Nigéria? Onde fica?

"Boko Haram" quer dizer na língua local "a educação ocidental é pecado" e é isto que justifica os actos de vandalismo praticados. O Ocidente, como sempre, vive indiferente ao que se passa fora do seu quintal.
RR online 08-05-2014 20:02 por Raquel Abecasis

O último tema que entrou na rotina dos noticiários ocidentais passa-se na "longínqua" Nigéria, onde um "desconhecido" grupo Boko Haram tem feito umas "tropelias", como raptar centenas de raparigas à porta da escola para fazer delas "escravas, vendidas e casadas", juntamente com atentados e centenas de mortos.
"Boko Haram" quer dizer na língua local "a educação ocidental é pecado" e é isto que justifica os actos de vandalismo praticados. O Ocidente, como sempre, vive indiferente ao que se passa fora do seu quintal.
A União Europeia, essa grande criação do mundo ocidental que até já ganhou o Prémio Nobel da Paz, ao que parece não sabe onde fica a Nigéria, nem está muito preocupada com o problema. Até ver a única declaração – não acção – que se ouviu foi da alta responsável pela política externa da União Europeia, Catherine Ashton que, instada por um jornalista, diz que as jovens são o futuro da Nigéria e o que se está a passar é "devastador". E para a União Europeia basta.
Não admira, porque o mito da dita "cultura ocidental" transformou-se numa arrogância oca e sem sentido diante do mundo. Uma espécie de 'é bom porque sim'. Uma parte do mundo onde não há preconceitos, todos são acolhidos e não há lugar a afirmações de princípio, princípios e muito menos raízes, sobretudo se forem religiosas. Tudo é uma coisa, mas pode também ser o seu contrário. Não há pais, todos são filhos e a voz da autoridade não é bem-vinda.
Este é o retrato de uma Europa vulnerável a todos os Boko Haram deste mundo, que por cá começam a montar a tenda e encontram terreno fértil para espalhar os seus ideais num continente sem ideal.
É assim quando se ignora a história. O que fez da cultura ocidental um modelo para o mundo não foi o capitalismo, a economia ou o bem-estar. Na origem esteve uma cultura que trouxe ao mundo algo de completamente diferente, a cultura gerada pelo cristianismo. Aí está a origem da liberdade que tanto prezamos e não no relativismo dominante, mas afirmar isto nos tempos que correm é considerado um ataque às liberdades individuais, o pior pecado que se pode cometer a ocidente.
Na Nigéria, na Ucrânia e em muitas outras partes do nosso "quintal" é urgente a supremacia do Ocidente que os Boko Haram tanto odeiam, mas para isso é preciso que Obama, Merkel e a União Europeia que Barroso representa saibam reconhecer o que lhes deu origem.

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