A resposta da maioria

Alexandre Pais, Correio da manhã, 2012-12-08

Os jornalistas tomam por vezes a nuvem por Juno e dão aos pormenores a importância apenas devida ao essencial. Esta semana, canais de TV e jornais salientaram o êxito do Banco Alimentar, uma nova recolha de géneros que a grandeza dos portugueses fez, em tempo de crise, com que atingisse quase as 3 mil toneladas.

Mas à boa notícia não faltou quem acrescentasse "apesar das declarações de Isabel Jonet", recordando, a despropósito, uma entrevista em que a "alma" do BA afirmou que precisávamos de mudar de hábitos e de comer menos bifes - uma simples evidência. A frase, retirada do contexto, levou a sua autora a ser alvo, nas redes sociais, dos inimputáveis especializados no insulto e na descarga de frustrações sobre quem realize algo acima da mediania.
Haver jornalistas convencidos de que a maioria silenciosa da generosidade se deixaria influenciar pelos impropérios de meia dúzia de anormais e impediria o Banco Alimentar de prestar o seu serviço de excelência é, no mínimo, preocupante. Se não conhecemos o país real, andamos cá a fazer o quê?

Comentários

Francisco Melo disse…
Ser livre não significa ser imparcial ou honesto. Usar da liberdade, não significa necessariamente ser imparcial. Temos liberdade até para censurar o que não nos agrada, como acontece com certos patrões de certas liberdades de expressão de pensamento mass media, que querem impor as suas visões de mundo tão distintas da que tem o povo. Só o mal é censurável..., e o que eles fazem?

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