A batalha de Inglaterra

João Pereira Coutinho
CM 20160622

Na quinta, os ingleses vão às urnas. Se eu fosse inglês, não hesitaria em sair.
Dias frenéticos antes do referendo britânico. E a rainha, claro, está atenta. Informam os jornais que, nos jantares de Buckingham, Isabel II tem pedido aos seus convidados para lhe apresentarem 3 razões válidas favoráveis à manutenção. Os partidários do ‘Brexit’ exultaram com a parcialidade da pergunta de Isabel II. Mas, para não sermos cínicos, que argumentos tem apresentado o campo do ‘Remain’ para convencer a monarca? Sim, há argumentos económicos e políticos relevantes: a União Europeia recebe metade das exportações britânicas; 3 milhões de empregos dependem da continuidade do país no ‘projecto europeu’; e uma Inglaterra isolada perde importância no mundo e arrisca a desagregação interna (com a Escócia à cabeça). Factos? Não. Suposições. E muito medo à mistura. Os partidários do ‘Brexit’ também cavalgam os seus medos: é a imigração descontrolada; é o terrorismo à solta na Europa. Mas depois existe um argumento mais sério: por que motivo um país que sempre valorizou a sua tradição parlamentar deve ser governado ‘de facto’ por uma Comissão Europeia não eleita que determina grande parte da legislação interna? De resto, e respondendo directamente aos fantasmas da saída, a Europa continental é um mercado importante, sem dúvida. Mas será preciso lembrar, como escreveu recentemente o eurodeputado Daniel Hannan, que a Grã-Bretanha, hoje, compra mais à Europa do que vende? E, além disso, que a ‘perda de importância no mundo’ é um exagero quando Londres é a quinta economia mundial; uma das maiores potências militares do Ocidente; e membro permanente do Conselho de Segurança da ONU? Na quinta, os ingleses vão às urnas. E a questão derradeira será esta: queremos ser governados por nós próprios – ou entregar os destinos do país a terceiros? Se eu fosse inglês, não hesitaria em sair.
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