos, tentamos dar o nosso melhor: responder e ser coerentes. Ora, a coisa mais difícil que se pode pedir a um pai é que seja coerente. Não somos. Nós queremos mais e melhor para os nossos filhos do que aquilo que temos e somos. Em questões de fé, então, nem se fala. Ora, na Páscoa a coisa complica-se: na Páscoa não há presentes, por isso, a emoção que se vive nesta época depende apenas de nós, sem a ajuda do Pai Natal. A Páscoa é por isso o teste do algodão da nossa educação cristã: entre a Via-Sacra e um cineminha, quem ganha?
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