quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Donner vs Marcelo

RR on-line 12 Jan, 2016 - 16:06 • João Taborda da Gama

É que não basta querer ser Presidente. É preciso querer ganhar as eleições.
Está tudo a usar a tática Donner contra Marcelo. Estas eleições são uma simultânea de xadrez. O Grande Mestre (GM) Marcelo contra nove jogadores. Ora responde a um, ora responde a outro, e mais outro e aqueloutro, debate com este e com aquele, e mais o primo dele.
Mas as coisas não estão a fluir bem ao GM porque os outros jogadores estão a aplicar-lhe a tática Donner. A tática Donner está na internet. Escarrapachada na wikipedia, na entrada “simultaneous exhibition”. Segundo Jan Donner, GM holandês, para conseguir ganhar a um GM numa simultânea é preciso fazer três coisas:
  1. Ser cuidadoso no início, jogando um jogo que se conhece bem, até o GM ficar exasperado.
  2. Ser agressivo, porque a defesa implica mais raciocínio, e o GM vai estar mais cansado e por isso vai defender-se pior.
  3. Não ter medo de trocar peças, dificultando o ataque final. Ou seja, não deixar de comer peças por ter medo de ter peças comidas. Com mais variáveis no jogo final, o GM, mais cansado, perde a vantagem dada pela sua categoria e experiência.
No fundo: irritar o mestre, cansar o mestre, obrigar o mestre a cometer erros, prolongar a coisa. É isto que têm feito nos debates, na estrada, em todo o lado, na esperança de um jogo a dois - a segunda volta.
Porque, sabem bem, e como a Wikipedia também explica, as “simultâneas mais longas aumentam o risco de erros induzidos pela fadiga por parte do GM, especialmente porque os restantes participantes individuais no final tendem a ser os jogadores mais fortes que são os adversários mais difíceis do GM”.
Nas simultâneas são nove contra um e no fim ganha o GM. Mas a tática Donner tem a vantagem de obrigar o GM a puxar pela cabeça. É que não basta querer ser Presidente. É preciso querer ganhar as eleições.
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