Assumir-se cristãmente... fora da lei!

A. Sílvio Couto
Agência Ecclesia, 20081028


Em questões como aborto, casamentos gay, divórcio e outros

Em questões como aborto, casamentos gay, divórcio e outrosNos tempos mais recentes, certas forças político/ideológicas foram trazendo para a liça pública/política questões onde os cristãos não podem embarcar nem se devem confundir-se e tão pouco submeterem-se ao meramente legal, pois alguns desses aspectos estão em confronto profundo com os valores do Evangelho. Referimo-nos, concretamente, ao estafado (isto é, que quase foi ganho devido ao esgotamento dos contrários) tema do aborto, à circunstância do (pretenso) casamento entre homossexuais e ao alargamento do divórcio... ‘à la carte’!Como nota prévia consideramos que temos todo o direito de opinar sobre estes assuntos, lendo-os pela perspectiva cristã, sem pretendermos aferi-la à dimensão eclesiástica, antes tornando esta leitura um espaço de consonância, sobretudo, católica. Também para quem discorde desta nossa opinião vai todo o respeito, na medida em que a inteligência cristã sabe aceitar os outros, mesmo que por eles nem sempre seja tolerada nem tão pouco minimamente aceite.* Sob a tutela do tirano ‘pai’ EstadoHá quem considere que os portugueses têm dificuldade em conviver com a liberdade, necessitando, em muitas situações, de um ‘pai’, que conduza, decida e tenha autoridade. Por isso, alguns se escondem sob a aba da capa da Lei – dita por uns tantos como sendo a ‘ética da República’ – de modo a obedecerem (quase) religiosamente às ordens dos mais fortes e/ou poderosos. Há, mesmo, quem se escude com a decisão democrática – desde que seja preferencialmente da sua cor e/ou tendência – para obrigar os derrotados a serem seus servos, ao menos por alguns segundos... de poder. Subjugados pela inoperância de quem obriga, vemos surgir a exaltação dos mais votados – sociológica e numericamente – a exigirem concordância... pelo menos tácita.* Discordar das maioriasNas questões supra referidas foi notório que alguns sectores sociais e políticos foram empurrando as decisões – mesmo através do referendo e da (dita) opinião pública, esse ente sem rosto mas com grande panegírico! – até conseguirem a sua vitória. Houve casos – como o do número de abortos clandestinos! – em que alguns argumentos se tornam tão falaciosos que, agora, envergonham quem os usou. Noutras situações tem havido necessidade de esconder certas práticas – como a da violência entres parceiros homossexuais – para que o problema do (dito) casamento entre eles não seja ofuscado. Até mesmo no que se refere ao divórcio os dados servem para o que servem e valem para o que valem!...Só há um pequeno pormenor, da parte da Igreja, sobretudo católica, que gostaríamos de abordar. Os responsáveis da Igreja deveriam ter mais cuidado em fazerem crer que a mais recente ‘abertura’ de recurso ao divórcio facilita, pelo menos entre os que celebram o matrimónio, o mesmo divórcio, antes deve fazer com que os matrimónios realizados sejam de maior exigência – desde a preparação até à celebração e posterior acompanhamento – para que sejam sérios, credíveis e estáveis... em Deus pela Igreja e na família. - Para além da objecção de consciência – que alguns profissionais da saúde aduziram no caso do aborto – os cristãos têm de apostar mais na formação da consciência e do comportamento digno da sua identidade cristã, pois não serão as leis que os obrigarão a estar contra os valores do Evangelho.- Para além das facilitações do Estado, os cristãos precisam, urgentemente, de ter razões para viverem em conformidade com as suas convicções, unindo-se em razão das causas que são questionadas e uma delas é, indiscutivelmente, a família fundada na relação estável de um homem e de uma mulher.- Por certo as gerações futuras agradecerão o nosso empenho, a nossa luta e até a prossecução de uma cultura cristã... com maior coerência entre o que se pensa e o que se vive.
Opinião A. Silvio Couto 27/10/2008 11:25 3882 Caracteres

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