sábado, 26 de setembro de 2015

Populismo: Europa, Estados Unidos e Portugal

RR online 25 Set, 2015 • Luís Cabral

O populismo não é exclusivo da direita: aparece em todos os quadrantes políticos. Como classificar a estratégia de Yanis Varoufakis, com o seu calculado cuidado pela imagem e outros efeitos mediáticos, se não como populista?
Há alguns dias, perguntaram-me, num painel organizado na Universidade de Nova Iorque, o que pensava da ameaça populista da direita Europeia (isto é, Le Pen e companhia). Trata-se de um fenómeno preocupante, respondi, mas não exclusivo da Europa. Veja-se, concretamente, o que está acontecendo nas primárias republicanas dos Estados Unidos: o actual líder é um tal Donald Trump, cujo apelo, tanto quanto consigo perceber, se baseia em expulsar milhões de emigrantes, construir um muro na fronteira sul - agora já vai em dois muros - e enviar a conta para os mexicanos, que, segundo ele, são todos uns "bandidos".
O populismo não é um fenómeno novo: ao longo da história, sempre houve quem tirasse partido dos sentimentos mais básicos do povo para ganhar favor com argumentos simplistas e demagógicos.
O populismo não é exclusivo da direita: aparece em todos os quadrantes políticos. Como classificar a estratégia de Yanis Varoufakis, com o seu calculado cuidado pela imagem e outros efeitos mediáticos, se não como populista?
O populismo não se resume ao nacionalismo ("a culpa é dos outros", "nós é que somos bons", "eles só nos querem roubar", etc). Uma vertente igualmente importante e preocupante é a que tira partido da ilusão fiscal do povo, facilmente convencido com promessas de mundos e fundos que realmente não existem.
O populismo não é um problema que o sistema democrático resolva por si só: Trump vai em 30 por cento, bem à frente dos concorrentes; e convém não esquecer a triste realidade histórica de que o nacional-socialismo alemão cresceu à força de votos.
Em véspera de eleições em Portugal, convém recordar que democracia não é simplesmente contar votos, mas sim uma atitude de respeito pela vontade da maioria e pelos direitos da minoria, num contexto de honestidade com os outros e com o próprio. Felizmente, a vertente nacionalista do populismo não é uma grande ameaça em Portugal. O populismo fiscal, no entanto, é das piores doenças de que temos sofrido. Desde há anos que considero um dos meus principais objectivos combater — artigo a artigo — este flagelo do sistema político português.
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