A criancinha malcriada

Inês Teotónio Pereira
DN 20160423

Não há partido mais infantil do que o BE. O BE tem tudo o que é típico de uma criança malcriada, mimada, irritante e preguiçosa. Estão a ver aqueles miúdos a quem dizemos "olá" e eles começam a gritar ou aos insultos? É assim o BE. No mundo dos adultos chama-se a isto irreverência; no das crianças, má--criação. Outra particularidade infantil do BE é o mimo. As criancinhas mimadas são sempre levadas a sério, mesmo que não tenham idade para apanhar um autocarro. Qualquer coisa que digam, por mais parva que seja, dá notícia. Ora, isto faz que não tenham necessidade de deixar de dizer coisas parvas - como insultar o voluntariado - tornando-se preguiçosas e viciadas em atenção. As crianças educadas nestas precárias condições e sem filtro para o disparate tornam-se irremediavelmente irritantes. Chatas mesmo. Habituadas que estão a terem muita atenção, não se calam. Falam sobre tudo o que possa ser polémico só para interromper as conversas dos crescidos. No caso do BE o filão são os temas fraturantes que, tal como os filmes com bolinha, têm sempre audiência. Ele é o candidato transexual, o cartaz de Jesus ou o Cartão de Cidadão. Qualquer coisa serve. O objetivo, tal como no mundo infantil, é virar cabeças. Ora, é preciso muita paciência para lidar com crianças assim. É preciso, antes de mais, não as levar a sério e no limite ignorá-las. Mas se nas crianças esta estratégia resulta, com o BE - que apesar de ter todas as características de uma criança malcriada não é criança, é só malcriado/a - não resulta. O PS, no entanto, descobriu como lidar com o problema e tentou resolvê-lo da mesma forma que um pai - daqueles que não ligam nenhuma ao filho adolescente - resolveria: leva o miúdo a jantar fora e deixa-o guiar o carro dando a entender que o acha muito crescido. Depois, vai à sua vidinha. A única diferença no caso do PS e do BE é que o pai (o PS) está a ficar senil e acha mesmo graça à criancinha malcriada.
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