Recessão

DESTAK | 22 | 02 | 2012   17.52H
João César das Neves | naohaalmocosgratis@ucp.pt
Os números da economia, com forte queda da actividade e desemprego em máximos históricos, mostram que a política de austeridade não resulta. Esta é uma frase que, em vários tons e formas, se ouve a cada passo. Fica a pergunta: quais seriam os resultados que mostrariam que a política estava a resultar? Que é que essas pessoas esperavam que saísse da tal austeridade?
Portugal começou em Maio passado um programa de forte ajustamento, após anos de negação, derrapagem e ilusão. Fomos o primeiro país da zona euro a violar o Pacto de Estabilidade, em 2001 e, corrigindo manipulações contabilísticas, violámo-lo todos os anos seguintes. Nas quatro crises orçamentais da década, 2001, 2003, 2005 e 2009, as reformas estruturais, solenemente prometidas, acabaram sempre esquecidas depois de breves ajustamentos.
Na crise mundial fomos um dos últimos países a admitir a necessidade de mudança, após quase três anos a fingir que estava tudo controlado. Entretanto a dívida externa bruta subia incontrolada, de 28% do PIB em 1992 até 245% em 2011. Após 15 anos de erros, despesismos, tolices e abusos, só restam tratamentos desesperados.
Neste estado crítico, como era possível evitar a forte queda da actividade e o desemprego em máximos históricos? Que se poderia esperar da inelutável austeridade? A situação económica é dramática, violenta, dolorosa. Isso vem, sem dúvida, da política de austeridade. Compreendem-se as queixas e censuras. Os comentadores, de todo o tipo e condição, têm toda a razão. Só falta dizer uma coisa: uma alternativa melhor.

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