quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O país subsidiado

André Macedo
DN 2016.02.25

António Costa quer garantir os benefícios da ADSE aos filhos de funcionários públicos com menos de 30 anos que ainda vivam com os pais. A palavra-chave nesta proposta é: ainda. E a frase que exige ser escutada com muita atenção é: menores de 30 anos que ainda vivem com os pais. Há duas maneiras de olhar para a circunstância difícil de alguém que há muito deveria ter vida própria, casa alugada ou comprada, profissão escolhida, trabalho feito já para mostrar, mas que ainda vive debaixo do telhado do pai e da mãe. Não há dúvida de que as extremas dificuldades do país explicam em grande medida o problema. O desemprego e a falta de oportunidades, especialmente para os não licenciados - mas não só -, refletem o mau estado em que estamos. Mas dito isto, sobra o outro lado da questão. Até que ponto faz sentido estimular a economia através da subsidiação agressiva? Ajudar os que já não podem trabalhar, os mais velhos e doentes, dar a mão aos desempregados de longa duração, faz sentido económico, além de ser uma obrigação social. Incentivar quem tem 29 anos e ainda vive em casa dos pais a prolongar essa situação é um sinal errado. O problema das propostas que temos ouvidos nos últimos dias, através do PS, do Bloco de Esquerda ou do PCP, é que nunca responsabilizam as pessoas concretas pela situação específica em que elas se encontram. Ninguém lhes diz, no tom adequado, com palavras não acusatórias, que é preciso estudar, trabalhar, lutar e procurar. Que não é solução esperar que o Estado atenue o problema através de todo o tipo de subsídios. Porque neste caso não estamos já a falar de Estado social - por exemplo, apoiar e melhorar a educação, reduzindo a desvantagem de quem menos tem -, mas do velho Estado paternal. O resultado destas experiências é sempre ruim: mais impostos, menos iniciativa individual, menos liberdade, mais dependência do Estado, mais mediocridade. Muitos erros foram cometidos nos últimos anos. Claro que havia alternativa à política de sentido único. Mas um erro não se corrige com uma série de outros em direção oposta. Subsidiar a energia a um milhão de pessoas custará mais a todas as outras. Aumentar a despesa da ADSE irá onerar os restantes. Reduzir o horário na função pública para as 35 horas também tem preço. Nacionalizar o Novo Banco custaria milhões, a não ser que se quisesse expropriar o Fundo de Resolução. Impedir os bancos de reaver as casas cuja hipoteca não é paga - novamente, serão os que cumprem que vão subsidiar tanta generosidade, se isto for para a frente. Passos Coelho vergou-se a Bruxelas, António Costa à extrema-esquerda.
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