segunda-feira, 20 de junho de 2016

Talvez seja isto que os jovens mais desejem

Pe. Duarte da Cunha
Voz da Verdade, 201600612

A educação e a atenção que se dá aos jovens não visa só o ensino de regras de vida ou o desenvolvimento das habilidades necessárias para se ter um bom emprego. Ficar por isso leva ao aumento da superficialidade, que, hoje em dia, domina a vida de tantos jovens e de graúdos. É isso também que promove o consumismo como a “religião” que mais facilmente as pessoas seguem. Contudo, a quem basta ter ou comprar coisas? Mais roupas ou mais coisas não resolvem os problemas existenciais! A verdadeira educação não pode ter como meta apenas o consumismo! Isso levaria os jovens a desistir de crescer e levaria à tristeza.
Aquilo que atrai um jovem de hoje, e que já atraía no passado, são duas coisas que se ligam entre si e que abraçam toda a vida: um ideal que seja uma visão da vida capaz de entusiasmar e pelo qual vale a pena lutar; uma companhia – amizade – segura que leve o jovem a sentir-se amado e a aprender a dar-se.
Sem ideal e sem amor ninguém amadurece e ninguém vive feliz.
Partimos do princípio que o jovem é alguém que está a crescer e que tem à sua frente a vida de adulto. Ora, ou o jovem vê o ser adulto como o fim do tempo bom da vida – vivido na irresponsabilidade e à custa dos pais – e, por isso, tenta atrasar ao máximo o momento em que terá de tomar decisões para a vida; ou vê o ser adulto e o assumir responsabilidades como o objectivo ao qual quer chegar bem preparado para poder ser não apenas um consumidor mas um contribuinte na história da humanidade.
É normal que na juventude haja uma certa instabilidade, mas não deve ser normal gostar dessa instabilidade. A segurança e a convicção madura e bem pensada permitem andar para a frente com confiança. Ao contrário, a insegurança gera medo e trava o crescimento. Se alguém não se sente amado por adultos, não se sente seguro e terá muito mais dificuldade em querer ser adulto!
Um jovem sabe reconhecer como adequado a si algo que puxe para cima e que ele sente como um apelo, ou seja, um ideal. Mas não basta ter ideais ou sonhar. Um ideal que seja um simples sonho ou uma imaginação irreal, não se aguenta, e mais cedo ou mais tarde gera desilusão. Os verdadeiros ideias não são sonhos mas vida real, que se descobrem à medida que se aprende a aderir à realidade e que podem ser vistos encarnados em adultos que já os vivam. Um jovem precisa, por isso, de ter amigos – não só coetâneos, mas também adultos – para que os ideais não sejam miragens mas caminho adequado à natureza humana e à personalidade de cada um.
A família é o lugar privilegiado onde o jovem nasce e cresce rodeado de amor, e onde os ideais podem ser vislumbrados através do testemunho de vida dos mais velhos que seguem esses ideais com humildade e persistência. Não precisam de ser perfeitos, os educadores, mas gente que mesmo quando falha algum passo ou precisa de ser ajudado quer continuar a caminhar. Um adulto que educa é alguém que leva o jovem a olhar para um horizonte correspondente ao desejo de grandeza que está no seu coração. Mas não se limita a apontar. O bom educador acompanha e dá sempre a mão quando é preciso levantar o jovem preguiçoso e apático, ou quando este, por ser ainda inexperiente, cai ou se desilude com algo. O amor é a força que faz um adulto ser bom educador. Porque quem ama quer o bem do outro e promove a liberdade sem impor nada, mas propondo sempre com paciência e ciência os grandes ideais. O amor dos educadores – pais e não só – valoriza a criatividade e a genialidade do jovem, e sabe que cada pessoa tem o seu lugar na sociedade, tal como tem lugar no seu coração. Esse amor sabe que o valor do jovem não se descobre na comparação com os outros – nem sequer com o educador – mas na adesão ao ideal que encarna em cada um de modo único e especial.
Os cristãos sabem que o grande ideal é Deus. Não só porque sentimos isso no coração, mas porque Jesus o revelou! Não faz a minha felicidade aquilo que eu possa possuir ou fazer, mas Alguém a quem me posso unir e de quem recebo a vida eterna. Por isso ter presentes o amor e grandes ideais na educação são duas coisas fundamentais para que um jovem descubra Deus como Alguém real e tenha com Ele uma relação pessoal. Só assim teremos santos!
Enviar um comentário