Governar é decidir
Destaco hoje um comentário de Vasco Pulido Valente à posição de 80 historiadores protestando quanto à eliminação dos feriados do 5 de Outubro e do 1º de Dezembro. No seu estilo próprio vale a pena ler a argumentação, como sempre sólida, mesmo que não se concorde com ela.
Na sua crónica de hoje, João César das Neves dá como exemplo de sentido patriótico, o espírito de Abril, mostrando como os portugueses corrigiram, com sacrifício pessoal e colectivo, os erros dos primeiros tempos.
No passado sábado, ouvi na missa ferial, a oração de Salomão. O Papa referiu-se a ela no extraordinário discurso no Reichstag em Setembro passado:
Que irá pedir o jovem soberano neste momento tão importante: sucesso, riqueza, uma vida longa, a eliminação dos inimigos? Não pede nada disso; mas sim: «Concede ao teu servo um coração dócil, para saber administrar a justiça ao teu povo e discernir o bem do mal» (1 Re 3, 9). Com esta narração, a Bíblia quer indicar-nos o que deve, em última análise, ser importante para um político. O seu critério último e a motivação para o seu trabalho como político não devem ser o sucesso e menos ainda o lucro material. A política deve ser um compromisso em prol da justiça e, assim, criar as condições de fundo para a paz.
Este pedido pode também ser nosso. Pelos nossos governantes e também por nós, na medida em que devemos procurar compreender as razões das decisões e solidarizarmo-nos com elas ou não: não apenas porque nos são vantajosas ou ao contrário, mas porque são as que mais convêm ao bem comum e à justiça construtora da paz.
Que o exemplo de Dona Maria Adelaide inspire as opções de muitos portugueses
AGENDA:
Hoje, 18:30, na série Política e Pensamento: a voz dos livros, o dr. João Salgueiro irá partir do livro de Jacques Atalli “Estaremos todos falidos dentro de 10 anos?”. Livraria Férin, 18:30.
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