Na sua crónica de hoje no Diário de Notícias, João César das Neves lembra uma célebre canção de intervenção de José Barata Moura no início dos anos setenta que ridiculariza a caridadezinha. Foi uma contribuição, entre outras, para a desvalorização que a palavra caridade sofreu; ao ponto de em algumas traduções da primeira carta de S. Paulo aos Coríntios, a palavra caridade ter sido substituída pela palavra amor. Vale a pena voltar a ler com atenção este texto , que é também um dos maiores da literatura universal:
A caridade é paciente, a caridade é benigna; não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa; não é inconveniente, não procura o próprio interesse; não se irrita, não guarda ressentimento; não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O dom da profecia acabará, o dom das línguas há-de cessar, a ciência desaparecerá; mas a caridade não acaba nunca. De maneira imperfeita conhecemos, de maneira imperfeita profetizamos. Mas quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança. Mas quando me fiz homem, deixei o que era infantil. No presente, nós vemos como num espelho e de maneira confusa; então, veremos face a face. No presente, conheço de maneira imperfeita; então, conhecerei como sou conhecido. Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade.
S. Paulo, 1 Cor 13, 4-13
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