A resposta da maioria
Os jornalistas tomam por vezes a nuvem por Juno e dão aos pormenores a importância apenas devida ao essencial. Esta semana, canais de TV e jornais salientaram o êxito do Banco Alimentar, uma nova recolha de géneros que a grandeza dos portugueses fez, em tempo de crise, com que atingisse quase as 3 mil toneladas.
Mas à boa notícia não faltou quem acrescentasse "apesar das declarações de Isabel Jonet", recordando, a despropósito, uma entrevista em que a "alma" do BA afirmou que precisávamos de mudar de hábitos e de comer menos bifes - uma simples evidência. A frase, retirada do contexto, levou a sua autora a ser alvo, nas redes sociais, dos inimputáveis especializados no insulto e na descarga de frustrações sobre quem realize algo acima da mediania.
Haver jornalistas convencidos de que a maioria silenciosa da generosidade se deixaria influenciar pelos impropérios de meia dúzia de anormais e impediria o Banco Alimentar de prestar o seu serviço de excelência é, no mínimo, preocupante. Se não conhecemos o país real, andamos cá a fazer o quê?
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