sábado, 14 de novembro de 2015

Portugal na mão de A. Costa

João Ferreira do Amaral
31 da armada em 12.11.15

Habilmente e pouco a pouco, A. Costa vai construindo o seu poder. Fá-lo contra as facções dos seus correligionários mais moderados; contra a vontade da esmagadora maioria da população que permanece hostil às ideias e desconfiada dos métodos; e sem o apoio dos principais países europeus que mantêm grandes reservas em relação ao novo poder em Portugal.
Fomenta um clima de terror nas ruas e inunda os lugares chave da administração pública com os seus homens, chegando ao ponto de interferir directamente na exoneração e nomeação de chefias militares. Julgando poder assim conquistar a simpatia dos parceiros europeus, pondera envolver o país num grande conflito militar internacional, apesar das dificuldades económicas que o país atravessa e da evidente impreparação da tropa. Para os oficiais o desconforto chega ao limite, levando-os a entregar simbolicamente as suas espadas. Estamos em Janeiro.
O Presidente da República decide demitir o governo e dar posse a um outro de sua iniciativa. Com a legislatura concluída, aguarda-se a realização de eleições para o novo parlamento. A. Costa sabe bem que as perderá se não tiver o controlo absoluto da máquina do Estado. Organiza-se então a conspiração, surgindo em Maio o golpe sangrento que restitui o poder ao partido de A. Costa. O Presidente derrotado vê-se obrigado a renunciar e é já sem qualquer oposição que A. Costa controla a seu bel-prazer o acto eleitoral que se segue, enchendo o novo parlamento com deputados do seu partido. Portugal está na sua mão.
Estes acontecimentos tiveram lugar em 1915, há 100 anos, no início da Grande Guerra. Os protagonistas foram Afonso Costa, o seu PRP e a Carbonária; o Presidente da República Manuel de Arriaga, substituído por Teófilo Braga após o golpe de 14 de Maio; o Governo de Victor Hugo de Azevedo Coutinho - o dos "miseráveis" -, substituído, após o Movimento das Espadas, pelo governo de Pimenta de Castro, por sua vez, substituido pelo governo de João Chagas depois do golpe de 14 de Maio.
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