A necessidade de discernir

Isabel Figueiredo Canotilho, Facebook, 2013-01-15

Tal como milhares de portugueses, também eu estava tranquila à frente do sofá, quando fui surpreendida pela notícia do direito à vida de um cão, que matou uma criança. Quem fez a peça teve o cuidado de ir à procura de outras situações semelhantes e podemos acompanhar a descrição pormenorizada dos ataques, dos traumas das vitimas, dos traumas dos atacantes, porque alguém lhes cortou as orelhas…

Entre a vontade de desligar a televisão e a exigência interior de ver até onde se consegue chegar, nesta voracidade de ser competente a dar noticias, deixei-me ficar quieta. Quando a peça terminou, tive dificuldade em fazer qualquer comentário. Mas até hoje, o único pensamento que me ocorre, quando volto a esta noticia é talvez, de uma excessiva simplicidade: se eu tratar animais como pessoas, como poderei ficar surpreendida por tantas pessoas serem tratadas como animais?

Dois dias depois, lendo noticias na net, descobri um pequeno título – "OCDE mantém previsão de recuperação económica de Portugal". A noticia terminava com uma informação discreta – " … os dados dão conta de uma subida nas perspectivas de melhoria da actividade económica em Portugal pelo oitavo mês consecutivo". Pressionada pela leitura da actualidade, fui à procura de outras noticias sobre a OCDE, convencida de que era habitualmente relegada ao pequeno título, à descrição do que tem pouco valor. Mas não, quando a informação é negativa, a instituição ganha outra dimensão, outro destaque.

Perante estas realidades só posso manter a convicção de que aquilo que nos é pedido é uma permanente capacidade de discernir, um esforço diário para ter um olhar critico sobre tudo o que nos dizem que acontece e um olhar atento sobre tudo o que acontece, mas não nos dizem.

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