Good News
Há pouco mais de 12 anos li um artigo no Diário de Notícias, sem saber, sem sequer imaginar o que nasceria dessa leitura. Começava assim:
«A primeira grande novidade do milénio foi o aparecimento do GoodNews. O diário apresentou-se com o propósito de "dar apenas e sempre boas notícias", declarando olhar a actualidade do ponto de vista positivo e construtivo, sublinhando o virtuoso, o amável, o heróico, o bom. "No panorama mediático actual", dizia o seu primeiro editorial (publicado noutro jornal, por tratar de más notícias), "domina o chocante, o trágico, o dramático, o mau. Quando algo corre bem deixa, por isso mesmo, de ser notícia. Só os desastres e guerras são referidos. A bondade e a paz apenas aparecem quando falham. Todos os jornais, mesmo os mais clássicos, são dominados por esta visão perversa. Em vez do provérbio no news is good news (se não há notícias é boa notícia), a prática passou a ser good news is no news."» O artigo chamava-se Boas notícias e foi publicado no Diário de Notícias de 1 de Janeiro de 2001. Logo no dia 5 saía o primeiro Jornal das Boas Notícias. A história vem aqui contada.
Em Abril de 2001 nascia o Povo e ao longo de todo este tempo tenho tido a experiência da dificuldade de cumprir o propósito de "dar boas notícias".
Vem isto a propósito de, muito especialmente nos tempos que estamos a viver, "o que está a dar" é dizer mal, ignorando mesmo qualquer notícia que traga um bocadinho de esperança, não por ser mentirosa, mas por ser boa. Foi neste e por causa deste ambiente que foi possível acolher tão entusiasticamente o "especialista da ONU" que afinal não o era. Também neste artigo, o Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada diz que profetas da desgraça há muitos porque a desgraça vende bem.
Porque será que são mais notícia as más notícias do que as boas?
Ouvi há dias, de um psicólogo que intervinha num programa de televisão que não consigo identificar (nem psicólogo, nem programa) que a atracção pelas más notícias faz parte do nosso instinto de auto-defesa. Enquanto só há uma primeira oportunidade para nos defendermos de qualquer coisa que nos possa prejudicar (uma coisa má), há sempre uma segunda oportunidade para ouvirmos contar uma coisa boa. E nesta corrida ganham as más notícias, a ponto de serem elas as verdadeiras notícias.
Acreditando, porém, que os leitores do Povo apreciam (e precisam de) boas notícias, trago hoje esta notícia. No 40º aniversário da célebre deliberação do Supremo Tribunal de Justiça norte-americano, Roe vs. Wade, que abriu a porta à legalização do aborto nos Estados Unidos e em todo o mundo ocidental, a revista TIME assinala que após essa célebre decisão judicial, de então para cá tem-se assistido a uma vaga sistemática de pequenas vitórias em favor da vida, criando regulamentos que limitam fortemente as condições legais de aborto.
É um bom motivo para continuarmos a insistir nas duas petições (ver abaixo) que tentam precisamente travar e , sendo possível, fazer recuar a vaga contra a vida e a família a que temos assistido nos últimos anos. Este exemplo, mostra-nos que é possível. É sem dúvida, uma boa notícia!
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