segunda-feira, 16 de maio de 2016

O cair das máscaras

Económico 12 Mai 2016 Raul de Almeida

Onde estará a humanidade e o coração das esquerdas sobre natalidade e família? Não se ganha por repetição, por favor dos ideólogos, nem por decreto; conquista-se na acção, na prática reiterada, na coerência entre pensamento e acção.

Acho que ao longo dos muitos artigos de opinião que já escrevi para o Diário Económico tem ficado claro que não uso este espaço para fazer promoção política do partido a que pertenço. É um princípio a que me obrigo, não escrever aqui para promover o partido, nem falar a partir daqui para dentro do partido. Há outros locais e enquadramentos para fazê-lo.
Por isso, quando o CDS protagoniza um momento político de interesse nacional, sinto-me perfeitamente à vontade para escrever sobre o tema; principalmente se este se cruza com preocupações que venho partilhando publicamente há muito tempo. Falo, como é óbvio, do pacote de medidas sobre natalidade e família.
Esta iniciativa teve duas consequências importantes, a primeira no plano social, a segunda no plano político. No plano social, é um contributo sério e bem estruturado, uma evolução e consolidação de um trabalho começado no consulado de Paulo Portas, que provoca mais reflexão na sociedade, que convoca os diferentes actores à participação e participa com ideias, princípios e propostas concretas para as questões que enuncia. Os diferentes temas abordados são tratados com a seriedade e a profundidade que exigem e merecem.
No plano político, teve o condão de pôr a hipocrisia da esquerda a nu. A mesma esquerda que se assume com o direito superior de governar a qualquer custo e em qualquer circunstância, que se arroga intérprete iluminada da vontade do Povo e monopolista da política do coração, acaba de se desmascarar perante este processo.
Onde a direita humanista propõe condições especiais para mães de bebés prematuros, respondendo a necessidades básicas específicas destes casos, as esquerdas unidas ignoram o problema.
Onde a direita humanista propõe majoração do abono de família para famílias com pessoas com deficiência a cargo, cumprindo critérios da mais elementar justiça, as esquerdas unidas rejeitam desumanamente.
Onde a direita humanista propõe estimulos às empresas com comportamento familiarmente responsável, as esquerdas unidas chumbam.
Onde a direita humanista propõe alargar o acesso de casais jovens a programas facilitadores de acesso à habitação, as esquerdas unidas negam-no.
Onde a direita humanista propõe a possibilidade de antecipação da licença de maternidade para um tempo pré-parto, com toda a lógica, as esquerdas unidas evitam-no.
Onde estará a humanidade e o coração? Não se ganha por repetição, por favor dos ideólogos, nem por decreto; conquista-se na acção, na prática reiterada, na coerência entre pensamento e acção.
As esquerdas unidas, acomodadas na suposta superioridade moral a que se arrogam desde a Revolução Francesa, com a imposição permanente de uma cartilha jacobina, dispensam-se de agir. Subtraem-se a governar servindo o Povo, porque se vêem como isentas de escrutínio, abrigadas numa perpetuação dogmática de falsos valores, que lhe tem valido os favores dos bem pensantes e a desgraça das nações que governam.
Sim, é preciso dizê-lo sem tibiezas: com a rejeição cega e desumana deste pacote de medidas dos democratas-cristãos, as esquerdas unidas portuguesas voltaram as costas às mães e aos pais do país, às famílias mais alargadas, ao futuro da sociedade portuguesa. Sem coração. Sem nenhuma razão.
A preocupação das esquerdas unidas é a facilitação do aborto, não é o nascimento com melhores condições.
A preocupação das esquerdas unidas é torpedear o conceito de família, não é apoiar e incentivar as que querem crescer e prosperar.
A preocupação das esquerdas unidas é alimentar Mário Nogueira e a Fenprof, não é oferecer às famílias opções para a educação dos filhos nem promover a qualidade, como se vê no ataque ideológico cerrado às escolas com contrato de associação.
A preocupação das esquerdas unidas é a defesa das corporações que as sustentam, não é a defesa dos mais frágeis, carentes de cuidados, e das suas famílias.
Leia-se a este propósito o mais recente parecer do Conselho Económico e Social; não será um órgão do CDS, mas apela a que se faça justamente tudo o que as esquerdas unidas rejeitam. Dá que pensar!
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